Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: abril 2010 (page 1 of 9)

Os limites, ou a omelete, de cada um

Responda-me, professor: Como se faz uma omelete sem ovos?

De uns tempos para cá os salários dos técnicos de futebol no Brasil foram às alturas. Os dirigentes devem ter pensado: se um bom técnico pode arrumar um time de jogadores medíocres, então contrato só um bom técnico e não preciso gastar uma fortuna com jogadores. Na teoria é uma grande idéia, mas na prática a fórmula dá certo raras vezes. Os times geralmente têm os seus limites e não há técnico que dê jeito nisso.

Veja o Palmeiras. Ganhou do Atlético de Goiás, no Parque Antártica, com um gol de pênalti no último instante do jogo, e saiu vaiado. Agora veja o Fluminense: recebeu o Grêmio no Maracanã, perdeu de 3 a 2 e deixou o estreante técnico Muricy furioso. Agora veja também o Corinthians, que na quarta-feira, com um jogador a mais, não só perdeu de 1 a 0 para o Flamengo, como mal incomodou a meta adversária.

Dirão que Muricy e até mesmo Antonio Carlos Zago ainda não tiveram tempo de arrumar suas equipes, de montá-las do seu jeito. Isso pode valer para Muricy, mas Antonio Carlos já deveria estar tirando algum leite dessa pedra verde. Mas e Mano Menezes, até pouco tempo considerado um grande treinador e a cada dia que passa consolidando-se como um indefectível retranqueiro?

Na verdade, o grande mérito do técnico é perceber o potencial de cada jogador, descobrir como ele pode ser usado em benefício do time e a partir daí criar um conjunto harmonioso e eficiente. Tudo, porém, começa com o talento individual. Nenhum grande time é um deserto de craques.

O Palmeiras tem algum craque? Não! Diego Souza e Cleiton Xavier são bons jogadores, mas não resolvem o jogo, não criam nada de excepcional com a regularidade que se espera de um craque.

O Fluminense tem algum craque? Não! Fred faz gols (e também perde alguns absurdos), é um atacante acima da média, mas também não é craque. E, pior, está fora do time, adoentado. Sem ele, o Flu é um Saara.

E o Corinthians, tem craque? Olha, tem jogadores de muita personalidade, que podem até decidir um jogo mediano, mas que não tem essa força toda nos grandes eventos. E o grande evento era o jogo do Maracanã. Perder de 1 a 0 de um Flamengo que acaba de perder o título carioca para o limitado Botafogo, e que jogou toda a segunda etapa com um jogador a menos, prova que falta jogador decisivo nesse Corinthians (mas o Corinthians, confesso, talvez seja um caso à parte. O problema pode não ser a falta de ovos, mas de um cozinheiro melhor).  

Assim, meu amigo, Muricy pode ter ataques histéricos, o Mano Menezes e o Zago podem descobrir desculpas longas e criativas, mas nada vai apagar o que o torcedor, na sua sabedoria infinita, grita da arquibancada logo que percebe a coisa feia: “ô, ô, ô, queremos jogador!”.  

Dos três exemplos, o único que tem um elenco mais conhecido é o Corinthians. Porém, fama não quer dizer eficiência. A obrigatoriedade de escalar os contratados tem impedido Mano Menezes de fazer o óbvio: deixar Iarley, Danilo e Ronaldo no banco e escalar Jorge Henrique, Dentinho e Souza como titulares (sim, no momento, Souza, apesar de grosso, é mais útil que Ronaldo).

Sortes diferentes têm Dorival Junior e Vanderley Luxemburgo, que se não podem contar com defesas sólidas, ao menos do meio para a frente têm à disposição jogadores rápidos, insinuantes e talentosos. Não é à toa que Atlético Mineiro e Santos fizeram o melhor jogo da semana e, provavelmente, do ano.

Luxemburgo e Dorival têm ovos para fazer a seu omelete, que pode não ser completa, mas é bem saborosa. A vantagem do Santos, entretanto, é que seu tempero especial ficou para a segunda partida, quando o Príncipe Neymar estará em campo e, desta vez, o time mineiro não terá a seu favor a omissão do insípido Heber Roberto Lopes.


Tudo que aconteceu no Mineirão já estava previsto. Mas na Vila, e com Neymar, a história será outra

No jogo de volta, olha aí a dupla o que o Galo terá de aguentar...

Leu meu post de ontem? Está aí embaixo, confira. Não adivinhei nada. Times têm DNA e o futebol é cíclico. Vanderlei Luxemburgo não é tão diferente de Yustrich, técnico do Atlético nos anos 70, quando o time jogava abafando em casa, marcando gols logo no início do jogo e depois se segurando como podia. O Atlético de hoje é um pouco mais técnico, mas jogou à lá Yustrich.

