Não sei, não ouvi e duvido que o Dorival Junior tenha dado tanta ênfase à sua vontade de jogar a última partida na Vila Belmiro. Lá ele acha que o time joga melhor e seria, digamos, menos difícil, passar pelo Santo André e ganhar o título paulista? Sim, provavelmente, mas há três pontos importantes a ponderar:

1 – O Santos precisa de dinheiro. Em que pese toda a simpatia do presidente Luis Álvaro Ribeiro, a verdade é que ainda não houve todo o aporte que o clube necessita para saldar suas dívidas imediatas. Perder cerca de um milhão de reais nesta final não é aconselhável, ainda mais para uma gestão que se elegeu sob a égide do profissionalismo – com o qual o romantismo da Vila Belmiro nem sempre combina.

2 – As maiores decepções que o Santos teve, ou ao menos algumas das grandes zebras, aconteceram justamente na Vila Belmiro. Lá se perdeu o título paulista de 1927, quando o empate contra o Palestra Itália bastava para o Santos comemorar, pela primeira vez em sua história, o título estadual. Lá também se perdeu a primeira partida da decisão da Taça Brasil de 1959, que acabou sendo crucial para o título ir parar nas mãos do Bahia. Também pela Taça Brasil aconteceu uma derrota estapafúrdia para o América do Rio, em 1961. Na mesma Vila o Santos foi derrotado pelo Peñarol, na segunda partida da decisão da Libertadores de 1962. Ainda no Urbano Caldeira, recentemente, o Alvinegro foi eliminado por América do México, Grêmio e Atlético Paranaense na Libertadores e por Botafogo e CSA pela Copa do Brasil. Suas maiores conquistas foram obtidas no Pacaembu, Morumbi e Maracanã.

3 – Se o Pacaembu terá uma maioria esmagadora de santistas, por que o estádio deve ser considerado neutro? Ora, a dificuldade do Santo André é muito maior, pois fará as duas partidas com torcida contra. E se mesmo assim superar todas as adversidades e for campeão, parabéns. Serei o primeiro a aplaudir. Se algum técnico deveria “chorar” nesta decisão é o do time do ABC.

Enfim, considero o Pacaembu uma casa do Santos e é bom que não só os torcedores, mas as pessoas ligadas ao clube também comecem a pensar assim. De fontes seguras sei que, com as modificações pelas quais passou – entre elas as construções dos camarotes – a Vila Belmiro só comporta, hoje, um público estimado de 15 mil pessoas. Ora, para se ganhar dinheiro jogando lá só mesmo elevando absurdamente o preço dos ingressos, o que não é recomendável e nem prático.

Se é possível jogar no Pacaembu ou mesmo no Morumbi com casa cheia e com um ingresso a preço acessível para a maioria dos santistas, por que elitizar tanto o espetáculo que pode ser de alto nível, mas sempre foi democrático, aberto a todos os torcedores – que seguraram as pontas nas fases ruins e agora têm o direito de usufruir desse período fantástico. 

De forma que não sei se falou ou não falou, ou se só comentou e alguém esticou o assunto, mas a verdade é que o ótimo Dorival Junior ou qualquer técnico que venha a dirigir o Santos tem de se acostumar a pensar grande em todos os sentidos. A casa do Santos é todo estádio com maioria de santistas. Ou melhor, a casa do Santos é todo estádio que tenha um campo e uma bola.

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