Santistas festejaram no Morumbi e agora prometem lotar a Vila

Diante da reação do São Paulo no segundo tempo, que fez dois gols e empatou a partida mesmo com um jogador a menos, não dá para assegurar que o Santos já está na final do Campeonato Paulista – apesar de poder perder por um gol de diferença na Vila Belmiro. Entretanto, se jogar bem e mostrar a mesma volúpia de gol que caracterizou sua participação neste campeonato, o Alvinegro não só se classificará, como poderá até golear o Tricolor no próximo domingo.

Com todo o respeito ao São Paulo, mas fiquei com a impressão de que a reação só veio porque o Santos não soube bem o que fazer com a vantagem de 2 a 0 e um jogador a mais. Mantivesse a atenção na defesa e dificilmente Hernanes teria espaço para driblar e telegrafar o chute, assim como Dagoberto não teria sido deixado livre quase na marca do pênalti.

Foi só sofrer o empate, ser ferido em seus brios e voltar a pressionar a defesa adversária, e o Santos chegou ao terceiro gol e à vitória. Interessante como o aspecto psicológico dita o andamento de uma partida, mesmo de um grande jogo como o deste domingo. 

Imagine o leitor que o Santos tivesse perdido por dois gols de diferença hoje e tivesse de reverter o resultado no Urbano Caldeira. Não haveria um só santista que não acreditasse na façanha. Acho mesmo que se o São Paulo tivesse ganhado com uma vantagem de três gols, ainda assim o torcedor do Santos lotaria a Vila para testemunhar o quase milagre, como já aconteceu na semifinal do Brasileiro de 1995, diante do Fluminense (e olhe que aquele time nem obtinha tantas goleadas, como esse).

Pois agora, mesmo perdendo em casa, o time pode se classificar. Esta aparente tranqüilidade é o maior inimigo do jovem time do Santos no jogo da volta. Caso Dorival Junior consiga imbuir os jogadores da necessidade de nova vitória em casa, a classificação será certa, pois este Santos, quando joga para vencer, e de goleada, dificilmente perde, e ainda mais por dois gols de diferença.

Mas se entrar para, como se diz, “administrar” o resultado, ou “jogar com o regulamento debaixo do braço”, terá a única atitude que pode dar ao São Paulo a chance de uma vitória inesperada na Vila Belmiro. Sim, o Santos só pode ser derrotado na Vila se não vibrar, se não se entregar ao jogo de corpo e alma.

Felizmente eu estava errado

Como Luis Alonso Peres, o Lula, técnico do Santos nos tempos em que o time era o melhor e o mais ofensivo do planeta, Dorival Junior prometeu e cumpriu escalar um time ofensivo no Morumbi. Foi premiado pela coragem. Ainda bem que ele não me ouviu e colocou Rodrigo Mancha no lugar de André. Mesmo quando não estão nos seus melhores dias, Neymar, André e Robinho, com o apoio de Paulo Henrique e Marquinhos pelo meio e de Wesley e Léo pelas laterais, são um verdadeiro inferno para qualquer defesa.

Pouca confiança da torcida tricolor

Com um público de apenas 35.695 pessoas, o Morumbi foi como um campo neutro e pouca pressão exerceu sobre os santistas. Provavelmente a Vila terá um número equivalente de torcedores, só que lá a pressão é bem maior. Mais uma dificuldade que o São Paulo terá de enfrentar.

Arbitragem excelente

Não vi nenhum erro do árbitro Marcelo Rogério, que teve atuação excelente. Usou o mesmo critério do cartão amarelo para Marlos e Neymar. Só que pouco depois o são-paulino foi chutar a bola e acertou no meio de Robinho. Isso é falta de cartão e como Marlos já tinha o amarelo, é rua, não tem jeito. Não se pode esquecer que o árbitro deu cartões amarelos para seis santistas, e, além de Marlos, apenas para o são-paulino Cicinho. O pecado de Marlos foi cometer duas faltas que mereciam cartão.

