Bastaram 25 minutos no segundo tempo para o Santos restabelecer a ordem natural das coisas, justificar a fama de “time da virada” – conforme o coro da torcida que tomou o Pacaembu – e pular à frente com a vantagem de 3 a 1.

Com a expulsão de Toninho, do Santo André, a tendência era de que o Alvinegro marcasse uma diferença maior, o que praticamente definiria o título paulista neste domingo. Entretanto, como aconteceu em outros jogos nos quais ficou com um jogador a mais, o time se acomodou, permitiu a pressão do franco-atirador Santo André e acabou sofrendo um gol que deixou o marcador em 3 a 2 e ainda dá esperanças ao time do ABC, que agora precisa vencer a segunda partida por dois gols de diferença para ser o campeão.

Dois motivos

Dois motivos explicam o crescimento do Santos na segunda etapa: 1 – A entrada de André no lugar de Neymar. Com muita mobilidade e disposição, André deu força ao ataque e, talvez pelo inesperado de sua entrada, atrapalhou o sistema defensivo do Santo André, que até ali vinha bem. 2 – A entrega maior da equipe na marcação e a determinação ofensiva. Paulo Henrique e Wesley saíram mais para o jogo e foram decisivos.

Os gols do Santos

Que frieza! No meio de cinco jogadores adversários, Paulo Henrique controlou a bola, levou para a linha de fundo e cruzou na direção e na velocidade certas para o gol de cabeça de André, que abriu o caminho para a vitória santista. Jogada de gênio! Depois, Wesley aproveitou bem o espaço pela direita e por duas vezes penetrou livre e bateu com muita convicção. Por mais que tenha especialistas na posição, Wesley é o melhor jogador do Santos a aturar por aquele lado do campo.

Neymar, o saco de pancadas

Evidente que os zagueiros do Santo André entraram com a intenção de machucar o garoto ou ao menos provoca-lo a ponto de que recebesse um cartão amarelo e ficasse fora da final. Alguns vão dizer que isso faz parte do futebol. Pode até ser, mas é jogo sujo e não aprovo. Pra isso há uma bola em jogo, ela é que deve ser o alvo dos pontapés, não as canelas e tornozelos. Mas não deve ser nada o que Neymar teve no olho direito e ele voltará no segundo jogo. A defesa do santo André não perde por esperar.

Veteranos Léo e Durval bem. Pará também. Mas Dracena…

Aos poucos Léo volta a recuperar seu fôlego. Mostrou-se muito presente no segundo tempo e foi sempre uma boa opção para o passe. Durval, diante da insegurança de Edu Dracena (que fez a falta boba que gerou o primeiro gol do Santo André) é o mais confiável dos zagueiros. Pará novamente foi bem e não merecia ser substituído. Felipe falhou no gol, mas fez defesas que compensaram a falha (no entanto, ainda não é um goleiro à altura do resto do time). Marquinhos não brilhou, mas manteve o bom toque de bola no meio, principalmente no segundo tempo. O melhor do setor, entretanto, mais uma vez foi o emprestado Arouca.

Só agora o São Paulo descobriu o valor de Arouca

Arrependido pela permuta por Rodrigo Souto, o São Paulo anunciou, por jornalistas ligados ao clube, que o passe de Arouca é R$ 70 milhões. Engraçado é que quando estava no Morumbi o jogador era tratado como um grande abacaxi e agora querem o seu peso em ouro. Só que lá não será a mesma coisa. A não ser que o São Paulo contrate Marquinhos, Paulo Hernique, Neymar, Wesley, Robinho e André para jogarem ao lado dele. Bem, aí serão precisos muitos mais do que R$ 70 milhões…

André realmente incendiou o jogo

Dizem que nos grandes momentos é que se conhece o grande jogador. Pois hoje André mostrou que é bem mais do que um codjuvante neste Santos dos astros Robinho, Neymar e Ganso. Movimentou-se, fez um gol, participou de jogadas de ataque e ainda voltou para ajudar a defesa. Vibrou com a torcida e criou o clima propício para a virada.

Robinho ainda está devendo

É óbvio que Robinho é importante no ataque do Santos, pela preocupação que representa ao adversário. Entretanto, parece que sempre falta alguma coisa para completar a jogada. Chegou a tirar um gol do Santos ficando na frente da bola chutada por Paulo Henrique Ganso. Depois, perdeu um gol quase da pequena área. No segundo tempo teve um contra-ataque no mano a mano com o zagueiro e preferiu passar, e errado, para Madson. Robinho está com dificuldade para o arremate, um fundamento que por muito tempo foi o seu ponto fraco. Precisa treiná-lo intensamente de novo. Ou passará em branco em mais uma Copa.

