Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Month: maio 2010 (page 1 of 9)

SELESANTOS – Por Adriano Takeshi

Um Santos que poderia ser invencível, como foi o Barça na temporada passada.

SANTOS 2010, HIPOTÉTICO

—————Renan—————
————————————–
————–Durval—————
————————————-
——E. Dracena—–Léo——–
————————————-
————–Arouca————–
————————————-
–Wesley————-Zé Roberto
————————————-
———–P. Henrique———–
————————————-
—-Robinho———Neymar—
————————————-
—————André————–

E O BARÇA, CAMPEÃO DE TUDO NA TEMPORADA 2008/09 *

————-V. Valdez————-
————————————-
—————Puyol—————
————————————-
——Piqué————Abidal—-
————————————-
————–Y. Touré————
————————————
–D. Alves————–Iniesta–
————————————
—————Xavi—————
———————————–
—-Messi————Henry—-
———————————–
————–Eto’o—————

*jogou nesse esquema em algumas partidas do Campeonato Espanhol e da Liga dos Campeões.

CONFRONTO DOS JOGADORES:
nessa comparação, considero a fase atual dos jogadores santistas e a fase que atravessavam os jogadores da equipe catalã na temporada passada.

RENAN X VALDEZ – acredito muito no arqueiro revelado pelo Internacional. Já Valdez não faz jus à sua fama. EMPATE.

DURVAL X PUYOL – o espanhol é mais jogador, fácil. PUYOL.

E. DRACENA X PIQUÉ – embora o nosso veterano seja bom de bola, zagueiro clássico, o jovem Piqué é brilhante. PIQUÉ.

LÉO X ABIDAL – na minha opnião, o francês nunca foi mais jogador que Léo, ainda que tenha mais força física para dar combate. LÉO.

AROUCA X Y. TOURÉ – Na marcação, se equivalem, mas Arouca tem sua saída de bola em velocidade, rara característica na posição. AROUCA.

WESLEY X D. ALVES – No apoio pela direita, Dani Alves dá um banho em qualquer um. DANIEL ALVES.

Z. ROBERTO X INIESTA – Iniesta é um dos melhores do mundo, em qualidade técnica e condução de bola. Mas há de se respeitar o grande Zé Roberto. EMPATE.

P.H. GANSO X XAVI – Xavi é um armador de enorme classe, inteligência e precisão. Mas Ganso também é tudo isso, e é mais gênio. GANSO.

ROBINHO X MESSI – Claro que dá Messi, o argentino é o melhor do mundo. Curioso é que quando surgiram, Robinho era o mais promissor. No entanto… MESSI.

NEYMAR X HENRY – Aquele Henry que jogou no Arsenal rivalizaria de igual para igual com o jovem santista, talvez até o superasse. Mas entre o Henry de 2008/09 e Neymar 2010, não há dúvidas. NEYMAR.

ANDRÉ X ETO’O – Até o momento, André não dá sinais de que possa superar o camaronês. Este é mais veloz, mais goleador. É mais jogador. ETO’O.

RESULTADO FINAL
SANTOS 4 X 5 BARCELONA (2 empates).

SOBRE O CONJUNTO: o Barcelona tem um conjunto fantástico, que já está entrosado há um bom tempo. Num confronto hipotético esse fator poderia ser determinante, mas acredito que o conjunto desse possível Santos seria tão bom quanto o do Barça, pois também conta com jogadores versáteis, técnicos e velozes, características necessárias para a eficiência do esquema.

COMENTÁRIO: essa situação é uma hipótese, apenas, mas perfeitamente possível. São só dois jogadores – contratáveis – a reforçar o time do Santos, além, é claro, da difícil permanência de Robinho. Já a utilização desse esquema tático (3-4-3), seria inevitável. Zé Roberto viria para jogar, Robinho não sai do time. Tampouco Wesley. Mais provável, verdade, que Dorival camuflasse um pouco o esquema ultraofensivo, colocando Wesley na lateral-direita e puxando Zé Roberto para jogar de segundo volante. Entretanto, no decorrer da partida, pelas características dos jogadores, o esquema acabaria ficando parecido com o descrito no início, lá em cima. Observe:

