Leio, com preocupação, que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, não só apoia o carioca Kléber Leite para a presidência do Clube dos Treze, como se orgulha de ser um dos vice-presidentes da chapa de “oposição”.  Para explicar seu voto, Sanchez diz que “não dá para ficar no mandato por dez, quinze anos”. Ele se refere ao gaúcho Fábio Koff, ex-presidente do Grêmio, que preside o Clube dos Treze, desde 1996.

Porém, Sanchez não deve ter levado em conta que sua chapa só tem alguma possibilidade de vitória porque está sendo amparada ostensivamente por Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que se apega à presidência da entidade desde 1989, há insuportáveis 21 anos.

Sobrevivente a várias CPIs e escândalos que teriam demitido alguém de costas menos largas – como o caso da muamba após a Copa de 1994 –, Ricardo Teixeira, segundo Juca Kfouri, em quem acredito, planeja ser presidente da Fifa, mas antes terá de colocar alguém de sua confiança no comando da CBF, a fim de lhe garantir sustentação política.

Ex-repórter de rádio passional, bairrista e grosseiro, Kléber Leite teve a fortuna de ficar rico vendendo placas de publicidade. E é o que deveria continuar fazendo. Para não parecer que tenho qualquer implicação pessoal com este senhor, recorro às informações da Wikipédia sobre a azeda passagem de Leite pela presidência do Flamengo:

Em 1998, em profundo descrédito pelos repetidos vexames desportivos e pelas acusações de que utilizara o Flamengo, em jogos pelo interior, como instrumento para firmar vantajosos contratos de aluguel de placas publicitárias em estádios, Kléber Leite deixou a presidência do Flamengo.

No período em que foi presidente do clube foi responsável pela compra e venda de mais de 100 jogadores. A divida do Flamengo também aumentou muito nesse período, passando de 18 milhões para 69 milhões. Durante a sua gestão firmou uma parceria com o Consórcio Plaza, em 97 Kleber Leite antecipou R$ 6 milhões do consórcio para a construção de um shopping na Gávea. O dinheiro, que até hoje discute-se se foi doação ou empréstimo, foi usado para contratar Edmundo. O caso parou na Justiça e o valor está na casa dos R$ 36 milhões.

Alguém que em uma única gestão como presidente de um clube com uma marca tão poderosa, faz a dívida do Flamengo aumentar 380% em quatro anos não é digno de crédito. Em um país sério jamais poderia ser candidato a qualquer cargo, nem mesmo o de síndico de seu prédio. Kléber Leite como administrador é um desastre total.

Além disso, é uma pessoa desequilibrada, arrogante, carioca e flamenguista demais para ver e tratar com isenção os interesses do futebol brasileiro. Quem tiver curiosidade, que vá ao seu twitter e veja, em @Kleberleite, os motivos que o levaram a participar do microblog: “Bem, resolvi criar este canal para comunicação direta com o torcedor rubro-negro.”

“Torcedor rubro-negro?”! Um sujeito que quer comandar a maior associação de clubes do Brasil – que pode se tornar uma das maiores do mundo – está preocupado em se comunicar apenas com o torcedor rubro-negro? Isso me lembra demais o deputado Eurico Miranda, que não escondia de ninguém que estava na Câmara para defender os interesses do Vasco. Ora, o futebol brasileiro precisa de administradores que zelem pelos interesses gerais do futebol profissional e não de um clube em particular.

Modernizar, sim, mas não com essas pessoas

Os clubes grandes de São Paulo, ou de qualquer Estado deste País, não precisam que um cartola aventureiro e incompetente lance mão de um cargo tão importante para os destinos do futebol brasileiro. Será uma omissão muito grande dos clubes paulistas se permitirem que isso aconteça. 

Não é questão de estar a favor deste ou daquele. Acho também que já deu para Fábio Koff, assim como já deu há muito tempo para Ricardo Teixeira. É preciso que surja um movimento por uma terceira opção, mais viável, mais confiável, mais honesta. Porém, como a aleição está em cima, restaram essas duas más opções.

Deixar o futebol brasileiro nas mãos da dobradinha Ricardo Teixeira e Kléber Leite é o mesmo que vender a alma ao diabo. Ou permitir que duas raposas tomem conta do galinheiro.  Ambos usam o futebol para obter poder, dinheiro e prestígio. Um teve a sorte de ser genro de João Havelange, que o colocou no cargo, como colocaria eu e você, se quisesse, e o outro é um bom vendedor de placas de publicidade. Só. Sairão do futebol sem deixar saudades. São completamente supérfluos. E nocivos.

Kléber Leite é uma pessoa tão pouco sensata que ao mesmo tempo em que exalta o “título brasileiro” do Flamengo em 1987, ano em que a CBF de seu amigo Ricardo Teixeira já oficializou o Sport como campeão, nega raivosamente que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa tenham dado aos seus vencedores os títulos de campeão brasileiro, fato que está registrado nos anais da CBD, entidade que pariu a CBF.

É bom que os presidentes de Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras e Santos saibam que com Kléber Leite no comando do Clube dos Treze ficará ainda mais difícil obter a ratificação dos títulos brasileiros a partir de 1959. No seu jeito grosseiro de ser, ele já definiu essa reivindicação mais do que legítima de seis grandes clubes brasileiros como uma “babaquice monumental”.

Pois é. O pior presidente da história do Flamengo agora quer comandar o Clube dos Treze, e tem o apoio de Ricardo Teixeira, que através da CBF está pressionando os presidentes de clubes para votarem no amigo e aliado. Olha, eu nem conheço o senhor Fábio Koff direito, acho que está há muito tempo no poder, mas se a eleição, marcada para 12 de abril, for apenas entre os dois, o gaúcho ainda é a opção menos ruim para o nosso futebol.

E você, leitor e leitora, quem é o melhor, ou o menos pior, para presidir o Clube dos Treze: Fábio Koff ou Kléber Leite?