Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: fevereiro 2010 (page 1 of 5)

Se o Corinthians é o favorito na Libertadores, o Santos é o melhor time do mundo

O Corinthians já foi para Santos com a desculpa pronta. Como alguns de seus jogadores, entre eles Ronaldo, já tinham admitido que consideravam a equipe favorita para ganhar o título da Copa Libertadores, e como jogaram na Vila Belmiro com o mesmo time que está disputando a competição sul-americana, como explicar a derrota para um bando de garotos desfalcado de Robinho?

Assim, provavelmente insuflados pelo próprio técnico, o descontrolado Mano Menezes, a equipe tratou de tumultuar desde o início. Ronaldo tropicou em Paulo Henrique Ganso logo após a saída e caiu contorcendo-se em dores. Temeu-se outra de suas contusões graves, mas era só fricote. Os corintianos cercaram o árbitro José Henrique de Carvalho e queriam que ele expulsasse o Ganso pelo lance casual. Patético.

O Santos tratou de jogar bola. Em 20 minutos perdeu três gols, um deles em um pênalti cobrado por Neymar, após falta de Roberto Carlos em Marquinhos. Talvez não se possa dizer que Neymar tenha perdido o gol, pois na verdade o goleiro Felipe fez uma defesa espetacular.

O único atacante corintiano que levou perigo à meta santista no primeiro tempo foi o incansável Dentinho, que poderia ter feito um golaço ao dar um chapéu em Roberto Brum e chutar de sem pulo, para ótima defesa do goleiro Felipe, do Santos. Este foi, entretanto, o único lance de gol do Corinthians em toda a primeira etapa, dominada completamente pelo Alvinegro Praiano.

Com espaço para jogar, Paulo Henrique controlava e ditava o ritmo no meio-campo e ainda metia enfiadas geniais para Neymar e André. Marquinhos também se destacava, marcando e acionando os atacantes com passes medidos; Arouca, mais discreto, concentrou-se na marcação, e Wesley avançava pela direita para fazer triangulações com os atacantes.

Como em um jogo de xadrez, o Santos dominou o centro do tabuleiro e daí tomou conta da partida. Aos 32 minutos, Neymar mostrou que não ficou nem um pouco abalado com a perda do pênalti ou com o fato de ainda não ter marcado um só vez contra o rival. Recebeu um passe pelo alto de Marquinhos e mesmo cercado por dois zagueiros definiu a jogada em dois toques, chutando no canto direito de Felipe. O domínio santista continuou após o gol. Apenas 1 a 0 foi pouco para exprimir o primeiro tempo. Uma vantagem de dois gols seria mais justa.

Um time à beira de um ataque de nervos

No segundo tempo, mesmo sem a mínima inspiração, o Corinthians tentou o empate, mas a defesa do Santos saiu-se muito bem. O experiente Edu Dracena e o magnífico Durval, o zagueiro que não perde uma dividida, até ali não tinham dado qualquer oportunidade aos avantes adversários. Por outro lado, todo contra-ataque santista era perigoso.

Aos 14 minutos, em novo passe calculado de Marquinhos, Neymar apareceu pela direita, matou no peito com calma, esperou a entrada de André e serviu de bandeja para o centroavante ampliar para 2 a 0.

O Santos estava melhor e tudo indicava que faria mais gols, pois tinha muito espaço nos contra-ataques. Mas aos 23 minutos, na única jogada que levou vantagem sobre Edu Dracena, Ronaldo foi à linha de fundo pela esquerda e cruzou para Dentinho marcar, depois de acertar a trave.

Pela juventude de boa parte do time do Santos, previa-se que a equipe se descontrolaria com o gol corintiano e o Corinthians, com muitos jogadores rodados, pressionaria com boas possibilidades de conseguir o empate. Mas o atrapalhado Moacir, que entrara no intervalo no lugar de Alessandro, foi expulso aos 25 minutos ao receber o segundo cartão amarelo. E três minutos depois foi a vez de Roberto Carlos forjar uma penalidade máxima e ir para o chuveiro.