————-Renan————-
———————————-
—-E. Dracena—Durval—–
————————–Léo—
———————————
Wesley——Arouca———
——————Zé Roberto-
———————————
———————————
——-P. Henrique———–
——————————–
Robinho———-Neymar–
——————————–
————-André———–

Desse modo, o Santos poderia ter o melhor time do mundo, bem próximo ao que foi o Barça na temporada passada.
A comparação de jogador por jogador foi feita para mostrar o potencial da equipe santista, tendo como parâmetro o mais alto futebol do Barcelona 2008/09. Só pra frisar: esse time é considerado por muitos o melhor Barça de todos os tempos.
Acharam a comparação absurda? O esquema tático inviável? Ou acham realmente que é possível o melhor clube do mundo ser um brasileiro?


Domingo é bicho certo?!?! – Texto de Fernando Ortega

Nunca escondi minha admiração pelas ácidas e necessárias palavras de Juca Kfouri. Poucos têm coragem e capacidade para falar sobre este esporte que tanto somos apaixonados. Que passamos a semana toda preocupados e que, no domingo, aperta ainda mais o sofrível coração – ainda tento me recuperar da final do Paulistão!

Quando começávamos a encantar o Brasil com nosso futebol, sob a regência de Giovanni em meados de 1995, Juca trouxe em sua coluna da Folha de S. Paulo uma grande página do futebol brasileiro, que abordava mais um belo clássico Santos x Corinthians, como o deste domingo.

Falava de um – suposto – diálogo entre Pelé e Coutinho, no qual ambos – que formaram um dos ataques mais brilhantes da história do futebol mundial – pontuavam que seria certa mais uma vitória sobre o Corinthians no jogo seguinte. Reapresento o diálogo exposto pelo Juca, sob o título de “Hoje o bicho é certo”:

“Coutinho, contra quem é o jogo hoje?”, ele perguntava em certos domingos ao acordar muito bem-humorado e com fome de bola ao seu companheiro de quarto na concentração.

“É contra o Corinthians, Pelé”, respondia Coutinho, centroavante fabuloso e o melhor parceiro que o rei teve em toda a sua carreira.
“Então é bicho certo”, decretava o Atleta do Século.

Hoje, 15 anos depois, nosso futebol moleque e atrevido entra em campo na tarde deste domingo com o ligeiro favoritismo da equipe que foi campeã do Paulistão, finalista da Copa do Brasil e o mais importante: o time que joga o futebol mais belo dos últimos tempos – e não me falem da Inter de Milão, pois está bem distante de nós (mas isso é um outro assunto para uma outra consideração).
Pondero que não será o fim do mundo caso percamos para o Corinthians no clássico. Nossa vitória, no entanto, realça todas as credenciais que fazem do Santos o time do momento. O time que reescreve a história do futebol.

Gostei da personalidade do Neymar na partida contra o Guarani, pelo futebol e por homenagear o Mádson – que vive um momento particular difícil, mas tem crédito com nossa torcida e é um jovem que merece nossos carinho, consideração e confiança. O Neymar já garantiu que, se preciso for, dá outro chapéu no Chicão.

Considero bobagem qualquer insinuação de que o Neymar está jogando gasolina no incêndio. O Neymar é um craque, um jogador alegre e diferenciado, que, com esta boa polêmica, demonstra que não está se escondendo para o grande clássico – muito pelo contrário. Pode desequilibrar mais uma vez. É o que esperamos!

Destaco, no entanto, que o time como um todo não fez uma boa partida na quarta-feira. Não sei se ainda foi seqüela dos problemas da semana passada, o mais importante, todavia, é não perder o foco: cada partida uma nova vitória, com respeito ao adversário, muitos gols e muitas danças da nossa alegre molecada.

Ah, por falar em danças… Também gostei da declaração do André ao afirmar que as famosas ‘Danças dos Meninos’ retornarão domingo. Não podemos esquecer que as ‘danças’ nasceram com, o então corintiano, Viola. Gol é festa! Gol é arte! Gol é música! Gol tem que ter dança… E muita dança dos Meninos da Vila!