Síndrome do um a mais

Dorival Junior tem de preparar melhor o aspecto psicológico do time para quando o adversário tiver um jogador expulso. É incrível, mas novamente, como aconteceu contra o São Paulo, foi o Santo André quem melhorou e chegou ao gol depois de ficar inferiorizado em num erro de jogadores. Desta vez, a entrada de Madson no lugar de Pará não deu certo. Se ficasse como estava, seria melhor. O buraco deixado na lateral direita foi usado pelo adversário para chegar ao seu segundo lugar e ainda respirar no campeonato.

Feliz aniversário, Dorival. Muitos anos no Santos! E muita sensatez!

Ninguém é perfeito. Durante muito tempo me perguntei qual seria o defeito de Dorival Junior, que hoje completou 48 anos. Nesta semana detectei um: Fala demais. Isso de dizer que prefere jogar na Vila e que não troca um título por alguns “trocados” a mais foi uma frase muito infeliz e ele nunca poderia te-la repetido. Claro que todo mundo pode falar o que quiser, mas desde que não sejam bobagens monumentais, como as que ele falou. Em primeiro lugar, não são “trocados”. Jogar na Vila ou no Pacaembu representa uma diferença de, no mínimo 600 mil reais. Isso não são “trocados”, principalmente em se sabendo da situação financeira do clube. E se são “trocados”, quer dizer que se ele ficar um mês sem receber salários, também encarará com a mesma naturalidade? Depois, técnico do Santos, um clube que ganhou seus títulos mais importantes jogando no campo do adversário, nunca poderia usar esse discurso. Quer dizer que se o Santos decidir uma vaga na Copa do Brasil no campo do adversário, já entrará em campo derrotado? Ora, Dorival, adoramos você, queremos que fique ainda muitos anos na Vila Belmiro, mas concentre-se em trabalhar e deixe que a diretoria resolve onda é melhor o time se exibir. Técnico não tem de dar palpite nisso. E se der, nunca deve expor para a imprensa.

Muito ruim a atuação de Paulo César de Oliveira

O árbitro Paulo César de Oliveira não inspirou confiança e teve uma atuação fracamente favorável ao Santo André neste domingo. Deixou de dar um pênalti em Neymar; seu auxiliar marcou incorretamente um impedimento que certamente daria o gol de empate ao Santos; viu todos os choques de jogadores pelo alto, na disputa de bola, como faltas a favor do Santo André; também marcou faltas sempre que um jogador do Santo André foi pressionado por trás; deixou que no começo do jogo os zagueiros do Santo André batessem à vontade (com a desculpa de que a intenção era a bola), enfim, parece já ter definido de antemão que todos os lances duvidosos beneficiariam o adversário do Santos. Só expulsou Toninho porque a infração do zagueiro foi escandalosa, agarrando André pelo pescoço, quando este partiria livre para o gol. Não gosto de falar em vetar árbitros, mas seria muito arriscado ao Santos permitir que um árbitro tão parcial atuasse novamente em um jogo decisivo do time. Hoje deu pra virar, mas nem sempre será possível.

Santo André 2 x 3 Santos

Estádio do Pacaembu, São Paulo

Santo André – Júlio César; Cicinho, Cesinha, Toninho e Rômulo; Alê, Gil, Branquinho (Pio) e Bruno César; Rodriguinho e Nunes. Técnico: Sérgio Soares.

Santos – Felipe; Pará (Madson), Edu Dracena, Durval e Léo; Wesley, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique (Zé Eduardo); Neymar (André) e Robinho. Técnico: Dorival Júnior

Gols – Bruno César, aos 35 minutos do primeiro tempo; André, aos 13 minutos, Wesley, aos 17 e aos 25 minutos, Rodriguinho, aos 38 minutos do segundo tempo

Árbitro – Paulo César de Oliveira (SP)

Cartões amarelos – Rômulo, Toninho (Santo André); Wesley (Santos)

Cartão vermelho – Toninho (Santo André)

Público – 33.354 presentes

Renda – R$ 1.770.150,00

Sylvio Novelli ganhou o Bolão

Sylvio Novelli foi o único a acertar o marcador final. Ele marcou 1 a 1 no primeiro tempo, mas como o que vale em primeiro lugar é o placar do jogo, ele ganha o prêmio, que são duas edições deste mês da revista FourFourTwo. Ao Sylvio peço que me confirme seu endereço completo, com CEP, pelo e-mail odir.cunha@uol.com.br Parabéns!