Entre partir para uma goleada e segurar o resultado, Dorival Junior optou pela segunda opção. Mas isso acabou sendo prejudicial ao time, que deixou de ser objetivo no ataque e até propiciou algumas chances ao Corinthians, como aos 40 minutos, quando Dentinho cruzou pela direita, Felipe deixou a bola passar e Tcheco quase marca, de cabeça, embaixo das traves.

Como na bola estava difícil, os jogadores do Corinthians tentaram intimidar os garotos e pressionar o árbitro. A tática saiu pela culatra: além dos dois cartões vermelhos, cinco corintianos receberam cartões amarelos. Do lado do Santos, Pará, Paulo Henrique, Neymar e Breitner também foram amarelados.

É o tipo do jogo que nem é preciso ouvir as entrevistas para saber o que disseram o técnico Mano Menezes e seus comandados. Ao invés de admitir que tomaram um baile dos Meninos, culparam o árbitro. Um discurso perigoso para quem vai enfrentar jogos muito mais tensos e ambientes muito mais hostis na Libertadores. Ficou a clara impressão de que a obrigação de ser campeão da Libertadores está deixando os nervos dos corintianos em frangalhos.

Lições do jogo

O Corinthians deve ter deixado seus torcedores muito preocupados. Pois este time envelhecido, lento e sem criatividade dificilmente será campeão da Libertadores. Felipe é um grande goleiro; Elias é ótimo volante: Ronaldo, que pareceu mais gordo e lento do que antes, ainda pode decidir; Dentinho voltou bem ao time e merece ser o titular, mas tirando esses, sobra muito pouco.

Roberto Carlos e Tcheco estão jogando mais por uma necessidade de marketing, do que técnica. Mano Menezes precisa ter coragem de escalar os melhores e mais rápidos e não os que interessam aos planos mercadológicos do clube. Se para ganhar do medíocre Racing do Uruguai já foi todo aquele sofrimento, é fácil imaginar quando os adversários forem um pouquinho mais fortes.

Quanto ao Santos, falar o quê? Mesmo sem os titulares Fábio Costa, George Lucas, Léo e Robinho, o time ganhou com folga daquele que parte da imprensa elegeu como o favorito da Libertadores. Ora, partindo-se dessa premissa, o Santos, hoje, deve ser considerado um dos melhores times do planeta. Ou não?

ATUAÇÕES

Corinthians

Felipe – Excelente. Defendeu o pênalti bem cobrado por Neymar e fez outras grandes defesas. Nota 8.

Alessandro – Não estava tão bem, mas não deveria ter saído. Nota 5 (Moacir entrou no seu lugar e foi expulso. Nota 4).

Chicão – Não é mais o mesmo zagueiro tão seguro e bem posicionado de antes. Nota 5.

William – Muita dificuldade para marcar os rápidos atacantes santistas. Nota 5.

Roberto Carlos – Apoiou mal e marcou pior. Expulso justamente. Nota 3.

Ralf – Ficou como bobinho no meio dos garotos do Santos. Nota 4 (Jucilei entrou no intervalo e foi um pouco melhor. Nota 6).

Elias – Apagado. Desta vez não apoiou tanto, preocupado mais em marcar. Nota 4.

Tcheco – Não foi tão apagado como em jogos anteriores pelo Corinthians, mas também não brilhou, além de perder o gol de empate. Nota 6.

Jorge Henrique – Ele jogou? Esteve em campo. Nota 4.

Dentinho – Movimentou-se, buscou o jogo, catimbou e fez o gol. Nota 7 (Iarley entrou em seu lugar, mas não teve tempo de fazer nada. Sem nota).

Ronaldo – A técnica ainda é excelente, mas a movimentação e o preparo físico é zero. Nota 6.