Finalizo este texto apontando que a partida que Juca Kfouri fez referência em 1995, realizada no dia 19 de novembro de 1995 (o primeiro Dia Pelé da história), terminou 3 x 0 para nós. O jogo foi na Vila Belmiro e os gols foram de Camanducaia (2) e Gallo.
Neste 30 de maio de 2010, quando reencontraremos o mágico Paulo Machado de Carvalho, que compartilhou conosco a festa do título Paulista, o bicho é certo?! Não sei. O coração pede para que façamos 5, 6, 7, 8 gols. A razão pede ‘apenas’ uma vitória, os 3 pontos e a liderança do Brasileirão!

Ah, o bicho tem que estar certo…

Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com


Quando a carência cega… O que é preciso para ser ídolo do Santos? – Por Gerson Lima Duarte

Crédito da foto: Ricardo Saibun/Flickr Santos FC

Inspirado pelo “Pelé” do jornalismo santista, comecei a refletir sobre alguns conceitos defendidos de gratidão e idolatria do clube. Por ter nascido em 1981, vou estabelecer umas premissas para o seguimento do texto, mas gostaria muito que os santistas contribuíssem com relatos dos próprios ídolos e principalmente das gerações que não acompanhei.

Não irei falar dos jogadores que não pude acompanhar, direi da fase que acompanhei para frente o que seria aproximadamente dos anos 80 em diante. Foi a época mais difícil do Santos Futebol Clube até a virada do Século. Pelas contas, acredito que muitos poderão ver que minha infância se passou dentro de um longo jejum que passou a ser o pior depois que o Palmeiras ganhou o Paulistão contra o Corinthians em 1993. Poderia ser muito fanático e contabilizar as conquistas da Copa Denner de 1994, em cima do Botafogo, ou ainda a conquista do Torneio de Verão de 1996, com o gol de Kennedy em cima do Célio Silva do Corinthians, ou mesmo, a Copa Conmebol de 1998 (para mim uma das mais emocionantes conquistas da minha história com o Santos – assunto para outro post). Para mim, o jejum acabou no dia 15 de dezembro de 2002, dia em que o Santos foi campeão brasileiro.

Sofri e muito com diversos jogadores que vestiram a camisa santista que pareciam muito mais jogadores “espiões” que faziam de tudo para sabotar o bom futebol.

Vi o Santos trocar o César Sampaio (vice-campeão do mundo em 98) por Ranielli, Serginho Fraldinha e mais um jogador que confesso que não consigo lembrar, mas até acho que deve ser por causa do trauma que os outros dois me causaram. Só exemplifiquei para demonstrar o tamanho de nosso trauma quanto à falta de ídolos.

Nos anos 80, o Santos montou um time forte, Trouxe Serginho Chulapa, Rodolfo Rodriguez (o monstro) e o Santos conseguiu ser Campeão Paulista. Rodolfo Rodriguez para mim foi um exemplo que tive quando moleque e tinha que cumprir rodízio e jogar até tomar um gol nas peladas da vida. Ele jogou até 88, ou 89 no Santos e deixou muitas saudades. Não lembro, mesmo depois de ter saído do Santos, deste ter falado ou até reclamado do Clube que o projetou no futebol brasileiro. Tanto foi verdade que foi eleito um dos maiores jogadores da história do Santos Futebol Clube.

Serginho Chulapa foi o ícone da conquista de 1984 por ter marcado o gol que consagrou a conquista santista. Mesmo vindo de um clube rival, Chulapa conseguiu e consegue até hoje ser ídolo nos dois clubes em que passou, mesmo com um temperamento bastante explosivo.

Depois de “Copertinos, Camilos,  Sérgios Manuéis, Camanducaias, Índios, Marcelos Fernandes, Raniellis e tantos Fraldinhas”. O Santos teve alguns bons lampejos com Guga e Paulinho Mclaren, mas nada à altura do castigado coração santista.

