Celso Unzelte e eu no lançamento de "O Grande Jogo", a história da maior rivalidade alvinegra do futebol

O mais pessimista dos santistas espera ao menos uma vitória tranqüila hoje à noite, na Vila Belmiro, quando o Santos enfrenta o Guarani, a partir das 21h50m, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Neymar até falou: “Vamos tentar golear hoje, para facilitar o jogo de volta”. Sim, é o que todo torcedor quer. Mas o Guarani merece algumas considerações.

Já contei que no final dos anos 70 havia jornalista que já elevava o Guarani – campeão brasileiro de 1978 – à categoria de “grande”, enquanto rebaixava o Santos? Pois é. Mas voltar a falar nisso nem vale a pena. Só vale para quem tem a alma pequena.

Então, direi em uma palavra o que o Guarani tem representado na vida do Santos: Lição. Sim, o Guarani deu no mínimo duas ótimas lições ao Santos e foram providenciais. Não que eu queira que isso aconteça hoje, justo no dia no 98º aniversário do time mais fora da ordem do futebol mundial.

Estréia de Feitiço. E que virada!

A primeira destas duas grandes lições aconteceu há 83 anos, em 11 de abril de 1927, dia em que o craque Feitiço, que veio do São Bento da Capital (não é o mesmo de Sorocaba) estreou pelo Santos na Vila Belmiro. Era um jogo amistoso, uma festa, e o convidado foi o Guarani.

Ao final do primeiro tempo, a partida já estava 5 a 1 para o Santos, com três gols de Araken, um de Omar e um de Hugo. A grande expectativa para a segunda etapa era, naturalmente, ver o primeiro gol de Feitiço na Vila. Porém, meus amigos, o que se viu não está no gibi.

Diante de um Santos acomodado, o Guarani fez um gol após o outro e virou o jogo. Isso mesmo! O Santos perdeu de 6 a 5 na estréia de Feitiço na Vila, e depois de terminar o primeiro tempo com a vantagem de 5 a 1.

Bem, mas valeu a lição. Naquele ano, como se sabe, o ataque santista foi o primeiro em uma competição oficial na América do Sul a marcar 100 gols, média de 6,25 por jogo, em um recorde jamais igualado no Campeonato Paulista. Para não dar mais sopa ao azar, o time nunca deixava o burro na sombra: era gol atrás de gol.

No Paulista de 1927 o Santos deu cinco goleadas de 10 gols ou mais. O Guarani? Sim, ele voltou à Vila Belmiro, desta vez para uma partida oficial pelo Estadual de 1927. Só que desta vez o Santos não parou em cinco gols e fechou o marcador em 10 a 1.

O Botafogo pagou o pato!

Em 1964, desgastado pela quantidade de jogos que era obrigado a fazer a fim de arrecadar o suficiente para manter seu esquadrão, o Santos desembarcou em cima da hora para um jogo pelo Campeonato Paulista, em Campinas, e foi surpreendido pelo Guarani. Bota surpresa nisso! O time de Campinas, um dos melhores do Interior, goleou o Alvinegro com Pelé e tudo por 5 a 1. 

Isso, claro, feriu o brio dos santistas. No sábado, a partida seria contra o Botafogo de Ribeirão Preto – outro time interiorano de respeito, que no primeiro turno vencera o Santos, em Ribeirão, por 2 a 0.

Porém, quando estava endiabrado, não havia adversário para o Santos. Já descansado e com sede de vingança pela goleada sofrida em Campinas, o Alvinegro enfiou goela abaixo 11 gols no Botafogo, oito deles de Pelé. Estes 11 a 0 ainda são a maior goleada dos últimos 46 anos do Campeonato Paulista.

Bolão: um livro “O Grande Jogo” para o vencedor.

Estava guardando este exemplar para domingo, mas como hoje é aniversário do Santos, resolvi ofertar para o vencedor do Bolão o livro “O Grande Jogo”, que fiz com o jornalista Celso Unzelte e que conta a história da maior rivalidade alvinegra do planeta, entre Santos e Corinthians.

Se você nunca postou no meu Bolão, é fácil: vá até a caixa de comentários e diga quanto será o resultado, a parcial de primeiro tempo e quem fará os gols do Santos. Se estes critérios não servirem para definir o vencedor, valerá quem apostou primeiro.

Portanto, aposte já! Boa sorte!