Só para refrescar a memória, relembre o que escrevi ontem:

O Atlético pode vencer, hoje, no Mineirão? Ora, claro que sim. É um dos grandes do Brasil, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e terá de imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

… Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

… Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Pois é. O Atlético marcou logo aos 2 minutos, em uma cochilada da defesa, principalmente de Edu Dracena e do goleiro Felipe. O segundo gol foi aos 37 minutos, quando o primeiro tempo se aproximava do fim, e o terceiro aos sete do segundo, quando o Santos esquentava para partir em busca do empate.

Como também se previa, o caseiro árbitro Heber Roberto Lopes (Fifa-PR) prejudicou o Santos. No segundo gol Diego Tardelli estava em cmpleto impedimento, á frente da linha da bola. Vi de casa logo no primeiro lance, sem precisar de tira-teima nenhum. A mesma arbitragem que não viu esse impedimento, viu um de Robinho, no começo do jogo, em que o jogador do Santos estava dois metros atrás do último jogador atleticano. Na sequência, Robinho sofreu pênalti de Aranha, mas a partida já estava providencialmente paralisada.

Hebert também deixou o jogo correr. Jogadores eram agredidos depois de darem o passe e tudo ficava por isso mesmo. André levou um golpe de arte marcial do adversário e, mesmo depois de caído, continuou agarrado, puxado, em jogada que nem foi punida com o amarelo. Ridículo.

Empate seria mais justo

O Atlético fez sua melhor partida no ano. Muriqui foi o melhor em campo enquanto correu como um louco, Tardelli mostrou técnica e oportunismo, Junior foi um ótimo articulador, Ricardinho sabe o que faz com a bola e Aranha estava nos seus dias de ótimo goleiro. Porém, dizer que a vitória atleticana foi justa é analisar depois do resultado.

Além das falhas cruciais de arbitragem, o Santos atacou mais do que foi atacado e criou chances que, se aproveitadas, poderiam lhe dar a vitória. O jogo de conjunto do Santos é melhor, o time não rifa a bola, como o Atlético fez várias vezes. Paulo Henrique Ganso foi um maestro, pairou acima dos outros no meio-campo e foi o autor intelectual do segundo gol santista, que deve ter sido decisivo neste confronto.

Mesmo sem Neymar, o Santos continuou criando boas oportunidades. Além dos gols, Pará acertou o travessão, Robinho deu um cabeçada à queima- roupa e André, Zé Eduardo e Arouca tiveram oportunidades de chutar de frente para o gol. Uma bola dessas que entrasse tornaria o resultado um 3 a 3 muito difícil de ser revertido pelo time mineiro na partida de volta.

No meio do segundo tempo, quando o Atlético vencia por 3 a 1, a tevê pegou uma imagem de Dorival Junior pensativo e constatei que naquele momento ele estava perdendo o jogo tático com Luxemburgo. O time inferior do Atlético estava fazendo tudo o que o professor mandou e se marcasse mais uma vez deixaria sua classificação bem encaminhada. Foi aí que Dorival resolveu tirar Marquinhos e colocar Rodrigo Mancha.

É evidente que o toque de bola caiu muito com a substituição. Mancha só passa de lado e demora meia hora pra pensar. Porém, com ele o Atlético teve menos espaço por ali e o Santos voltou a dominar o jogo. Por aí se vê que nem sempre ter jogadores ofensivos significa ter um time dominador.

No Santos, Paulo Henrique Ganso, Arouca, Wesley e Robinho foram os melhores, mas Pará e o goleiro Felipe não decepcionaram. No Atlético, Tardelli fez os três gols – um em claro impedimento –, mas o velocista Muriqui fez a diferença no primeiro tempo.

A expressão técnica do jogo foi, mais uma vez, Paulo Henrique Ganso. O homem está jogando demais. O lance do segundo gol do Santos tem de ser repetido desde o momento em que ele para a bola, pensa e decide tudo o que vem a seguir. Além de habilidoso, Ganso é cerebral. Deve ir pra Copa na reserva do Kaká, mas hoje está jogando melhor do que o titular.

Bem, quanto ao jogo de volta, na Vila, em que se classifica para a próxima fase se vencer por 1 a 0 ou 2 a 1, o Santos não só tem tudo para obter um resultado suficiente, como deve manter a média de três gols por partida. A defesa atleticana, quando apertada, confessa; o Atlético deixa de ser um galo valente quando está longe do grito de seus torcedores e Aranha, todos sabem, costuma também ter os seus dias de mosca.

