No jogo de volta, olha aí a dupla o que o Galo terá de aguentar...

Leu meu post de ontem? Está aí embaixo, confira. Não adivinhei nada. Times têm DNA e o futebol é cíclico. Vanderlei Luxemburgo não é tão diferente de Yustrich, técnico do Atlético nos anos 70, quando o time jogava abafando em casa, marcando gols logo no início do jogo e depois se segurando como podia. O Atlético de hoje é um pouco mais técnico, mas jogou à lá Yustrich.

Só para refrescar a memória, relembre o que escrevi ontem:

O Atlético pode vencer, hoje, no Mineirão? Ora, claro que sim. É um dos grandes do Brasil, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e terá de imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

… Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

… Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Pois é. O Atlético marcou logo aos 2 minutos, em uma cochilada da defesa, principalmente de Edu Dracena e do goleiro Felipe. O segundo gol foi aos 37 minutos, quando o primeiro tempo se aproximava do fim, e o terceiro aos sete do segundo, quando o Santos esquentava para partir em busca do empate.

Como também se previa, o caseiro árbitro Heber Roberto Lopes (Fifa-PR) prejudicou o Santos. No segundo gol Diego Tardelli estava em cmpleto impedimento, á frente da linha da bola. Vi de casa logo no primeiro lance, sem precisar de tira-teima nenhum. A mesma arbitragem que não viu esse impedimento, viu um de Robinho, no começo do jogo, em que o jogador do Santos estava dois metros atrás do último jogador atleticano. Na sequência, Robinho sofreu pênalti de Aranha, mas a partida já estava providencialmente paralisada.

Hebert também deixou o jogo correr. Jogadores eram agredidos depois de darem o passe e tudo ficava por isso mesmo. André levou um golpe de arte marcial do adversário e, mesmo depois de caído, continuou agarrado, puxado, em jogada que nem foi punida com o amarelo. Ridículo.

Empate seria mais justo

O Atlético fez sua melhor partida no ano. Muriqui foi o melhor em campo enquanto correu como um louco, Tardelli mostrou técnica e oportunismo, Junior foi um ótimo articulador, Ricardinho sabe o que faz com a bola e Aranha estava nos seus dias de ótimo goleiro. Porém, dizer que a vitória atleticana foi justa é analisar depois do resultado.

Além das falhas cruciais de arbitragem, o Santos atacou mais do que foi atacado e criou chances que, se aproveitadas, poderiam lhe dar a vitória. O jogo de conjunto do Santos é melhor, o time não rifa a bola, como o Atlético fez várias vezes. Paulo Henrique Ganso foi um maestro, pairou acima dos outros no meio-campo e foi o autor intelectual do segundo gol santista, que deve ter sido decisivo neste confronto.

Mesmo sem Neymar, o Santos continuou criando boas oportunidades. Além dos gols, Pará acertou o travessão, Robinho deu um cabeçada à queima- roupa e André, Zé Eduardo e Arouca tiveram oportunidades de chutar de frente para o gol. Uma bola dessas que entrasse tornaria o resultado um 3 a 3 muito difícil de ser revertido pelo time mineiro na partida de volta.

No meio do segundo tempo, quando o Atlético vencia por 3 a 1, a tevê pegou uma imagem de Dorival Junior pensativo e constatei que naquele momento ele estava perdendo o jogo tático com Luxemburgo. O time inferior do Atlético estava fazendo tudo o que o professor mandou e se marcasse mais uma vez deixaria sua classificação bem encaminhada. Foi aí que Dorival resolveu tirar Marquinhos e colocar Rodrigo Mancha.

É evidente que o toque de bola caiu muito com a substituição. Mancha só passa de lado e demora meia hora pra pensar. Porém, com ele o Atlético teve menos espaço por ali e o Santos voltou a dominar o jogo. Por aí se vê que nem sempre ter jogadores ofensivos significa ter um time dominador.

No Santos, Paulo Henrique Ganso, Arouca, Wesley e Robinho foram os melhores, mas Pará e o goleiro Felipe não decepcionaram. No Atlético, Tardelli fez os três gols – um em claro impedimento –, mas o velocista Muriqui fez a diferença no primeiro tempo.

A expressão técnica do jogo foi, mais uma vez, Paulo Henrique Ganso. O homem está jogando demais. O lance do segundo gol do Santos tem de ser repetido desde o momento em que ele para a bola, pensa e decide tudo o que vem a seguir. Além de habilidoso, Ganso é cerebral. Deve ir pra Copa na reserva do Kaká, mas hoje está jogando melhor do que o titular.

Bem, quanto ao jogo de volta, na Vila, em que se classifica para a próxima fase se vencer por 1 a 0 ou 2 a 1, o Santos não só tem tudo para obter um resultado suficiente, como deve manter a média de três gols por partida. A defesa atleticana, quando apertada, confessa; o Atlético deixa de ser um galo valente quando está longe do grito de seus torcedores e Aranha, todos sabem, costuma também ter os seus dias de mosca.

 Bolão

Ninguém acertou o resultado de Atlético e Santos e ganhou os dois exemplares da revista FourFourTwo de abril. Mas domingo tem bolão especial, com a entrega do livro “O Grande Jogo” ao vencedor e duas revistas FourFourTwo ao segundo colocado. Vá pensando na final entre Santos e Santo André.

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Hoje, nas primeira das três palestras, sempre às terças-feiras, falarei dos Primórdios do futebol e fase pré-profissional. Copas de 1930 a 1954

Apresentarei uns vídeos fantásticos e darei informações que o ajudarão a entender melhor a influência do futebol do mundo e os bastidores das Copas.  

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