Mano Menezes – Veio com a desculpa pronta. Seu time foi engolido no primeiro tempo. Substituiu mal e deixou Paulo Henrique livre. Nota 4.

 

Santos

Felipe – Bom goleiro, fez ótima defesa em lance de Dentinho, mas ainda inspira certo temor. Falhou em lance que poderia ter gerado o milagroso gol de empate corintiano. Nota 6.

Roberto Brum – Surpreendeu, marcando bem na lateral-direita e errando poucos passes. Nota 7 (Madson entrou para usar sua velocidade contra o desfalcado adversário, que já estava com dois jogadores a menos, mas pouco fez. Nota 5).

Edu Dracena – Bobeou apenas uma vez na marcação de Ronaldo. Mas é muito firme e faz ótima dupla com Durval. Nota 7.

Durval – O melhor zagueiro que chega à Vila Belmiro desde Alex. Sério e preciso. Nota 8.

Pará – Errou menos do que costuma, movimentou-se bem, apoiou. Só continua estabanado na marcação. Saiu de campo após sofrer uma cotovelada (sem querer?) do Dentinho. Nota 6 (Germano entrou para destruir e ainda teve espaço no ataque, mas nada fez de produtivo na frente. Nota 5).

Arouca – Discreto, jogou para o time, concentrando-se na marcação. Nota 7.

Wesley – Como Arouca, desta vez apoiou menos. Mas foi bem. Nota 7.

Marquinhos – Melhor jogo pelo Santos. Os dois gols saíram de passes seus. Marcou e apoiou bem. Nota 8 (Breitner entrou em seu lugar e não teve tempo. Sem nota).

Paulo Henrique – Fez um primeiro tempo perfeito, regeu o meio-campo e o jogo com maestria. Caiu um pouco no segundo. Nota 8.

Neymar – Fez um gol e deu o passe para outro. Não converteu o pênalti e foi disperso algumas vezes, levando cartão amarelo em jogada infantil (deu um chapéu em Chicão quando o jogo já estava paralisado). Mesmo assim, Nota 8.

André – Apresentou-se para o jogo, deslocou-se, tabelou e acabou premiado com o segundo gol. Sem ser brilhante, foi eficiente. Nota 7.

Dorival Junior – Seu esquema funcionou à perfeição no primeiro tempo, quando não deixou o Corinthians andar, ao mesmo tempo que garantiu o domínio do meio-campo e do jogo. As muitas reclamações dos corintianos no segundo tempo tiraram a tranqüilidade do time e deram alguma chance ao Corinthians, mas o Santos manteve o controle tático do jogo. Nota 8.

Organização do Espetáculo – Como este blog previu desde o início da semana, a Vila Belmiro recebeu um público decepcionante para um jogo deste nível. Na primeira vez que teve o mando de campo em um clássico, a diretoria fez a opção errada, escolhendo a Vila e quadruplicando o preço dos ingressos. Não foi falta de avisar. Foi a primeira grande bola fora da gestão Luis Álvaro Ribeiro, que jogou um caminhão de dinheiro pela janela ao não optar por um estádio maior. Mas que fique a lição. Futebol não se resolve na prancheta. É feeling, é vivência, é conhecimento do perfil do torcedor santista. Bem, mas essa diretoria é nova e ainda terá muito tempo para corrigir erros como esse. É só ser um pouco mais humilde e ouvir o torcedor.

E você, o que achou do jogo? Não concorda com alguma coisa que eu escrevi?  Manda ver. Aqui o espaço é de todos. Vá aos comentários e mande brasa.


Santos enfrenta hoje o Corinthians da Libertadores

Robinho não estará, mas Giovanni fará as honras da casa

Como é de seu feitio, Ricardo Teixeira nem atendeu aos telefonemas do presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira, e Robinho terá mesmo de viajar para Londres antes da partida de amanhã. Uma pena, mas é compreensível. A Seleção, hoje, é prioridade também para o craque santista, que deve uma grande atuação contra a Irlanda para consolidar-se como titular na Copa do Mundo.

