O Santos bicampeão paulista de 1956, um timaço com Jair, Pagão e Pepe.

A primeira década do terceiro milênio está terminando como começou: com Santos e São Paulo decidindo um título paulista. Bem, desta vez, ao contrário de 2000, trata-se de uma semifinal, mas alguém duvida que o vencedor deste confronto – que começa amanhã, às 16 horas, no Morumbi – ficará com a taça? Mais do que um troféu, porém, a hegemonia do Estado nesta década estará em jogo.

As duas equipes têm dois títulos e dois vices estaduais neste começo de século. O São Paulo foi campeão em 2000 e 2005 e segundo colocado em 2003 e 2006. O Santos também levantou dois campeonatos, em 2006 e 2007, e por duas vezes foi o segundo colocado, em 2000 e 2009. Obviamente quem passar à final superará o adversário nesta que é a competição mais antiga do futebol brasileiro, jogada desde 1902.

O Corinthians tem três títulos estaduais na década (2001, 2003 e 2009) e um vice (2005), mas será suplantado caso Santos ou São Paulo sejam os campeões deste ano, o que é muito provável. 

No Brasileiro, Santos pode retomar a ponta

Maior campeão nacional na primeira metade da década, com os títulos brasileiros de 2002 e 2004 e o vice-campeonato de 2003, o Santos foi ultrapassado pelo São Paulo na segunda metade, já que o Tricolor obteve o tricampeonato em 2006, 2007 e 2008 e o Santos só conseguiu mais um segundo lugar, em 2007.

Porém, uma vitória dos Meninos da Vila no Brasileiro deste ano fará com que o Alvinegro Praiano supere o adversário, pois fecharia a década com três títulos e dois vice-campeonatos em 10 competições, com uma porcentagem admirável de 50% de presença entre os dois mais bem classificados. 

Libertadores, vantagem são-paulina

Com o título em 2005, o segundo lugar em 2006 e a semifinal de 2004, o São Paulo é o time brasileiro de melhor participação na Copa Libertadores da América nesta década e só poderá ser superado pelo Internacional, caso este seja campeão este ano, repetindo a façanha de 2006.

Na média, porém, o Santos é o terceiro time brasileiro de melhor retrospecto na maior competição sul-americana, com um vice-campeonato em 2003, uma semifinal em 2007 e três quartas-de-final: em 2004, 2005 e 2008.

Com o detalhe de que em 2005, a final lógica deveria reunir Santos e São Paulo, mas a Seleção Brasileira acabou desfalcando o Santos de seus melhores jogadores na partida de volta contra o Atlético Paranaense, quando uma vitória por 1 a 0 ou 2 a 1, na Vila Belmiro, seriam suficientes para classificar a equipe para a semifinal contra o enfraquecido Chivas Guadalajara (que atuou com reservas, visto que priorizava o campeonato mexicano).

Assim, depois de superar um Santos depauperado, o sortudo do Atlético Paranaense passou também com facilidade pelos reservas do time mexicano, mas, como se esperava, não foi adversário para o São Paulo na decisão, que teria sido bem mais disputada caso contasse com a presença do Santos (depois de empatar em 1 a 1 fora de casa, o São Paulo goleou o Atlético do Paraná por 4 a 0, no Morumbi, em uma das finais mais fáceis da Libertadores).  

Como a disputa do Mundial Interclubes é um apêndice da Libertadores, neste quesito apenas os brasileiros São Paulo e Internacional marcaram presença, com os títulos de 2005 e 2006, respectivamente.

Em decisões, 4 a 2 para o Santos

Sem contar competições de pontos corridos, Santos e São Paulo já decidiram seis títulos paulistas, com quatro vitórias do Santos. A primeira delas foi em 1956, no Pacaembu, e os santistas, ainda sem Pelé, venceram por 4 a 2, com gols de Feijó (pênalti), Tite e Del Vecchio (2). O primeiro tempo terminara 2 a 1 para o São Paulo, com gols de Zezinho, artilheiro daquele campeonato. Foi em 1956 que o jornalista Thomaz Mazzoni de A Gazeta Esportiva, batizou o clássico de Sansão.

A segunda decisão estadual entre ambos ocorreu em 1967, também no Pacaembu, com vitória do Santos por 2 a 1. Edu e Toninho Guerreiro marcaram logo no início do jogo e Babá fez o único do São Paulo aos 41 minutos do segundo tempo. 

As equipes voltaram a disputar o título em 1969, quando fizeram o último jogo de um quadrangular que tinha também Palmeiras e Corinthians. Como já tinha vencido palmeirenses (3 a 0) e corintianos (3 a 1), o Santos só deixaria de ser campeão se perdesse para o São Paulo por três gols de diferença. Mas o time da Vila Belmiro segurou o 0 a 0 e saiu de um Morumbi em reformas com o tricampeonato paulista.

Dez anos depois, em junho de 1979, os Meninos da Vila Pita, Juary, João Paulo & Cia, mesmo desfalcados dos titulares Nilton Batata, Ailton Lira, Clodoaldo e Vitor, decidiram o título contra o experiente São Paulo de Valdir Peres, Chicão, Dario Pereyra, Serginho e Zé Sérgio, que tinha sido campeão brasileiro em 1977.

As três partidas foram do Morumbi. A primeira, no meio da semana, o Santos ganhou de virada. Serginho marcou para o São Paulo, mas Juari e Pita viraram para 2 a 1. No segundo jogo, domingo, com público de 107.485 pagantes, a maioria de santistas, mesmo sem sete titulares o Santos vencia por 1 a 0, com gol de Célio, até os 42 minutos do segundo tempo, quando Zé Sérgio empatou e provocou uma terceira partida (a final não foi em melhor de três, mas sim em melhor de quatro pontos. Ou seja: apenas duas vitórias, ou uma vitória e dois empates dariam o título).

No terceiro jogo, sem os titulares Vítor (goleiro), Joãozinho, Neto, Clodoaldo, Aílton Lira, Pita e João Paulo, o Santos perdeu por 2 a 0 no tempo regulamentar (gols de Zé Sérgio e Neca), mas empatou em 0 a 0 na prorrogação e terminou com a taça por ter realizado melhor campanha. Nem é preciso dizer que foi um título heróico, com os Meninos lutando contra tudo e contra todos.

As duas últimas decisões entre ambos, porém, foram favoráveis ao São Paulo. Em 1980 cada time foi campeão de um turno e o Tricolor venceu as duas partidas finais por 1 a 0, com gols de Serginho. Em 2000, o São Paulo venceu o primeiro jogo por 1 a 0 (França) e empatou o segundo em 2 a 2 (Rogério Ceni e Marcelinho Paraíba marcaram para o Tricolor e Dodô e Rincón para o Alvinegro).

Amanhã, nesta quase decisão, espera-se o mesmo equilíbrio histórico que tem marcado o confronto destes times que terminam a década como os mais vitoriosos do Brasil.