Chegamos à geração de 1995, sim um time que “do nada”, deu liga e foi vice-campeão Brasileiro com G10vanni, Robert, Jamelli, Narciso, Carlinhos, Marquinhos Capixaba, Ronaldo Marconato, Marcos Adriano, Edinho, Camanducaia e Marcelo Passos.
Até por fruto de tamanha ausência, o jogo contra o Fluminense foi marcante para a nação santista e para mim também. Tenho muito carinho pelo G10vanni e pelo Robert (injustiçado pela falta de lembrança do campeonato de 2002) por terem promovido toda aquela rebelião e trazer a nação santista de volta ao sonho de ser campeão. Apenas para ilustrar, o Milton Neves correu na praia vestido de papai noel para agradecer aos céus o feito. Esta geração, ou estes jogadores, com exceção do messias, viraram ídolos do clube sem serem campeões pelo clube.

Não preciso dizer, que os tempos depois de 1995, foram muito tristes para a nação santista, faltaram jogadores e planejadores à altura do sonho santista. Passamos,  perto em 1998, com um terceiro lugar no campeonato brasileiro, e um vice-campeonato no Paulista de 2000, mas sem lembrar ao certo de jogadores que marcaram nossa história.

Em 2000, veio para o clube Fábio Costa, após boa passagem pelo Vitória da Bahia ele veio para substituir Carlos Germano, então goleiro titular do time santista.

Sempre polêmico, foi personagem importante na arrancada final para o título de 2002. Era um goleiro de feitos extraordinários e bizarros. Do mesmo jeito que foi um dos protagonistas do título de 2002, entregou de mão beijada, com ajuda do Paulo Almeida, a Libertadores de 2003 após duas partidas desastrosas contra o Boca Juniors.

Brigou com a diretoria no final de 2003 e assinou com o Corinthians. Desde a sua apresentação, fez questão de diminuir ou tornar ridículo o tempo em que foi jogador do Santos. Depois de ser chamado de mercenário pela torcida do Corinthians, voltou ao Santos jurando amor eterno, conquistou mais dois paulistas e muitas polêmicas até então. É um dos ídolos do clube, mesmo sendo protagonista do bem e do mal.

Fábio Costa à parte, temos uma geração vencedora nos anos de 2002 a 2004, coincidência ou não, os ídolos são justamente os protagonistas desta conquista épica. Léo, Renato e Elano, Alex e principalmente Diego e Robinho os dois que merecerão atenção especial.

Estes jogadores foram lançados por Celso Roth em 2001 e além de serem os protagonistas principais da conquista de 2002, tiveram em comum o fato de pressionarem a diretoria santista a sempre obter benefícios pessoais em virtude da fase vivida. Diego teve presença marcante de seu pai como empresário, procurador nas notícias em que sempre buscava um aumento para seu filho ou “trazer alguma proposta” do exterior e acabou saindo em 2004, sob  a ameaça do pai de que se não fosse agora, ele não renovaria seu vínculo com o Santos. Pressões paternas à parte, Diego nunca entrou  em polêmicas com a diretoria e sempre evitou discursos conflitivos. Foi para o Werder, fez boas temporadas, mas acredito que nunca foi aquele “menino da vila”. Hoje está na Juventus com o destino incerto. Robinho foi um pouco diferente. Quando foi interessante renovou o contrato com o Santos, depois de propostas trazidas pelo seu empresário, quis quebrar o contrato a todo custo em 2005. Recusou entrar em campo, sumiu. Reclamou protestou, até o presidente à época foi alvo das declarações de Robinho. Com tanta pressão, ele saiu do Santos e teve passagens discretas por Real Madrid e Manchester City. Voltou por empréstimo ao Santos. É um dos maiores ídolos da história santista segundo pesquisa realizada.

Depois desta época áurea, tivemos Zé Roberto, para mim um exemplo de atleta a ser seguido dentro e fora de campo. Um dos jogadores mais completos que vi jogar. Atuou na sua carreira, com maestria em todas as posições do meio campo, sendo castigado apenas com a pífia campanha da Seleção em 2006, merecia e muito um título mundial. Foi sempre um jogador muito claro em suas posições com a diretoria. Infelizmente a eliminação em 2007 e uma proposta milionária o levaram da Vila.
Coloquei alguns exemplos de jogadores que marcam minha passagem na vida do Santos Futebol Clube e não consigo concordar com alguns conceitos de ser ídolo do clube.

