Depois de aprovadas pelas áreas diretamente ligadas ao evento, o programa inicial do Centenário do Santos, que se baseou nas sugestões dos torcedores, foi levado a uma reunião com o presidente Marcelo Teixeira e a alta direção do clube, para sua consolidação. Nesta reunião foram estabelecidas prioridades e já se deu o pontapé inicial nos trabalhos.

Por consenso decidiu-se que a pintura do muro do muro do CT do Santos, pelo artista plástico Paulo Consentino, deveria ser a primeira obra do Centenário. Importante para difundir a história do clube – já que a pintura retrataria os 100 melhores jogadores santistas, década a década –, a obra também seria relevante para a cidade, pois entraria para o Guinness como o maior mural ao ar livre do mundo. 

Pintura do Muro do CT do Santos

Depois que as providências jurídicas foram tomadas e o artista conseguiu a carta de apoio do Santos, assinada pelo presidente, iniciou os contatos com empresas que patrocinariam o trabalho baseadas em leis de incentivo fiscal. Ou seja: o muro seria pintado, se transformaria em uma obra de arte a céu aberto, e o clube não teria qualquer despesa.

Filho de Italo Consentino, conhecido médico que serviu ao Santos nos anos de ouro do clube, Paulo é um artista plenamente engajado na vida cultural e social da cidade. Ao planejar sua obra, inseriu nela um trabalho social com jovens de comunidades carentes. Seu objetivo é aproveitar a pintura do muro para formar artistas que prossigam o seu trabalho.  

A pintura – que se tornará, repito, o maior mural do mundo, com 3.000 metros de extensão – ficará pronta em cinco ou seis meses, mas já poderia e pode ser iniciada, simbolizando a largada para as festividades de 100 anos do clube. Outra obra urgente – talvez mais urgente ainda – é a ópera que o compositor erudito Gilberto Mendes quer encenar com tenores e a participação da torcida, em dia de jogo na Vila Belmiro.

Gilberto Mendes, um gênio músical santista

Ópera de Gilberto Mendes em um jogo na Vila Belmiro

Para quem não sabe, Gilberto Mendes é um dos maiores, senão o maior compositor erudito do Brasil. É reconhecido mundialmente pela obra “Santos Football Music”, que compôs em homenagem ao nosso time. Nascido em 1922 e morador de Santos, ele não quer morrer sem ver o seu sonho realizado: misturar ópera e futebol em um espetáculo ao vivo. É fácil imaginar a repercussão que isto terá na mídia mundial.

Os contatos com o assessor de Gilberto Mendes já estavam caminhando. A ária teria três tenores e a participação da Torcida Jovem. Fechados os detalhes, iniciaríamos os ensaios, na quadra da torcida organizada. Para este evento, que também não dependeria de um tostão do clube, seriam buscados patrocinadores.

Concurso para a escolha do Logo e do Slogan

Moto do Santos, prêmio para o autor do Logo do Centenário

Na verdade, a iniciativa de maior urgência do Centenário do Santos é lançar o Concurso Nacional para a escolha do logo e do slogan. Por isso, enquanto eu pesquisei e elaborei o regulamento do concurso – a ser aprovado pela diretoria – o gerente de marketing Alex Fernandes conseguiu a doação de uma moto zero, personalizada com as cores e o símbolo do clube, que seria um dos prêmios dos concursos.   

Filmes da Fox

Outra ação que deve ser retomada imediatamente, pois as reuniões já foram feitas e os contratos acertados, e a Fox está comprometida em produzir três filmes sobre o Santos, que culminarão com o do Centenário, em 2012 (um por ano). Distribuidora internacional de filmes, a Fox pode ser muito importante no eterno projeto de internacionalização do Santos.

Festivais de Música e Curta-Metragem

Mesmo com suas finais em 2012, é necessário que desde já se inicie os contatos e a divulgação dos festivais de música e de curta-metragem que terão como tema o Santos, sua história e sua gente. Além de tudo, por serem iniciativas inéditas, é necessário avisar com antecedência os potenciais participantes, para que tenham tempo e reúnam recursos de preparar suas obras.

Campanha de Doações ao Acervo Histórico

Outro evento que deve ser iniciado já. O objetivo da campanha é o de que todos que tenham documentos ou objetos importantes ligados à história do Santos, doem ao clube. Camisas antigas, fotos, recortes, troféus que estão desaparecidos… Com este material poderemos organizar exposições itinerantes sobre a história do clube. Alguns locais de exposição: Museu do Futebol, no Pacaembu; unidades variadas do Sesc; estação Imigrantes-Santos do metrô e outros locais em cidades com grande contingente de santistas.

Campanha dos 100 mil sócios

Obviamente não se consegue 100 mil sócios em pouco tempo. Por isso, se a meta é alcançar este número em 2012, o trabalho deve ser iniciado imediatamente. Para isso, antes de mais nada me reuni com Melissa Maffei, coordenadora da secretaria social do clube e responsável pela captação de sócios. A meu pedido ela elaborou uma proposta para a ampliação do quadro social com os seguintes itens:

“Sócio Colaborador – Criar a modalidade de sócio à distância com contribuição semestral (R$ 30,00) ou anual (R$ 60,00), com desconto em jogos, sem direito a brindes e sem direito a voto. Recebe carteirinha e um diploma de sócio. Só para moradores de outros estados.

