Hoje tem festa do futebol na Vila? Aposto que sim...


Na última quarta-feira, ao final do primeiro tempo, o comentarista Maurício Noriega, do Sportv, disse que Atlético/MG e Santos faziam um jogo mais bonito do que Barcelona e Internazionale, que naquele mesmo dia jogaram pela Liga dos Campeões. Não vi o confronto dos grandes da Europa, mas confio que a partida do Mineirão tenha sido realmente mais bonita.

Havia em campo no mínimo oito jogadores que tratavam a bola com desvelo, e os técnicos Luxemburgo e Dorival Junior não armaram retrancas, como o babalado Mourinho fez em Barcelona.

O Atlético tem jogadores com muita categoria e habilidade, como Ricardinho, Junior e Diego Tardelli, e quarta-feira ainda contou com grandes atuações de Correa e Muriqui.

O Santos, mesmo sem Neymar, tinha o genial Paulo Henrique Ganso, além de Robinho, Marquinhos, Wesley, Arouca, André… Foi um jogo bonito de se ver, sem dúvida. A bola saiu do campo sem nenhum arranhão, como se os jogadores atuassem de pantufas.

Que o medo não vença a ousadia

Hoje, na Vila, espero ver o mesmo grande jogo do Mineirão. Para isso é preciso que o medo não vença a ousadia. Os dois times precisam muito de um título na Copa do Brasil e a eliminação seria uma pequena tragédia. “Pequena” porque to título estadual, domingo, amenizaria o fracasso. Quando a obrigação de vencer é maior, a beleza dá lugar à tensão e o nível do espetáculo cai.

Porém, mesmo nos jogos de maior nervosismo, o Santos tem conseguido jogar bem e bonito. Algo me diz que isso se repetirá hoje. Quanto ao Atlético, esta será a sua prova de fogo este ano, já que até agora a sua maior façanha foi o título estadual, facilitado pelo fato de o Cruzeiro ter realizado partidas decisivas com o time reserva.

Dorival Junior deve escalar a equipe com apenas Neymar e Robinho no ataque e quatro no meio: Arouca, Wesley, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso. Sei que o torcedor prefere três atacantes, com a entrada de André, a deslocação de Wesley para a lateral-direta e a saída de Pará. Mas não é mesmo bom se expor muito contra um time dirigido pelo matreiro Luxemburgo, que para obter uma classificação na Vila pode até apelar para um esquema mais defensivo.

Alguns acham que na hora da estratégia, Luxemburgo, mais experiente e vitorioso, pode levar vantagem sobre o emergente Dorival Junior. Eu lembro que o técnico do time mineiro só foi campeão com grandes elencos e mesmo com eles sofreu eliminações constrangedoras na Copa do Brasil: para o Asa de Arapiraca, quando estava no Palmeiras, e para o Ipatinga, no Santos.

Hoje o Santos terá mais posse de bola e criará mais oportunidades de gol. Imprimirá um ritmo forte ao jogo e, se não se descuidar das escapadas de Muriqui, do oportunismo de Tardelli e dos lançamentos de Ricardinho, já deverá terminar o primeiro tempo na frente.

Não acredito em um clima de guerra na Vila. Essas provocações de jogadores e torcida ao longo da semana não tiveram nada de anormal. São dois times campeões que, no momento da comemoração, falaram além da conta. Nada mais e nada demais.

Acredito, sim, que possamos ver na Vila, a partir das 21h50m, a reedição de um futebol que muitos já davam por extinto. Espero habilidade, elegância, precisão e muito talento. E algo me diz que não sairei decepcionado.
Enquanto isso, no Pacaembu…

Corinthians e Flamengo têm também jogadores capazes de um futebol bonito. Mas as circunstâncias dão ao jogo do Pacaembu um grau tão elevado de dramaticidade, que duvido que se consiga jogar muito melhor do que a pelada que se viu no Maracanã.

Há muita coisa em jogo nesta partida, principalmente para o Corinthians, que este ano apostou todas as fichas na conquista da Copa Libertadores, mas até agora não conseguiu um futebol sequer capaz de qualifica-lo para a s semifinais do Campeonato Paulista.

O Flamengo, que também fracassou no estadual, está à beira da crise mais uma vez. A eliminação, hoje, e novamente o tempo deverá esquentar na Gávea. Sem contar que só as vitórias melhorarão a imagem do rubro-negro e tornarão possível atrair parceiros que ao menos amenizem a maior dívida que um clube brasileiro já teve, próxima de um bilhão de reais.

As circunstâncias são terríveis. Um gol, um golzinho plenamente possível, e o Corinthians se verá na obrigação de marcar três vezes para manter o sonho vivo. Não consigo imaginar este ataque corintiano marcando três gols em uma partida. Assim, o remédio é não tomar gols, mas, convenhamos, é angustiante passar 90 minutos torcendo para que artilheiros natos como Adriano e Vagner Love não deixem o seu.

Então, ficamos assim: em princípio, o jogo bonito ficará na Vila Belmiro e o drama será instalado no Pacaembu. Porém, sabe como é futebol… De repente, Santos e Atlético pode se transformar em um jogo de matar cardíacos, enquanto Corinthians e Flamengo redescubram hoje um futebol que andam procurando há tempos.

No que eu acredito? Vamos lá: acho que mesmo jogando bem, o Atlético não impedirá a derrota para o Santos, e acho que mesmo jogando mal o Flamengo fará o suficiente para sair classificado do Pacaembu. Mas é apenas um palpite. Você tem o seu? Diga-nos qual é…