O Clássico Alvinegro deverá ser muito difícil e não dá para dizer que o Santos é favorito. A mesma juventude que gera leveza e ofensividade, pode tornar o time instável e inseguro. Sem contar que a equipe ainda está se ajustando. Venceu o São Paulo, mas neste domingo o adversário deverá estar mais prevenido. Os garotos mal poderão respirar, marcados em cima pelo sistema sempre precavido do técnico corintiano, que irá a Santos com todos os seus titulares.

Ué, o Corinthians não deveria poupar seus craques para a Libertadores? Risos. Claro que Mano Menezes, um técnico consciente da fragilidade de sua profissão, não quer correr o risco de tomar uma goleada no Urbano Caldeira e ir para o mesmo caminho de Muricy Ramalho. Assim, o Corinthians que jogará amanhã, em Santos, é o mesmo que estreou na Libertadores, contra o Racing do Uruguai, com todas as suas estrelas.

No papel, somados os currículos de cada jogador, o Corinthians é favorito. Mas no conjunto o Santos tem sido melhor este ano. Sem contar que o clima na Vila Belmiro, mesmo que não esteja lotada, será mais favorável aos Meninos.

Dorival Junior deve colocar o time em campo com Felipe, Roberto Brum, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Wesley, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso; Neymar e André. Alguém terá de recuar para ajudar o Brum, pois ele tem tido dificuldades na marcação. Creio que será o ponto da defesa no qual o Corinthians forçará mais.

Mano Menezes volta a escalar Felipe, Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Elias e Tcheco; Jorge Henrique; Defederico e Ronaldo. Um time experiente, que para alguns corintianos é o favorito para se tornar campeão da Libertadores. Claro que, por isso mesmo, merece todo o respeito. Tem muitos veteranos, mas Elias, Jorge Henrique e Defederico também são tão jovens e ágeis quanto os santistas.

Temo entradas mais duras, desleais mesmo, de Ralf e Roberto Carlos nos jogadores santistas. Principalmente do segundo, que por ser um mau marcador, tenta intimidar o atacante adversário logo na primeira jogada.

A velocidade do meio-campo para a frente e o talento de Paulo Henrique e Neymar podem decidir o jogo para o Santos. Assim como as escapadas de Wesley e Arouca e a rapidez de Madson (que deve entrar no segundo tempo). Sem contar a genialidade de Giovanni, que deverá entrar nos egundo tempo. Mas o Corinthians também tem boas opções ofensivas com Jorge Henrique, as avançadas de Elias, os lançamentos de Tcheco e a presença sempre preocupante de Ronaldo.

Creio que, como a maioria dos jogos entre ambos, haverá gols, mas não descarto a possibilidade de um empate. O detalhe de quem fizer o primeiro gol poderá ser decisivo, pois o time em vantagem imediatamente passará a jogar no contra-ataque e, teoricamente, terá mais espaço para marcar outros.

Alguns detalhes do jogo que Pelé considera “o maior do mundo”

— Até hoje, segundo estudos de Celso Unzelte e meus, Santos e Corinthians jogaram 296 vezes, com 119 vitórias do Corinthians, 94 do Santos e 83 empates. O Corinthians marcou 545 gols e o Santos 463.

— Entretanto, apesar de no retrospecto geral o Corinthians levar boa vantagem, nos últimos 10 anos a vantagem é santista: Em 31 jogos, o Santos venceu 16, perdeu 10 e aconteceram cinco empates.

— Se voltarmos mais no tempo e analisarmos os últimos 20 anos, o Santos continua na frente, pois em 71 jogos o time da Vila Belmiro venceu 28, perdeu 25 e empatou 18.

— Outra curiosidade é que o primeiro tabu, deste clássico de tantas histórias, aconteceu logo no início dos confrontos: o Santos só perdeu o primeiro jogo oficial para o Corinthians no segundo turno do Paulista de 1919, seis anos depois de participar de seu primeiro Campeonato Paulista.

