Cícero Mello, da ESPN, faz ao Dunga a pergunta que o Brasil queria fazer. “Ganso e Neymar estão voando, são os melhores jogadores do Brasil no momento… Graças a Deus você não era o técnico da Seleção em 58, a gente deduz que Pelé não teria sido chamado”.

Tudo bem. Aparentemente Dunga errou ao não incluir Ganso e Neymar na lista dos 23 que vão para a Copa. Talvez tenha errado mais ainda ao ser coerente com os amigos, com os fiéis, com aqueles que garantiram seu emprego enquanto ele retribuía, mantendo-os na Seleção a todo custo.

Estão em má fase física e técnica? São reservas em seus clubes? Não importa. Já tinham conquistado a confiança do técnico e ontem foram definitivamente recompensados. Claro que para nós, torcedores, assistentes do processo, não foi justo, mas para Dunga e seus comandados não poderia ter sido melhor e essa atitude paternalista do líder gaúcho unirá ainda mais o chamado grupo durante a Copa.

Fiquei aqui, ouvindo, vendo e analisando tudo o que foi dito ontem e, como toda moeda tem duas faces, coloquei-me no lugar não só de Dunga, mas dos jornalistas que o questionavam. Fiz uma pergunta a mim mesmo e não obtive resposta. Quem sabe você, querido leitor, me ajude a encontrá-la.

A questão é: Que equipe esportiva, hoje, de qualquer veículo de comunicação, não pratica a confraria? Que chefe de esportes de rádio, tevê, jornal, monta o seu time procurando o que há de melhor no mercado?

Quanto tempo dura em uma empresa um profissional que, mesmo muito competente, questiona os critérios da liderança ou os métodos da casa?

Será que algum desses chefes de equipe se sentiriam confortáveis se fossem obrigados a engolir profissionais criativos e competentes, mas que têm personalidade própria e não são submissos?

No fundo, é o que se queria com o Dunga: que ele engolisse Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Ronaldo, jogadores que mais de uma vez se mostraram contrários à filosofia e ao método de trabalho do técnico.

Neymar e Ganso são outra história. Tenho certeza de que se integrariam totalmente à equipe e, bons Meninos que são, acatariam com prazer as determinações do “professor”. Mas ter de suportar jogadores indisciplinados só porque já fizeram a fama, não é justo para técnico nenhum, muito menos para o da Seleção Brasileira.

Não é justo, ainda, exigirmos dos outros posturas que não conseguimos ter. Assim, mesmo decepcionado pelas prováveis ausências de Ganso e Neymar (ainda não perdi de todo as esperanças), estarei torcendo como sempre pelo futebol brasileiro na Copa. Esta, acredito, é a atitude correta de um torcedor, de um apaixonado pelo futebol brasileiro.

Você também vai torcer pela Seleção Brasileira na África do Sul? Ou ficou tão chateado com a lista de Dunga que escolherá outro time?