Minha mulher é testemunha. Preveni que ao contrário do Grêmio, era o Santos que deveria se empenhar mais quando vencia por 2 a 0, pois um gol incendiaria o Olímpico e fatalmente mudaria o jogo. De um time que fez um primeiro tempo maravilhoso, o Santos mal tocou na bola até que o Grêmio virasse para 3 a 2, em uma reação que é típica do time gaúcho.

Com Jonas em grande fase, Douglas armando o jogo com a categoria de sempre e as presenças de Borges e Hugo, o Grêmio dominou totalmente a segunda etapa até chegar a 4 a 2. Naquela altura, não seria surpresa de o campeão do Sul fizesse mais dois ou três gols, tamanha sua superioridade e facilidade para entrar na defesa santista.

Mas depois o Grêmio deve ter cansado, ou achou que o resultado já garantia uma boa vantagem no jogo de volta. Foi um erro. Como aconteceu em Belo Horizonte, Paulo Henrique Ganso enfiou um passe espetacular para Robinho, que matou no peito e fez o gol mais bonito da partida.

Os 4 a 3 foram muito comemorados pelos gremistas, mas nem tanto. Eles sabem que segurar o empate na Vila Belmiro será uma tarefa árdua. Mas os santistas também ficaram com a pulga atrás da orelha. De um jogo que ao final do primeiro tempo parecia caminhar para uma vitória tranqüila, veio a derrota e agora a necessidade de vencer na próxima quarta-feira.

Com a volta de Neymar, o Santos fatalmente criará muitas chances de gol na Vila e poderá vencer, claro, mas este Grêmio também tem um bom poder ofensivo e não deverá só se defender no jogo de volta. Enfim, a classificação está em aberto.

10 lições do jogo

1 – Como mostrou no primeiro tempo, o Santos atinge todo o seu potencial quando faz marcação por pressão, na saída de bola do adversário, e consegue o domínio da mesma. Porém, torna-se uma equipe vulnerável quando é marcada das mesma maneira. E se estiver ganhando o jogo, então, entrega-se mais facilmente à marcação adversária, o que sempre acaba sendo fatal.

2 – Espero que Dunga tenha visto o jogo, pois a partida mostrou que nem sempre um time se torna mais protegido na defesa com a entrada de um volante. Marquinhos, mesmo cansado, sabe segurar a bola, erra poucos passes e dá uma tranqüilidade ao meio-campo do Santos que impede o avanço do adversário. Rodrigo Mancha foi um verdadeiro desastre. Culpado direto nos dois primeiros gols do Grêmio, e substituído logo depois, não deve mais atuar no Santos. Ele destoa muito dos outros jogadores do meio para a frente.

3 – Silas é mesmo um grande técnico. Mudou o jogo do primeiro para o segundo tempo. Com os “paulistas” Hugo, Borges, Jonas e Douglas criou um esquema que camufla as fraquezas do time e o torna muito perigoso, principalmente quando joga em casa. Seu teste de fogo será a partida de volta, na Vila Belmiro.

4 – Não tem jeito. O Santos para quando tem uma boa vantagem. Depois dos 2 a 0 o time perdeu gols, jogou com certa displicência e permitiu ao Grêmio, como se diz “gostar” do jogo. Tudo bem que Rodrigo Mancha deu uma baita mão ao adversário, mas a verdade é que o Santos já não estava bem quando ele entrou.

5 – Já estamos quase no meio do ano e Dorval e Edu Dracena parece que ainda não se entrosaram direito. De repente aparece um atacante na cara do gol, livre. Assim fica difícil manter o resultado.

6 – Ganso não mostrou nenhum abalo com a não-convocação, mas o mesmo não se pode dizer do goleiro Victor, do Grêmio. Hoje não foi o mesmo dos seus melhores dias.

7 – Felipe fez um primeiro tempo maravilhoso. Os melhores 45 minutos que já tinha jogado pelo Santos. Mas na segunda etapa não pegou mais nenhuma bola.

8 – Robinho não estava bem. Pode-se dizer que tinha sumido em campo no segundo tempo. Mas o golaço que fez pode ter sido decisivo, pois agora na Vila o Santos se classificará com vitórias 1 a 0, 2 a 1 e 3 a 2.

9 – Dorival Junior tem demorado para fazer algumas substituições. Léo estava cansado e não conseguia mais acompanhar os atacantes do Grêmio pelo seu setor. Só depois que o Grêmio fez o gol de empate por ali é que ele substituiu o veterano lateral.

10 – Como eu disse no post de ontem, o Santos deveria jogar em Porto Alegre como se fosse o jogo único e decisivo. O receio de todo santista era de que o time cochilasse, como faz às vezes, o que infelizmente aconteceu. Credito à imaturidade da equipe, além, é claro, do poderio do Grêmio, esta virada histórica conseguida pelos gaúchos. Que fique a lição e que na Vila Belmiro o Santos seja um time tão raçudo como foi o Grêmio no Olímpico.

E você, querido leitor e leitora deste blog, o que achou da partida e dos jogadores? Queremos conhecer sua opinião.