— As maiores goleadas do Santos neste confronto foram: 8 a 3 (04/09/1927), 7 a 1 (08/05/1932) e 7 a 4 (06/12/1964).

— O Corinthians considera a maior goleada sobre o Santos um 11 a 0, ocorrido em 11 de julho de 1920, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista. Mas a partida, completamente irregular, teve três pênaltis contra o Santos, expulsões de cinco santistas e, em protesto, gols-contra marcados pelos jogadores do Alvinegro Praiano. O saudoso historiador santista De Vaney considera apenas a vitória corintiana, mas não a goleada. Eu concordo com ele.

— Assim, as maiores goleadas corintianas são 7 a 0 (01/06/1941) e 7 a 1 (06/11/2005) – esta última ainda entalada na garganta de todo santista.

— O Corinthians ganhou dois títulos paulistas em finais contra o Santos: em 04/01/1931, na Vila Belmiro, quando venceu por 5 a 2, e no ano passado, quando venceu na Vila (3 a 1) e empatou no Pacaembu (1 a 1). Mas o Santos comemorou mais títulos em cima do rival.

— Em 17/11/1935 o Santos comemorou seu primeiro título estadual em pleno Parque São Jorge, ao vencer por 2 a 0. Em 02/12/1984, no Morumbi, Serginho marcou para acabar com o sonho corintiano de chegar ao tricampeonato paulista, e em 15/12/2002 Robinho deu pedaladas, fez gols, deu passes e até fez chover na vitória, de virada, que garantiu ao Santos o seu sétimo título brasileiro, também no Morumbi.

— Por incrível que pareça, o jogo que me deu mais prazer contra o Corinthians não foi uma goleada, mas um 0 a 0. Era a última rodada do Rio-São Paulo de 1966, e os dois times se enfrentaram em 27/03/1966, um domingo à tarde, no Pacaembu. Há 13 anos o Corinthians não ganhava do Santos, mas poderia ser campeão do torneio se vencesse aquela partida.

O Santos, que jogou sem Pelé, estava sendo remodelado. No Corinthians as estrelas eram Garrincha e Rivelino. Por volta de 30 minutos do primeiro tempo, Zito cometeu pênalti em Garrincha. Mengálvio e Coutinho foram expulsos por reclamação e tudo parecia perdido para os santistas mesmo antes da cobrança da penalidade.

Mas Laércio defendeu o pênalti e o técnico Lula, que fez entrar Lima no lugar de Dorval e Joel no de Edu, conseguiu armar um esquema que segurou o Corinthians até o fim. O empate garantiu quatro equipes empatadas na primeira posição e, por falta de datas, Santos, Corinthians, Vasco e Botafogo foram proclamados campeões daquele Rio-São Paulo.

Entre no post abaixo para apostar no Bolão do Odir e concorrer a um exemplar do livro O Grande Jogo

A expectativa para o maior clássico alvinegro do futebol aumentou? Então, deixe seu palpite para o jogo da Vila Belmiro e se habilite a ganhar um exemplar de “O Grande Jogo”, livro escrito pelo Celso Unzelte e por mim que conta a história deste que é o clássico mais antigo de São Paulo.


Está valendo! Dê seu palpite para Santos e Corinthians e concorra a um exemplar do livro O Grande Jogo

O livro “O Grande Jogo”, que fiz com o amigo e maior historiador do Corinthians, Celso Unzelte, é o prêmio ao ganhador do Bolão para o jogo de amanhã, na Vila Belmiro.

O livro traz a história desde que é o primeiro clássico paulista – jogado pela primeira vez em 26 de junho de 1913 (com vitória do Santos por 6 a 3) – e também a maior rivalidade alvinegra do mundo.

Quem vencerá amanhã? A partida ficará no empate? Quanto será? Quanto terminará o primeiro tempo? Quem marcará os gols do Santos?

