Robinho não estará, mas Giovanni fará as honras da casa

Como é de seu feitio, Ricardo Teixeira nem atendeu aos telefonemas do presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira, e Robinho terá mesmo de viajar para Londres antes da partida de amanhã. Uma pena, mas é compreensível. A Seleção, hoje, é prioridade também para o craque santista, que deve uma grande atuação contra a Irlanda para consolidar-se como titular na Copa do Mundo.

O Clássico Alvinegro deverá ser muito difícil e não dá para dizer que o Santos é favorito. A mesma juventude que gera leveza e ofensividade, pode tornar o time instável e inseguro. Sem contar que a equipe ainda está se ajustando. Venceu o São Paulo, mas neste domingo o adversário deverá estar mais prevenido. Os garotos mal poderão respirar, marcados em cima pelo sistema sempre precavido do técnico corintiano, que irá a Santos com todos os seus titulares.

Ué, o Corinthians não deveria poupar seus craques para a Libertadores? Risos. Claro que Mano Menezes, um técnico consciente da fragilidade de sua profissão, não quer correr o risco de tomar uma goleada no Urbano Caldeira e ir para o mesmo caminho de Muricy Ramalho. Assim, o Corinthians que jogará amanhã, em Santos, é o mesmo que estreou na Libertadores, contra o Racing do Uruguai, com todas as suas estrelas.

No papel, somados os currículos de cada jogador, o Corinthians é favorito. Mas no conjunto o Santos tem sido melhor este ano. Sem contar que o clima na Vila Belmiro, mesmo que não esteja lotada, será mais favorável aos Meninos.

Dorival Junior deve colocar o time em campo com Felipe, Roberto Brum, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Wesley, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso; Neymar e André. Alguém terá de recuar para ajudar o Brum, pois ele tem tido dificuldades na marcação. Creio que será o ponto da defesa no qual o Corinthians forçará mais.

Mano Menezes volta a escalar Felipe, Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Elias e Tcheco; Jorge Henrique; Defederico e Ronaldo. Um time experiente, que para alguns corintianos é o favorito para se tornar campeão da Libertadores. Claro que, por isso mesmo, merece todo o respeito. Tem muitos veteranos, mas Elias, Jorge Henrique e Defederico também são tão jovens e ágeis quanto os santistas.

Temo entradas mais duras, desleais mesmo, de Ralf e Roberto Carlos nos jogadores santistas. Principalmente do segundo, que por ser um mau marcador, tenta intimidar o atacante adversário logo na primeira jogada.

A velocidade do meio-campo para a frente e o talento de Paulo Henrique e Neymar podem decidir o jogo para o Santos. Assim como as escapadas de Wesley e Arouca e a rapidez de Madson (que deve entrar no segundo tempo). Sem contar a genialidade de Giovanni, que deverá entrar nos egundo tempo. Mas o Corinthians também tem boas opções ofensivas com Jorge Henrique, as avançadas de Elias, os lançamentos de Tcheco e a presença sempre preocupante de Ronaldo.

Creio que, como a maioria dos jogos entre ambos, haverá gols, mas não descarto a possibilidade de um empate. O detalhe de quem fizer o primeiro gol poderá ser decisivo, pois o time em vantagem imediatamente passará a jogar no contra-ataque e, teoricamente, terá mais espaço para marcar outros.

Alguns detalhes do jogo que Pelé considera “o maior do mundo”

— Até hoje, segundo estudos de Celso Unzelte e meus, Santos e Corinthians jogaram 296 vezes, com 119 vitórias do Corinthians, 94 do Santos e 83 empates. O Corinthians marcou 545 gols e o Santos 463.

— Entretanto, apesar de no retrospecto geral o Corinthians levar boa vantagem, nos últimos 10 anos a vantagem é santista: Em 31 jogos, o Santos venceu 16, perdeu 10 e aconteceram cinco empates.

— Se voltarmos mais no tempo e analisarmos os últimos 20 anos, o Santos continua na frente, pois em 71 jogos o time da Vila Belmiro venceu 28, perdeu 25 e empatou 18.

— Outra curiosidade é que o primeiro tabu, deste clássico de tantas histórias, aconteceu logo no início dos confrontos: o Santos só perdeu o primeiro jogo oficial para o Corinthians no segundo turno do Paulista de 1919, seis anos depois de participar de seu primeiro Campeonato Paulista.

— As maiores goleadas do Santos neste confronto foram: 8 a 3 (04/09/1927), 7 a 1 (08/05/1932) e 7 a 4 (06/12/1964).

— O Corinthians considera a maior goleada sobre o Santos um 11 a 0, ocorrido em 11 de julho de 1920, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista. Mas a partida, completamente irregular, teve três pênaltis contra o Santos, expulsões de cinco santistas e, em protesto, gols-contra marcados pelos jogadores do Alvinegro Praiano. O saudoso historiador santista De Vaney considera apenas a vitória corintiana, mas não a goleada. Eu concordo com ele.

— Assim, as maiores goleadas corintianas são 7 a 0 (01/06/1941) e 7 a 1 (06/11/2005) – esta última ainda entalada na garganta de todo santista.

— O Corinthians ganhou dois títulos paulistas em finais contra o Santos: em 04/01/1931, na Vila Belmiro, quando venceu por 5 a 2, e no ano passado, quando venceu na Vila (3 a 1) e empatou no Pacaembu (1 a 1). Mas o Santos comemorou mais títulos em cima do rival.

— Em 17/11/1935 o Santos comemorou seu primeiro título estadual em pleno Parque São Jorge, ao vencer por 2 a 0. Em 02/12/1984, no Morumbi, Serginho marcou para acabar com o sonho corintiano de chegar ao tricampeonato paulista, e em 15/12/2002 Robinho deu pedaladas, fez gols, deu passes e até fez chover na vitória, de virada, que garantiu ao Santos o seu sétimo título brasileiro, também no Morumbi.

— Por incrível que pareça, o jogo que me deu mais prazer contra o Corinthians não foi uma goleada, mas um 0 a 0. Era a última rodada do Rio-São Paulo de 1966, e os dois times se enfrentaram em 27/03/1966, um domingo à tarde, no Pacaembu. Há 13 anos o Corinthians não ganhava do Santos, mas poderia ser campeão do torneio se vencesse aquela partida.

O Santos, que jogou sem Pelé, estava sendo remodelado. No Corinthians as estrelas eram Garrincha e Rivelino. Por volta de 30 minutos do primeiro tempo, Zito cometeu pênalti em Garrincha. Mengálvio e Coutinho foram expulsos por reclamação e tudo parecia perdido para os santistas mesmo antes da cobrança da penalidade.

Mas Laércio defendeu o pênalti e o técnico Lula, que fez entrar Lima no lugar de Dorval e Joel no de Edu, conseguiu armar um esquema que segurou o Corinthians até o fim. O empate garantiu quatro equipes empatadas na primeira posição e, por falta de datas, Santos, Corinthians, Vasco e Botafogo foram proclamados campeões daquele Rio-São Paulo.

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