Caros amigos, como o Odir já havia explicado, durante sua ausência contaremos com a colaboração e contribuição de nossos leitores. Em breve ele deve se estabelecer em Paris e ter acesso à internet, mas as contribuições continuarão sendo bem-vindas.

Estreando as colaborações, temos um texto do Gerson Lima Duarte. Agradecemos a ele e a todos que vierem a participar, compartilhando um pouco de seu tempo, opinião e conhecimento conosco.

O que falta para o Santos ratificar a condição de melhor time do país ou do mundo?

Após um início de desconfiança, ainda sob os traumas de mais uma saída de Vanderlei Luxemburgo, desta vez mais traumática, o Santos sob a tutela de Dorival Júnior, buscou jogadores de forma correta e sua psicologia aplicada em um grupo desacreditado deu certo. O Santos se recuperou, passou a jogar um futebol diferenciado e virou sensação.

Sempre tivemos restrições ao trabalho do Dorival, vez que ao vê-lo no comando do São Caetano em 2007 ele “entregou” o campeonato ao Santos no momento em que errou ao escalar o meio campo do Azulão com os “aguerridos” Douglas e Canindé (esse mesmo que jogou no Santos). É certo que ele ganhou alguns estaduais e fez um bom trabalho na segunda divisão com o Vasco da Gama, mas nenhuma das conquistas o coloca no rol dos grandes treinadores, em minha opinião. Achamos que a contratação ocorreu pelo fato de grandes técnicos e promessas já terem acertado com outros clubes, fato que foi corroborado pelas eleições do clube que impediam qualquer decisão neste sentido.

O trabalho inicial de Dorival foi excelente, já que afastou do grupo atletas desagregadores e jogadores que usaram o clube para trampolim pessoal. Algumas “parcerias” de gosto duvidoso foram afastadas e alguns dos jogadores trazidos por Dorival acertaram o time. Faltou ao treinador, ou sorte, ou melhor, análise para a composição do banco de reservas, pois o banco nunca esteve à altura do time titular.

Nos primeiros jogos o Santos penou pelos resultados, mas mostrava sinais claros de evolução. Estes sinais foram entendidos pela Diretoria como uma necessidade de trazer mais reforços, tanto que a contratação do Robinho que seria feita em algumas condições menos onerosas, se não fosse o excessivo interesse do clube alvinegro. A melhor partida do alvinegro foi o primeiro clássico contra o São Paulo, em que o time esteve muito equilibrado, principalmente no primeiro tempo. Depois desta vitória convincente, o Santos passou a ser muito badalado.

De um time desacreditado o Santos passou a ser o time a ser batido, o futebol do time evoluiu, mas o comando técnico estagnou. O treinador sucumbiu às pressões externas e não conseguiu montar um time equilibrado. O Santos não tem um esquema tático que proporciona conforto na defesa e no ataque. Para acertar o Robinho no time, por pressão externa, abdicou de uma formação mais sólida. Tentou tirar o Marquinhos do meio campo e não deu certo (Portuguesa) e sacrificou um dos volantes (Rodrigo Mancha/Wesley) para jogar com três atacantes. Tanto é verdade que o Santos não conseguiu ganhar de times com o mínimo de organização tática e passou a tomar muitos gols em jogos importantes e mesmo em goleadas. Os zagueiros são lentos e os laterais não se acertam no time, independente da formação escolhida.

Falta equilíbrio ao time e faro de campeão ao treinador. Não que seja fácil, mas com certeza é menos difícil pegar um time sem pretensões e fazê-lo campeão, do que pegar um franco favorito e colocá-lo na mesma condição. Neste ponto, vejo a grande falha do Dorival, ele viu o elenco crescer, a qualidade do futebol aumentar, mas ele não soube e não sabe mostrar controle e potencializar ainda mais o crescimento dos atletas.

Nos jogos decisivos, senti como preocupação, o que vi como alívio, na final de 2007. Ele enfrentou um time inferior tecnicamente, com bons jogadores, mas que vieram taticamente e tecnicamente muito preparados para decisão, embora isto pareça óbvio.

Já no primeiro jogo contra o São Paulo, o time mostrava uma instabilidade crítica e tomou gols em poucos minutos, sendo certo que só conseguiu aplacar a pressão tricolor nos 35 do segundo tempo, quando o tricolor cansou. Há outros exemplos, como Palmeiras e Portuguesa, mas o texto ficaria longo de mais para explicar cada contexto tático.

Dorival se perdeu nos jogos das finais. No primeiro jogo, contou com um “azar”, pois Neymar teve aquela lesão ocular após sofrer pênalti não marcado, o que fez com que o treinador fizesse o óbvio, contra um time que joga com três zagueiros, botar um centroavante para confundir a sobra dos marcadores. André entrou e mudou a partida. Robinho teve uma atuação discreta, mas foi melhor do que nas partidas anteriores. Mesmo assim, com um placar que asseguraria o título, o Santos se deu ao luxo de tomar um gol e fechar a primeira partida por 3 a 2. No segundo jogo, um total desequilíbrio e um nó tático dado por Sérgio Soares. Novamente pressionado por ter que manter Robinho no time, André foi novamente sacrificado e o óbvio aconteceu, depois de reiterados vacilos da defesa e expulsões que beiram a imbecilidade, o Santos conseguiu perder uma partida que tinha tudo para ser tranqüila e foi campeão de forma heróica.

No Mineirão e Olímpico, a história se repetiu, uma instabilidade inexplicável, dificulta o caminho do Santos a mais uma conquista inédita. Tomar 4 gols em 20 minutos é coisa de time amador. Culpar unicamente a atuação desastrosa de Rodrigo Mancha é muito pouco. Observamos claramente que, não há um estudo prévio dos adversários e suas principais jogadas, como ocorria no começo do Campeonato Paulista. Contra o Botafogo (time de chuveirinho), gols de cabeça. Contra o Galo (Tardelli dependente) 3 gols em uma partida que o Santos teve mais chances de gol. A final do campeonato nem se fale, todos os principais jogadores do Santo André deitaram e rolaram.

Observamos, ainda, claramente que o discurso entre diretoria, comissão técnica e jogadores não está afinado há algum tempo.

É inconcebível o treinador relacionar jogadores que a diretoria negocia como no caso do Germano. É óbvio que o atleta não estava focado no mais importante que era o jogo.

Não vejo com bons olhos a diretoria buscar alternativas para o elenco de forma tão declarada às vésperas de um jogo importante da Copa do Brasil.

Discordo frontalmente da participação dos atletas santistas em programas de TV às vésperas da partida mais importante do ano.

De tudo isso posso claramente concluir e aí fica uma pequena reflexão. Mudamos a gestão do clube em um processo democrático por justamente achar que o antigo presidente delegava funções de direção do clube a terceiros inescrupulosos. Reclamávamos que o clube era refém de jogadores e empresários. De tudo o que vejo, apesar das mudanças, é um Santos perdido, sem comando e a direção sem saber o que fazer, pois os jogadores já colocaram uma nova ordem no clube. E por sinal uma ordem presunçosa e muitas vezes desrespeitosa, contra a própria diretoria, torcida e adversários, o que mostra muita imaturidade do grupo santista. Pontuamos alguns aspectos que vejo necessários para o total e pleno desenvolvimento do grupo santista. Gostaria de saber a opinião da nação, por que um calvário tão grande e desnecessário para se ratificar como uma força nacional e mundial do futebol?

Um abraço a todos

Por Gerson Lima Duarte