Use o espaço dos comentários para me enviar seu palpite. Se você ainda não estiver cadastrado, gaste menos de um minuto para fazer seu cadastro no meu blog. Isso lhe permitirá enviar comentários e participar, gratuitamente, de todas as promoções e concursos que o Blog do Odir Cunha fizer.

Regras do Bolão

Ganha o livro quem acertar o resultado. Mas, para o caso de desempate, coloque também quanto você acha que terminará o primeiro tempo e, se acredita que o Santos fará gols, quais serão os autores dos gols santistas.

Logo mais posto um artigo com mais informações sobre o clássico mais emocionante do futebol.

Boa sorte!

Odir Cunha

Celso Unzelte e eu no Museu do Futebol


Parabéns para você, Dorval!

Muitos gols de Pelé começaram com ele

Hoje o melhor ponta-direita da história do Santos está comemorando seu 75º aniversário. Gaúcho de Porto Alegre, onde começou no Força e Luz, Dorval Rodrigues veio para o Santos no final dos anos 50 e formou no ataque lendário que começava por ele e prosseguia com Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Mesmo com tantos artilheiros no time, Dorval fez 198 gols com a camisa do Santos, média de um a cada três partidas. Sua facilidade, tanto para chegar à linha de fundo, como para cortar para dentro e bater para o gol, tornavam-no uma ótima opção ofensiva. Mas, quando tinha de ajudar a defesa, também se saía muito bem.

Poucos se dão conta, mas foi Dorval um dos maiores responsáveis pelas goleadas de 5 a 0 e 4 a 0 que o Santos obteve contra o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos na final da Taça Brasil de 1962 e na semifinal da Libertadores de 1963, ambas no Maracanã. Sua velocidade destruiu a lenta habilidade de Nilton Santos e construiu essas duas memoráveis vitórias sobre o alvinegro carioca.

Dorval também foi muito importante nos jogos contra o Milan – quando o Santos obteve o bicampeonato mundial sem Pelé, Calvet e Zito – e na lendária partida contra a Seleção da Tchecoslováquia, que o Santos venceu por 6 a 4 pelo Hexagonal do Chile de 1965. No dia seguinte um jornal de Santiago saiu com a seguinte manchete: “Em nenhum lugar do mundo se viu um futebol assim”. E Dorval, autor de um gol, foi um dos responsáveis pelo nível superior daquele futebol.

Conheço bem Dorval e não há quem não tenha carinho por ele, que hoje usa o ensino do futebol para afastar adolescentes carentes de caminhos que não levam a nada. No inverno de 2005 fui com ele e sua mulher, Cristina, para a distante Pato Branco, no Paraná, onde o santista exemplar Adriano Riesemberg organizou um fim de semana inesquecível para que eu lançasse lá o livro Time dos Sonhos e Dorval pudesse viver novamente dias de celebridade.

Na sua simplicidade, Dorval conquista a todos e é muito bom estar com ele. É impossível não ser, emocionalmente, grato a ele, por tudo que foi como jogador e por tudo que é como ser humano.

Quer enviar uma mensagem a Dorval? Use o espaço dos comentários para isso. Prometo que entregarei todas a ele.


A diretoria do Santos agiu bem em marcar o clássico para a Vila e aumentar o preço dos ingressos? Analisemos…

A Vila não será pequena para O Grande Jogo?

Discute-se ainda a decisão da diretoria do Santos, presidida por Luis Álvaro de Oliveira, de marcar o clássico com o Corinthians para a Vila Belmiro e, para compensar a capacidade reduzida do estádio, quadruplicar o preço dos ingressos.

No meio da semana, de tanto ser inquirido sobre a questão, Luís Álvaro declarou que “não dá para assistir a um espetáculo do Cirque de Soleil pagando preço de circo de periferia”. Que tal analisarmos com carinho, e sem paixões, o que esta frase representa…

Em primeiro lugar, o Cirque du Soleil, assim como um renomado espetáculo de teatro, dança ou música, segue um alto padrão constante. As exibições, sempre, são espetaculares. O consumidor sabe o que vai encontrar, e encontra.