Não vejo Robinho e Diego, por exemplo, como ídolos do clube. Foram jogadores que, nas primeiras oportunidades que tiveram para mostrar o amor ao clube, fizeram justamente o oposto. Não consigo associar a conquista de títulos, ainda que sejam conquistas históricas ao status de ídolo. Perdemos muitos títulos com as atitudes destes atletas. O Santos poderia dar passos muito importantes na exploração e desenvolvimento do marketing com a manutenção dos atletas no elenco, mas a cobiça matou a oportunidade. Nada justifica a atitude dos atletas. O Santos foi relegado ao segundo plano e isto um ídolo não pode fazer jamais ao clube.

Vejo G10vanni como ídolo do clube, exemplo de postura, mesmo quando afastado, manteve em seu coração o carinho pelo clube. Sofreu sim, mas quieto, mostrou um respeito que o “amor de um milhão de reais” não tem pelo clube.

De igual maneira, vejo muito mais o Fabio Costa como um vilão do que como ídolo. É inadmissível um atleta falar o que ele falou, do clube em um momento em que ele apenas pensou no lado financeiro, sem respeitar a história e a camisa de um clube. Vejo mais uma situação de interesse. Pouca procura, aumenta-se o amor pelo clube, quando teve propostas, não teve dúvidas ao trocar e desrespeitar o clube que de fato o colocou no cenário dos melhores goleiros do país. Até admitamos que a diretoria da época tenha errado na análise de sua situação. Nada disso justifica as atitudes por ele tomadas.

Para concluir, entendo que a grandeza do Santos exige ídolos com condutas como as de Rodolfo Rodriguez, G10vanni, Zé Roberto, condutas condizentes com a grandeza do clube.  Entendo que houve muitos traumas para esta geração que pegou a fila durante sua infância, mas, não será por isso, que o Santos terá que admitir atletas mercenários que não mostram respeito pelo clube como ídolos, só por serem de gerações vencedoras. Qualidade técnica sim, mas respeito ao Santos é muito mais do que requisito. É obrigação. Amigos Santistas, esta é minha opinião baseada nos pontos que salientei, agora para você, o que um jogador precisa para ser ídolo do Santos? Dê a sua opinião, conte sua história, defenda seu ídolo.

Saudações Santásticas a todos

Por Gerson Lima Duarte


RAIO-X, O Paradoxo dos Grandes Times – Texto de Adriano Takeshi

Diante de uma temporada irretocável, o Santos firma-se como a principal equipe do país. Em qualquer certame regional, e mesmo nas Copas do Brasil e da Libertadores, não foi visto um time que tenha tanto poder de fogo, que seja tão capaz de conseguir os resultados que o favoreçam.
Campeões estaduais, Grêmio e Atlético Mineiro desafiaram seu poderio, e ambos caíram,estafados, na Vila Belmiro. O mesmo aconteceu com o semifinalista da Copa Libertadores, o São Paulo. Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Corinthians já decepcionaram seus torcedores em mais de um momento.

No caso do Santos, mais importante que os resultados é a maneira como foram conquistados. Essa equipe alcançou o status de “Grande Time” porque tem os dois elementos básicos e paradoxais do futebol, que todos os grandes times tiveram: individualidade e coletividade.
Incontestáveis, as duas pedras preciosas da nova safra conduziram um estilo de jogo que muitos julgavam suicida. Não fosse o faro artilheiro do garoto de 18 anos e a maestria do camisa 10, esse esquema jamais daria certo. Sempre que exigidos, no entanto, os dois corresponderam com atuações decisivas.

Juntos, eles possuem algo em torno de 40 gols e 25 assistências no ano. Os dribles de um toque só, a rápida mudança de trajetória, e o jeito de bater na bola de Neymar não lembram outro que não Lionel Messi. Já o ofício de armar as ofensivas, o porte privilegiado que denota toda categoria e elegância nos movimentos do corpo, e os recursos intermináveis de Paulo Henrique Ganso só encontram espelho nos grandes armadores do passado, cujo último raro representante foi Zinedine Zidane. Dois jogadores dessa categoria atuando juntos representam um bônus de imprevisibilidade gigantesco.

Da mesma forma como o esquema jamais daria certo sem Ganso e Neymar, as duas joias santistas dificilmente estariam jogando tanta bola sem o apoio de uma equipe tão organizadamente técnica e veloz.