 Bolão

Ninguém acertou o resultado de Atlético e Santos e ganhou os dois exemplares da revista FourFourTwo de abril. Mas domingo tem bolão especial, com a entrega do livro “O Grande Jogo” ao vencedor e duas revistas FourFourTwo ao segundo colocado. Vá pensando na final entre Santos e Santo André.

PRIMEIRA PALESTRA SOBRE A VERDADERIA HISTÓRIA DAS COPAS É HOJE

 Está em cima da hora, mas se você está sem compromisso hoje à noite e quer aprender coisas sobre a história das Copas do Mundo que não saiu da grande imprensa, terei grande prazer em recebê-lo a partir das 20 horas no Instituto Bettarello – Rua Teçaindá, 86, Pinheiros (travessa da Avenida Rebouças, sentido bairro). Informações e Inscrições: instituto.bettarello@gmail.com

Hoje, nas primeira das três palestras, sempre às terças-feiras, falarei dos Primórdios do futebol e fase pré-profissional. Copas de 1930 a 1954

Apresentarei uns vídeos fantásticos e darei informações que o ajudarão a entender melhor a influência do futebol do mundo e os bastidores das Copas.  

Entre em contato com o Instituto Betarrello, diga que é leitor do Blog do Odir Cunha e peça um desconto especial para a pelstra de hoje à noite. instituto.bettarello@gmail.com


Hoje o Atlético vai atacar o Santos? Sim, esta é a fórmula que andam apregoando por aí…

Algo me diz que hoje ele vai mostrar porque será uma das estrelas da Copa

Surge um time acima da média e logo aparecem também os estrategistas de plantão. Ando lendo alguns companheiros e alguns dizem ser simples a fórmula para vencer o Santos: basta atacá-lo. Reafirmam que o Santos reage mal quando é atacado e que nenhum time ainda o fez.

Ora, separemos os alhos dos bugalhos. Vários times já entraram achando que a maneira de vencer era só atacar os Meninos. São Paulo e Corinthians fizeram isso e ganharam como prêmio derrotas inapeláveis. Nada é tão simples como parece.

Obviamente, para se fazer gols é preciso atacar, nem que seja na indefectível bola parada. Mas mesmo esse ataque permite várias opções e pode variar durante os momentos da partida. Não creio que um time que entre para atacar o Santos o tempo todo tenha sucesso, até porque os Meninos têm mais fôlego para fugir da pressão e contra-atacar.

Em segundo lugar vos digo que, para quem prestou mais atenção, este Santos não faz questão de atacar, de encurralar o adversário. Ele sabe que às vezes é melhor ser atacado, pois os espaços se abrem para sua velocidade.

Atlético pode vencer? Claro! Mas…

O Atlético pode vencer o Santos, hoje, no Mineirão, na primeira partida das oitavas da Copa do Brasil? Ora, claro que sim. É um dos grandes do País, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e poderá tentar imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

Esta, na verdade, é a tática de muito time pequeno que joga em casa. A correria inicial equilibra as coisas, pega o confiante adversário meio frio e pode surpreender. Com a vantagem, usa-se a mesma garra que levou aos gols para se defender heroicamente. Muitas vezes dá certo.

O time inferior também costuma usar os momentos “mortos” do jogo para levar vantagem. Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

Claro que essas coisas podem acontecer. Lembro que na final do Paulista de 2000 o Santos entrou para a melhor de três com o São Paulo precisando reverter a vantagem do adversário, e logo no primeiro minuto do primeiro jogo sofreu um gol de França. Acabou perdendo por 1 a 0 e depois precisou ganhar a segunda partida  por dois gols de diferença. Esteve na frente por duas vezes, mas empatou em 2 a 2 e ficou com o vice. Todo o desequilíbrio santista veio logo no primeiro dos 180 minutos jogados.

Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Por outro lado, Vanderlei Luxemburgo, Diego Tardelli, Junior e todo o Atlético sabem que o Santos tem um meio-campo e ataque que prima pela rapidez e habilidade, tem facilidade de marcar gols e fatalmente usará as dimensões do Mineirão para imprimir um jogo que lhe favoreça.

Assim, da mesma forma que para vencer o Santos é preciso atacá-lo, também é verdade que é preciso saber se defender bem dos ataques do Santos. Elementar, meu caro. O Santos não gosta muito de se defender, é verdade, mas adora atacar, e toda partida lhe dá muitas oportunidades para fazer o que mais gosta. Hoje não será diferente. Por isso é que, se o árbitro não estragar, teremos um grande espetáculo no Mineirão.

E o ganhador do Bolão de hoje receberá duas edições da revista FourFourTwo, edição de abril. Vá aos comentários e diga quanto será o jogo, a parcial do primeiro tempo e os autores dos gols do Santos. Boa sorte!