Você nunca irá a uma grande ópera em que os principais atores são poupados no segundo ato, ou, no caso de uma peça teatral, esquecem as falas. O rendimento de todos é uniforme, assim como a beleza dos cenários, figurinos e a harmonia do enredo.

O futebol, por sua vez, vive sob o signo da imponderabilidade. Mesmo o grande Santos de Pelé & Cia às vezes frustrava seus espectadores. O cansaço, a violência dos adversários, a parcialidade do árbitro ou mesmo a má jornada dos craques santistas podiam fazer de um domingo de festa um dia de decepções e aborrecimento.

No meio desta semana o Corinthians cobrou arquibancadas a 120 reais, em sua estréia na Libertadores. A renda chegou a dois milhões de reais, apesar de sobrarem mais de 5.000 lugares no Pacaembu. Para os financistas foi ótimo, mas quem foi ao jogo temeu pela revolta da torcida quando o Racing do Uruguai abriu o marcador. Um fracasso naquele jogo teria despertado grande revolta nos corintianos, que já assistiam à partida incomodados com o preço abusivo que pagaram pelo ingresso.

Este Santos que jogará domingo é um time com alguns jogadores bem talentosos, mas ainda é uma equipe instável, que paga o preço da juventude. Não há garantia de que seu rendimento será elevado e constante, como se pode esperar dos artistas do Cirque du Soleil.

Pagar mais pelo mesmo sofrimento?

No Brasil, ir a um estádio de futebol é estar disposto a sofrer. Quem vai, sabe. Você é assaltado desde o momento que estaciona seu carro, até o instante em que resolve matar a sede. Primeiro, o flanelinha só falta enfiar a mão no seu bolso para tirar os 15 reais que ele decidiu ser o valor justo para “tomar conta do seu carro”. Em seguida, os cambistas exigem o absurdo por ingressos que ainda deveriam estar nas bilheterias e já não estão. Por fim, os vendedores do estádio cobram 4,00 por um copo de refrigerante e ainda “ficam devendo” o seu troco.

Nem falemos de banheiros e acomodações. Há estádios, como a Vila Belmiro, com pontos cegos, em que você precisa torcer para que alguma grande jogada aconteça no seu raio de visão, ou o sujeito que ficou em casa diante da tevê, terá mais histórias interessantes para contar.

Infelizmente, apesar de todos os direitos do consumidor apregoados de uns tempos para cá, nossos estádios têm estruturas de no mínimo meio século de existência. Para que os clubes possam exigir mais do consumidor, precisarão também oferecer mais.

Todos sabem que nos grandes estádios europeus o cidadão estaciona seu carro rapidamente, passa no shopping, almoça e pode tomar o elevador a cinco minutos para o início da partida que seu lugar estará lá, intocável e com visão cinematográfica do campo. Aqui, convenhamos, a realidade é bem diferente. Por isso, é óbvio que não se pode aumentar o preço dos ingressos.

Mas a nova diretoria decidiu que sim, que se pode e se deve cobrar mais caro pelo jogo de domingo. Desta forma, a arquibancada, o lugar mais comum e mais barato da Vila Belmiro, passou a R$ 80 (meia por R$ 40), quatro vezes mais do que os usuais R$ 20. As cadeiras de fundo e o Setor Visa, R$ 160 (meia por R$ 80). Já as cadeiras laterais, R$ 200 (meia por R$ 100). Os ingressos para o torcedor-família não estarão disponíveis para esta partida.