Quando funciona, o criticado sistema defensivo santista é um dos mais eficazes: a pressão dos atacantes na saída de bola, a dedicação dos meio-campistas e o posicionamento adiantado da defesa geralmente levam o adversário a trocar passes sem objetividade e sem espaço, lá atrás. Soltam a bola, então, sob pressão, facilitando o trabalho dos experiente zagueiros, cuja principal virtude é antecipar as jogadas. Assim, ao recuperar a bola, menos jogadores adversários estão atrás de sua linha. Aliando esse posicionamento compacto na defesa à qualidade técnica e à velocidade na retomada, esses jogadores constituem um sistema de jogo que ainda não foi superado.

Os dois volantes, fundamentais nas duas frentes, Robinho, peça chave na seleção brasileira, e André, o garoto artilheiro que faz a parede magnificamente, são coadjuvantes que dizem alguma coisa sobre o nível da equipe.

O torcedor já está na expectativa da tríplice Coroa, feito admirável por sua dificuldade, mas ele pode ficar tranquilo. Mesmo que os títulos da Copa do Brasil e do campeonato Brasileiro não venham, esse Santos sempre será lembrado como um Grande Time.

Por Adriano Takeshi


O real preço da punição – Texto de Fernando Ortega

A última quinta-feira não foi das mais felizes pelos lados de nosso Centro de Treinamento. O excesso de felicidade em razão de mais um aniversário de Mádson e a peraltice juvenil fizeram com que Paulo Henrique, Neymar, André e Mádson chegassem depois do horário combinado e criassem um estresse no time do Santos.

Tal atraso gerou duas punições aos nossos mais talentosos jogadores:1) uma multa pecuniária sobre os salários; 2) o corte da delegação que enfrentaria o Atlético Goianiense, no sábado, pelo Brasileirão.

Há muitas considerações que precisam ser feitas.
Nossos alegres Meninos falharam ao chegarem atrasados. O que é combinado não é caro e não cabe a nós – gente de fora – avaliar se Dorival Júnior e a diretoria estão certos ou não se solteiros devem se concentrar antes ou depois dos casados ou se a concentração deve ocorrer apenas na sexta-feira.

O que precisa ser discutido é o quilate da punição: tirar nossos melhores jogadores de uma partida é a decisão mais acertada? Para o Atlético Goianiense possivelmente foi. Bem como seria para qualquer outro adversário que nos enfrentasse sem nossa espinha dorsal – os jogadores mais talentosos, competentes e alegres do futebol mundial no momento.

Outra importante ponderação: nossos atletas chegaram bêbados? Não, não chegaram. Nossos atletas fizeram arruaças pela cidade? Não, não fizeram. Nossos atletas fizeram algo que manchasse a reputação de nosso time ou as próprias como jogadores? Não, não fizeram.
Logo, faltou jogo de cintura tanto ao técnico como a nossa competente diretoria ao tornar público este leve ato de indisciplina. Não é porque estavam o Neymar e o André, ou o Paulo Henrique. A indisciplina foi mínima. Bastava punir os bolsos de nossos atletas que o efeito pedagógico seria muito maior e nossos adversários não ficariam tão à vontade com tal punição.

Não importa se a punição fosse ao Neymar, ao Paulo Henrique, ao aguerrido Pará ou ao nosso goleiro Felipe. Seja quem fosse!
Digo isso porque há uma ‘quase’ certeza de que se essa falta disciplinar ocorresse ás vésperas da final da Copa do Brasil, nossos atletas estariam em campo. Ou estaríamos sem o título! Fácil escolha, portanto!

A condução que o episódio teve levou Paulo Henrique a externar uma crítica justa – quando também não deveria ter se manifestado. E o André, Mádson e Neymar apareceram na Rede Globo dando entrevistas com um leve sorriso, do tipo ‘ah, demos uma aprontadinha mesmo’.
Resumindo: penso que o real preço da punição não foi alcançado!

Agora é aguardar que esta indisposição não estremeça a boa relação que Dorival tem com os jogadores e que o futebol moleque – atrevido, peralta, com fome de gols e sorridente – volte a campo na quarta… E domingo contra nosso eterno rival-freguês!

Por Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com


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