Tipos de volantes que certamente interessariam ao Santos…

Não tenho deixado de notar algumas falhas e inseguranças do técnico Dorival Junior, mas deixo claro que o apoio e quero que continue por anos a fio na Vila Belmiro. Na verdade, ele tem tirado o máximo do elenco que tem. O que mais poderia ter feito ontem?

O Santos fez um ótimo primeiro tempo, com os atacantes marcando a saída do Grêmio e partindo rapidamente para o ataque quando recuperavam a bola. Até aí tudo bem. Mas alguém já pensou que se fosse possível fazer isso durante os 90 minutos, todo time faria?

Atacantes se cansam de correr atrás dos outros e ainda correr com a bola nos pés. Por isso, não é de se admirar que no segundo tempo André, Robinho e Ganso, além de Marquinhos e Arouca, estivessem mais lentos, principalmente na primeira metade do período, justamente quando o Grêmio se aproveitou para virar para 3 a 2.

O ideal seria substituir três deles por outros de mesmo nível. Mas quem? Não há. Então, em uma alternativa elogiada pelo comentarista do Sportv, Dorival fez o que deu certo em Belo Horizonte: colocou Rodrigo Mancha em campo. Quem poderia adivinhar que o jogador tropeçaria duas vezes na bola e com isso cederia os dois gols iniciais do campeão gaúcho? Além de falta de categoria, foi muito azar.

Que outro jogador de meio-campo Dorival tem à sua disposição? Germano? Roberto Brum? Rodriguinho? O novato Breitner? Percebe-se que não há um substituto à altura de Marquinhos. O jeito é deixá-lo em forma para que agüente correr os 90 minutos.

Por outro lado, as dificuldades do Santos nos últimos jogos são normais, visto que têm sido decisivos e contra equipes de maior categoria do que a maior parte dos adversários anteriores do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Quando a competição se afunila o nível cresce. Básico.

Não costumo pedir a demissão de técnicos, pois a troca constante de treinadores é uma das causas das eternas crises que afligem certas equipes. Que Dorival aprenda a lidar com este elenco e que saiba indicar jogadores que venham enriquece-lo. No mais, é um técnico perfeito para o Santos pela liberdade que dá aos jogadores e pelo apoio aos Meninos.

Só precisa cuidar um pouco mais da disciplina. Ganso querer continuar em campo na final do Paulista deu certo, mas já foi meio estranho. Agora, a maneira como Mancha se comportou depois de substituído, socando o banco de reservas como um alucinado, merece um papo particular. Se a moda pega, o técnico se sentirá em saias justas cada vez que tiver de mexer no time

Jogo como o de ontem faz parte do processo

Não vi nenhum absurdo na maneira como o Santos perdeu ontem, depois de um ótimo primeiro tempo. Revendo o jogo, percebi que o Grêmio sempre foi ofensivo e já poderia ter feito no mínimo dois gols na primeira etapa. A diferença para o segundo tempo é que o técnico Silas ajustou a marcação do time, sem lhe tirar a força de ataque.

Mas quem conhece a história do Santos sabe que mesmo o Time dos Sonhos teve o seu longo ritual de passagem até se tornar o que foi. Em 1955, por exemplo, quando os Meninos Pepe, Del Vecchio & Cia caminhavam para o primeiro título paulista desde 1935, o Santos sofreu uma derrota espetacular para a Portuguesa, em São Paulo: o time perdeu de 8 a 0 em um jogo limpo, sem nada a reclamar. Pois o técnico Lula foi mantido e o Alvinegro se tornou campeão.

Uma derrota como a de ontem faz parte do processo que levará o Santos a ser o time que todos os santistas almejam. As lições devem ser aprendidas com calma. Será que é preciso que ao menos um dos zagueiros seja mais rápido, tenha maior poder de recuperação? Será que os laterais apoiam muito e marcam pouco? Será que o meio-campo deixa o miolo da zaga muito exposto? Será que Felipe se coloca mal e por isso toma gols de longe (Robert, do Palmeiras; aquele contra o Mogi Mirim; Jonas, ontem…)?

O certo é que não dá para desfazer tudo o que foi feito a cada derrota. Que se detectem os pontos fracos e que sejam fortalecidos. Simples assim.

O mito do volante limitado

Volante virou sinônimo de jogador limitado. Mas não precisa ser assim e o Santos não deve mais contratar jogadores de pouca técnica, mesmo para uma posição em que se acredita que destruir chega a ser mais importante do que criar. Não combina com o DNA do santos ter jogador grosso vestindo sua camisa.

É possível marcar bem e ter categoria. A história do futebol está repleta de jogadores que faziam as duas coisas maravilhosamente. Beckenbauer, Falcão, Clodoaldo, Zito, Dudu, Toninho Cerezo, Zé Carlos (Cruzeiro) e muitos outros não só roubavam a bola, como sabiam o que fazer com ela. É este o perfil de jogador que deve interessar ao Santos. Arouca é uma prova de que ser volante não significa ser grosso.

Ganso dá asas ao Santos

Poucas vezes a expressão “maestro” caiu tão bem em um jogador como a Paulo Henrique Ganso neste Santos. Ele tornou Robinho, titular da Seleção de Dunga, apenas um coadjuvante esforçado. Suas assistências são um show à parte. Deu a André e Robinho dois dos três gols do Santos ontem. O segundo, com um nível de dificuldade altíssimo, pelo alto, com curva, pegando o atacante santista na posição exata para matar no peito e estufar as redes de Victor (gol que pode ter sido decisivo para a classificação para a final, repetindo o que já tinha feito em Belo Horizonte contra o Atlético).

Se Dunga realmente está tão preocupado com a cobrança da opinião pública caso perca a Copa, então não foi inteligente ao preterir Ganso e Neymar e levar jogadores como Josué e Júlio Batista, cujas ausências não causariam a menor comoção popular. Com os dois santistas na lista dos 23 as críticas ao seu trabalho seriam muitíssimo menores e ele não correria o risco de ter de mudar de profissão caso volte derrotado da África.

Flamengo e São Paulo, duas surpresas. Mas só uma boa…

A derrota do Flamengo para o Universidad do Chile, no Maracanã (3 a 2), provou que o time mereceu mesmo ser o último dos classificados e, por tabela, provou também que o Corinthians, eliminado pelo time carioca, não podia ter sido considerado favorito para o título da Libertadores.

Já o São Paulo… Ah, o São Paulo. Valeu a pena insistir para ter Fernandão. O novo atacante fez uma estréia maravilhosa, deu os passes para os gols da vitória por 2 a 0 e deixou o Tricolor bem perto das semifinais da competição sul-americana. Agora, só um milagre fará o Cruzeiro eliminar o São Paulo no Morumbi.