Técnica x Garra

Quando ficou evidente que o Santos era o time mais técnico e envolvente, sobrou aos são-paulinos a opção da luta, da garra, e neste quesito louve-se a atuação de Hernanes. Não fosse ele, que de tanto tentar fez o gol que iniciou a reação do Tricolor, aos 8 minutos do segundo tempo, e a partida de volta não teria muitos atrativos.

Garotos de sangue-frio

No primeiro tempo, O Santos saiu com tanta tranqüilidade da defesa para o ataque – apesar da marcação por pressão do São Paulo – que não parecia um time de garotos. Os zagueiros não rifavam a bola e Wesley, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique trataram de fazer a transição da defesa para o ataque com categoria, de pé pra pé.

Parcial, a Band apostou apenas em uma banda

Antes do jogo a TV Bandeirantes levou ao ar um programa com Washington, centroavante do São Paulo. Logo em seguida, outro programa, desta vez uma entrevista com Cicinho, também do São Paulo. Quando os times entraram em campo, o repórter só ouviu jogadores do São Paulo e o técnico Ricardo Gomes. Não deu pra entender… Primeiro, porque demonstra falta de profissionalismo e de ética brutais. Uma tevê aberta não pode falar só de um dos times de uma partida decisiva, ainda mais quando a maior atração é o outro. Depois, se quiser audiência – coisa que sempre passou ao largo da emissora do Morumbi –, deveria dar mais espaço ao Santos, pois além dos santistas, no mínimo 90% dos torcedores de outros times estão a favor dos Meninos da Vila nesta semifinal.

E na Vila, como deve ser?

Com uma vantagem tão grande, será que o Santos deveria fechar mais o meio-campo e tentar garantir ao menos o empate? Ou deve ir pra cima e buscar uma goleada histórica sobre o rival, que terá de dividir as atenções entre o Campeonato Paulista e a Copa Libertadores? Conhecendo o torcedor santista como conheço, nem deveria ter feito essa pergunta. É claro que em casa, diante de seus ardorosos fãs, o Santos jogará melhor e terá uma rara oportunidade de obter uma grande vitória sobre o rival.

Nélio Mattos, o ganhador do Bolão

Nelio Mattos e Jhullivan acertaram o marcador do jogo deste domingo, mas Nelio foi o primeiro a apostar e por isso ganhou o livro “Os maiores 50 jogos das Copas do Mundo”, escrito pelo jornalista Paulo Vinicius Coelho, o popular PVC. 

Ficha técnica da partida

Semifinal do Campeonato Paulista de 2010

Morumbi, São Paulo, 11/04/2010 (domingo)

Local: estádio do Morumbi, em São Paulo

São Paulo 2, Santos 3

São Paulo: Rogério Ceni; Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Rodrigo Souto, Hernanes, Jorge Wagner (Fernandinho) e Marlos; Dagoberto (Marcelinho Paraíba) e Washington (Cicinho). Técnico: Ricardo Gomes

Santos: Felipe; Wesley, Edu Dracena, Durval e Leo; Arouca, Marquinhos (Zé Eduardo) e Paulo Henrique Ganso; Robinho, Neymar (Madson) e André (Pará). Técnico: Dorival Junior.

Gols: Junior Cesar (contra), aos 25minutos e André aos do primeiro tempo; Hernanes aos 8, Dagoberto aos 22 e Durval aos 45 minutos do segundo tempo.

Público: 35.695 pessoas. Renda: R$ 1.578,325,25.

Arbitragem: Marcelo Rogério, auxiliado por Vicente Romano Neto e David Botelho Barbosa.

Cartão vermelho: Marlos. Cartões amarelos: Marlos, Cicinho,  Neymar, Leo, Robinho, Wesley, Edu Dracena e Paulo Henrique Ganso.

Cartão vermelho: Marlos (SP)

Como o Santos deve jogar no próximo domingo para garantir a passagem para a final do Campeonato Paulista? Novamente com três atacantes, ou com um meio-campo mais reforçado, com a saída de André e a entrada de um volante? Eu e os outros leitores deste blog queremos saber sua opinião.