Giovanni merece erguer a taça domingo. Dorival, relaciona o homem e não enche!

Giovanni voltou para ser campeão. Tem de jogar domingo. #querovergiovannicampeao

Li que o técnico Dorival Junior não pretende relacionar Giovanni entre os jogadores do Santos para a decisão de domingo. Sei que Dorival está chegando agora e não deve conhecer muito da história do clube, mesmo a mais recente. Giovanni erguer esta taça vale mais para o santista do que o título mundial. Giovanni, além de craque, é, para os torcedores do Santos, um símbolo de resistência.

Resistência contra a ladroeira dos bastidores, contra as pessoas que entram no futebol apenas para tirar vantagem, contra tudo de sujo e desonesto que há neste País e naturalmente foi incorporado ao esporte mais popular, que dá mais projeção e onde rola mais dinheiro.

Giovanni foi roubado por Márcio Rezende de Freitas e pela CBF do título brasileiro de 1995; dez anos depois voltou a ser prejudicado no mesmo Brasileiro pela trinca Luiz Zveiter-CBF-Arbitragem. Por tudo isso, nunca foi campeão pelo Santos.

Claro que domingo o Santo André merece respeito, blá-blá-blá, mas o certo é que o Santos tem tudo para ser campeão e o momento de ver e ouvir o árbitro apitando o fim do jogo e Giovanni de braços abertos, comemorando um título pelo Santos, não tem preço.

Aliás, a emoção do futebol não tem preço. É o que fica. Acho o futebol uma coisa séria, mas há quem não ache e talvez este é que tenha razão. Futebol é uma extensão dos nossos sonhos de criança, um brinquedo especial que levamos para o resto de nossas vidas.

Campeonato Paulista é menos importante do que a Libertadores? Só pra quem perdeu o Paulista. As planilhas de treinamentos mostram que Giovanni não está em forma? Ora, que jogue apenas nos últimos minutos. O Santo André vai se motivar se Giovanni estiver no banco? Ora, o Santos tem razões para se motivar muito mais.

Vá pra cima deles, ganhe o título com uma goleada e o ofereça àquele que durante muitos anos segurou as pontas do futebol santista, com muita categoria e visão.

Campeão está mais do que na cara que o Santos será – desde que jogue o tempo todo com a disposição que mostrou na maioria das partidas –, o toque especial seria ver Giovanni jogando domingo e levantando a taça. Aliás, Dorival, pergunte ao Luis Álvaro por que o G10 foi recontratado? Justamente para isso, ora bolas.

Quer um conselho, professor? Converse desde já com o Giggio e explique que ele entrará na partida domingo. Peça para que ele capriche na preparação. Tenho certeza de que você terá à disposição um jogar motivado e, como sempre, cerebral neste segundo jogo da decisão.

Claro que não precisa começar jogando, mas ponha nos minutos finais no lugar do André, Marquinhos ou mesmo Paulo Henrique. Permita que os santistas vivam um momento de sonho. Futebol, meu caro, é isso!

E você, leitor e leitora, acha que Dorival está certo, que não se deve arriscar e relacionar para a partida apenas os que estão em melhor forma, ou Giovanni é uma exceção que merece erguer sua primeira taça de campeão pelo Santos?


O Santos não é de ninguém. E é de todos

O menino Pelé, símbolo da universalidade do Santos.

Eu sei. Há santista que não admite o Santos mandando jogos fora da sagrada Vila Belmiro.

Também há santistas que não podem nem ver a campanha #gansoeneymarnacopa, porque, dizem, se os garotos forem para o Mundial, não voltarão ao Santos, comprados pelos euros dos grandes da Europa.

Entendo essa postura. É a mesma da mãe que prefere manter os filhos embaixo de sua saia, mesmo que não se casem, que não progridam na profissão, que se tornem uns eternos fracassados. Porém, sempre pertinho delas.

Assim como filhos foram feitos para o mundo, para a vida, considero de um egoísmo atroz essa visão limitante de tempo e espaço.

O Santos tem de jogar onde atrai mais público. Chega de ter uma média de espectadores equivalente às de Juventude e Guarani.

Quanto à Copa, é o sonho de todo jogador. Torcer para que Neymar e Ganso não o realizem é mesquinho, não condiz com a grandeza de sentimentos dos santistas. É uma honra ter jogadores na equipe que disputa uma Copa do Mundo. Estão aí Zito, Pelé, Pepe, Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu e outros santistas que representaram o País em um Mundial – todos eles muito mais respeitados hoje por este feito notável.

Abramos os corações. Não queiramos o Santos só para nós. Deixemos que cresça livre, forte, que atinja as dimensões que seu talento permitir.


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