Clube de Benefícios – Firmar parceria com empresa que traga uma rede de vantagens ao sócio, descontos em médicos, hospitais, restaurantes, lanchonetes, cinemas, hotéis, bares… O sócio que optar terá um pequeno acréscimo na mensalidade e receberá carteirinha diferenciada.

Stand – Instalar postos volantes de comercialização em Shoppings da Capital (Eldorado, Ibirapuera, Iguatemi, Morumbi), aeroportos, parques (Play Center, Hopi Hari e Wet’n Wild) e centros de exposição.

Promoções – Criar promoções em datas especiais: Natal, Dia dos Namorado, Dia dos Pais e Dia das Crianças, divulgando em órgãos de imprensa rádio, jornal e TV.

Van premiada – Fazer durante o verão e férias de julho blits e sumpling nas praias e bares do litoral com o intuito de cadastrar torcedores, distribuir brindes, camisetas e ingressos.”

Há outros eventos cujas providências  podem e devem ser iniciadas agora  – como livros, peça de teatro, Cruzeiro Santista – mas se estes citados acima forem providenciados, o Santos já estará trilhando um caminho seguro rumo ao seu Centenário. Por outro lado, começando suas festividades neste ano de 2010, ele também pegará carona no amplo noticiário que se dará ao Centenário de seu maior rival.

A inútil espera por uma reunião

Esta série de três posts iniciais sobre o Centenário do Santos tem dois objetivos: o primeiro é o de prestar contas, de informar ao torcedor santista do que já foi feito pensando no grande evento. É importante que ele saiba que o Centenário já tem sido uma preocupação do Santos dois anos. Antes de mim José Carlos Peres coordenou essa área  e desta fase inicial tenho um belo projeto da agência King, de Santos, na qual trabalha o publicitário fanático santista Mauro McFly (trabalho inicial de custo zero para o clube).

O segundo objetivo dessas matérias é esclarecer de vez que, mesmo tendo sido o coordenador do Centenário para a gestão anterior, ainda não fui contatado oficialmente pela nova diretoria. Parece que já ter trabalhado pelo Santos na gestão de Marcelo Teixeira é um obstáculo para pessoas da nova diretoria me aceitarem (tudo bem, nunca pedi cargos no Santos, mas que os planos do Centenário, definidos com tanto critério, não sejam descartados antes de  serem conhecidos).

Na última vez que estive em Santos, para falar de um livro que pretendo fazer com Celso Unzelte para o Centenário do clube, soube, de passagem, pelo novo gerente de marketing, Armênio Neto, que “há uma comissão tratando do Centenário”.

Bem, não sei se sou mal acostumado e espero sempre gestos nobres das pessoas, principalmente de santistas, mas acho que como ex-coordenador do centenário do Santos, ao menos deveria ser notificado disso de uma maneira menos informal.

Ótimo que haja uma comissão tratando do Centenário do Santos, mas acho que tenho o direito ao menos de perguntar: Quem é ela? O que já decidiu? Consultou algum santista antes de resolver o que é bom para o Centenário do clube? Por que não quis nem saber o que já foi discutido e decidido? Será só porque fazíamos parte de uma outra diretoria, rival da que assumiu o clube?

Preocupações finais

Por fim, só espero que esta data tão importante para o Santos não seja negligenciada, nem que a responsabilidade por ela seja dada de mãos beijadas a pessoas que não vivem o dia a dia do clube, as aflições diárias e os anseios dos santistas. Mais do que em qualquer outra atividade, no futebol a voz do povo é a voz de Deus.

Pelas propostas da chama vencedora, cujo nome é “O Santos pode mais”, vi que Celso Loducca foi citado como aquele que coordenaria o Centenário do Santos. Como o conheço e o admiro, falei recentemente com ele sobre isso e ele respondeu que não terá qualquer tempo de cuidar disso. Outro nome que tenho ouvido é o de João Dória, que também conheço e admiro. Entrevistei-o recentemente para o livro “Ser Santista”. Estou certo de que, executivo bem sucedido que é, ele não teria qualquer problema, e até ficaria feliz de saber o que já foi pensado e feito pelo Centenário do Santos. Afinal de contas, isso encurtaria os eu trabalho, lhe proporcionaria atalhos que resultariam em economia de tempo e dinheiro.

Mesmo descontando-se o entusiasmo inicial pelo poder, o que é normal em novas adminsitrações, é inadmissível que dois meses e nove dias depois da eleição de Luis Álvaro a nova diretoria ainda não tenha se interessado pelo Centenário. Como eu disse antes das eleições, não importava que chapa venceria. O importante é não se esquecer de que o Santos dependeria e depende, sempre, de boas idéias e muito trabalho. As boas idéias já existem. Vamos arregaçar as mangas?