A última quinta-feira não foi das mais felizes pelos lados de nosso Centro de Treinamento. O excesso de felicidade em razão de mais um aniversário de Mádson e a peraltice juvenil fizeram com que Paulo Henrique, Neymar, André e Mádson chegassem depois do horário combinado e criassem um estresse no time do Santos.

Tal atraso gerou duas punições aos nossos mais talentosos jogadores:1) uma multa pecuniária sobre os salários; 2) o corte da delegação que enfrentaria o Atlético Goianiense, no sábado, pelo Brasileirão.

Há muitas considerações que precisam ser feitas.
Nossos alegres Meninos falharam ao chegarem atrasados. O que é combinado não é caro e não cabe a nós – gente de fora – avaliar se Dorival Júnior e a diretoria estão certos ou não se solteiros devem se concentrar antes ou depois dos casados ou se a concentração deve ocorrer apenas na sexta-feira.

O que precisa ser discutido é o quilate da punição: tirar nossos melhores jogadores de uma partida é a decisão mais acertada? Para o Atlético Goianiense possivelmente foi. Bem como seria para qualquer outro adversário que nos enfrentasse sem nossa espinha dorsal – os jogadores mais talentosos, competentes e alegres do futebol mundial no momento.

Outra importante ponderação: nossos atletas chegaram bêbados? Não, não chegaram. Nossos atletas fizeram arruaças pela cidade? Não, não fizeram. Nossos atletas fizeram algo que manchasse a reputação de nosso time ou as próprias como jogadores? Não, não fizeram.
Logo, faltou jogo de cintura tanto ao técnico como a nossa competente diretoria ao tornar público este leve ato de indisciplina. Não é porque estavam o Neymar e o André, ou o Paulo Henrique. A indisciplina foi mínima. Bastava punir os bolsos de nossos atletas que o efeito pedagógico seria muito maior e nossos adversários não ficariam tão à vontade com tal punição.

Não importa se a punição fosse ao Neymar, ao Paulo Henrique, ao aguerrido Pará ou ao nosso goleiro Felipe. Seja quem fosse!
Digo isso porque há uma ‘quase’ certeza de que se essa falta disciplinar ocorresse ás vésperas da final da Copa do Brasil, nossos atletas estariam em campo. Ou estaríamos sem o título! Fácil escolha, portanto!

A condução que o episódio teve levou Paulo Henrique a externar uma crítica justa – quando também não deveria ter se manifestado. E o André, Mádson e Neymar apareceram na Rede Globo dando entrevistas com um leve sorriso, do tipo ‘ah, demos uma aprontadinha mesmo’.
Resumindo: penso que o real preço da punição não foi alcançado!

Agora é aguardar que esta indisposição não estremeça a boa relação que Dorival tem com os jogadores e que o futebol moleque – atrevido, peralta, com fome de gols e sorridente – volte a campo na quarta… E domingo contra nosso eterno rival-freguês!

Por Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com