Marketing x Bom Senso

Há indícios de que a decisão de se jogar este clássico – que é o mais importante na história do Santos – na Vila Belmiro, segue a estratégia de forçar o torcedor a associar-se ao clube. Haverá tantas mais facilidades de se assistir a um jogo desses sendo sócio, que o quadro social deverá aumentar rapidamente. Ao menos é o que esperam os mentores do plano. Bem, parece um motivo frio e mercadológico, mas, admito, às vezes os administradores precisam mesmo deixar a paixão de lado.

No entanto, se o Santos tem à sua disposição o Pacaembu, um estádio maior, que comporta o dobro de pessoas, onde ese poderia cobrar menos pelos ingressos e mesmo assim o faturamento seria maior do que na Vila. Por que não se pensou nisso? Apenas por causa das promessas de campanha? Ora, a prioridade, hoje, é tirar o time do buraco financeiro. Os banqueiros que fazem parte do conselho diretivo do Santos estão carecas de saber disso.

É um contra-senso cumprir uma promessa ao torcedor sacrificando este mesmo torcedor. Será que, se consultado, o santista preferiria pagar quatro vezes mais para que o jogo fosse na Vila? Obviamente, não. Então, o cumprimento dessa promessa está mais ligada a um romantismo retrógrado do que à praticidade que o momento exige.

O resultado do jogo trará a resposta

Por mais ângulos que analisemos a questão, entretanto, admito que as respostas só virão no domingo à noite, após o jogo. Sim, no futebol as teorias econômicas, os planos de marketing e as estratégias de comunicação, por mais ousadas e mirabolantes que sejam, dependem mais do goleiro e do centroavante do que de um professor-doutor em qualquer coisa. Se a bola entra e o time ganha, está tudo bem, do contrário, estabelece-se a insídia e a revolta.

Sempre foi assim e é importante que os homens que hoje dirigem o Santos tenham plena consciência disso. Foi o Deus Resultado que os colocou no poder e é este mesmo senhor todo-poderoso que pode manter uma gestão indefinidamente, ou guilhotiná-la num piscar de olhos.

Foram os resultados do time, apenas eles, que decidiram as últimas eleições do Santos. A maioria dos associados que votaram em Luís Álvaro de Oliveira não o conheciam, assim como conheciam poucos da chapa oposicionista. Mas já conheciam muito bem Marcelo Teixeira e não estavam mais satisfeitos com sua administração.

Porém, apesar de todos os problemas que cercavam a gestão anterior -como a caótica administração financeira, suspeitas de desvios de arrecadações e de corrupção no departamento de futebol profissional e nas divisões de base – foram os fracassos do time que derrubaram o presidente que há uma década se mantinha no poder.

Dois anos seguidos de futebol apático e medíocre, apesar do alto salário dos jogadores, foram suficientes para fazer o orgulhoso torcedor santista decidir que aquele rumo não era mais o certo. Assim, o mesmo torcedor que até ali tinha dado vitórias esmagadoras a Teixeira, o presidente mais vitorioso do clube após Athiè Jorge Cury, foi às urnas para votar contra ele, qualquer que fosse o candidato da oposição.

Apesar de todo o currículo, o caráter e a simpatia de Luis Álvaro, que ele não se iluda: ele está na liderança do Santos graças ao chamado “voto de protesto”. Fosse o time campeão de alguma coisa em 2009 e o poder certamente não teria mudado de mãos.

Portanto, Luís Álvaro de Oliveira e senhores gestores do mais alto calibre, prestem atenção: o sócio do Santos merece, mais do que nunca, ser ouvido. Ele, só ele, resolveu mudar os destinos do clube. Por isso é preciso lhe dar satisfações de todos os atos desta nova diretoria, principalmente quando estes atos mexem com o sagrado bolso do torcedor santista.

Bem, esta é a minha opinião, mas neste blog ela é apenas um referencial. Quero ouvir a sua. No espaço dos comentários você tem o espaço que quiser para defender seu ponto de vista – e aproveito para convidar a todos para lerem os comentários deste blog, os mais coerentes e bem escritos que eu já li em um blog de futebol.


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