Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: junho 2010 (page 1 of 9)

Elano é imprescindível? Como o time deverá ficar sem ele, Ramires e Felipe Mello contra a forte Holanda?

Um gol de direita que parece feito no videogame.

Agora um gol de esquerda, também de fora da área.

Mais do que uma afirmação, este post é uma pergunta. Sim, gostaria de ouvir mais pessoas sobre este tema tão relevante no momento. Elano era até questionado como titular, mas bastou fazer dois jogos mais ou menos bons e sua falta parece preocupar a todos. Sem ele, Felipe Mello, que também se recupera de contusão, e Ramires, suspenso, como Dunga deverá armar o meio-campo da Seleção contra a Holanda?

Olha, qualquer que seja a opção do técnico, não há dúvida de que o time deverá se enfraquecer neste setor, e justo contra a melhor equipe que o Brasil enfrentará até agora. Não vejo nos substitutos a mesma capacidade dos três citados.

Felipe Mello é violento e passa mal? Sim, mas é um marcador implacável. Elano às vezes parece apagado, limitado à ala direita? Sim, mas vinha tendo participação importante nos gols brasileiros, servindo ou marcando, além de ter um excelente passe. E Ramires entrou muito bem contra o Chile. Creio até que mesmo com a recuperação de Felipe Mello ou Elano, Ramires poderia ser o titular.

Elano, na verdade, é o tipo que joga para o time. Aparece pouco, toca de primeira, não desperdiça energias. Eu também não o tinha em tão alta conta antes de rever os principais jogos do Santos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Incrível como Elano aparecia em momentos decisivos, ora marcando gols, ou dando outros de bandeja aos companheiros.

Na final do Brasileiro de 2002, todos se lembram, foi ele quem apareceu de surpresa na pequena área para, com uma tranqüilidade maluca, tocar para dentro do gol de Doni a bola passada por Robinho, empatando o jogo e decidindo o campeonato.

Dois anos depois, em São José do Rio Preto, ele também se infiltrou para tocar, de cabeça, no cruzamento de Preto Casagrande, fazendo o segundo gol contra o Vasco, gol que seria o da vitória (pois o time carioca diminuiria depois para 2 a 1) e também do título.

Elano, com esse jeito simples de caipira do interior de São Paulo, é capaz de grandes ousadias. Pesquisando seus melhores momentos no youtube, encontrei estes gols – que divido com vocês – que mostra uma potência e precisão no chute inacreditáveis (ambos endereçados, de fora da área, ao mesmo ângulo, mas executados com pés diferentes).

Se o Brasil passar pela Holanda – no jogo mais difícil que a Seleção terá nesta Copa antes de uma provável final –, Elano deverá voltar a ser titular, mas eu não deixaria mais Ramires no banco. Mais criativo, habilidoso e com muito mais mobilidade do que Felipe Mello, Ramires também deverá voltar na semifinal.

O meio-campo ficaria, então, com Elano, Gilberto Silva e Ramires. Quanto a Daniel Alves, continua sendo uma boa opção. Teve sua maior oportunidade contra o Chile, pegou muito na bola e pouco fez. Pode entrar se Dunga precisar de um time mais ofensivo, mas não creio que o professor inicie a partida sem um meio-campo um pouco mais protegido.

E você, quem escalaria para o meio-campo da Seleção sem Elano, Felipe Mello e Ramires? E será que o Brasil passa pela Holanda?


Espanha mereceu. Cristiano Ronaldo e Carlos Queiroz se merecem

Cristiano Ronaldo, boleiro ou modelo?

O time de melhor toque de bola desta Copa não poderia mesmo ser eliminada por uma equipe que se predispôs a jogar na defesa o tempo todo. A Espanha, mesmo com um gol irregular, pois Villa estava impedido, mereceu a vitória diante de um Portugal descaracterizado por este retranqueiro do Carlos Queiroz e com um ídolo que parece jogar com enfado.

Sim, a impressão que se tem ao ver Cristiano Ronaldo jogando pela Seleção Portuguesa é de um astro pop que transcendeu a outro mundo, de luxo e fama, e não tem orgulho de suas origens. Ao contrário, faz um favor de vestir a sagrada “camisola” que já foi de Eusébio, Coluna, Torres, Simões, Zé Augusto e tantos outros jogadores de brio que levaram o país ao terceiro lugar da Copa de 1966.

Está certo que este árbitro – Hector Baldassi, da Argentina –, que tanto prejudica os times brasileiros na Copa Libertadores, parece ter algum trauma com quem fala português. Além do gol irregular que nem ele nem seus auxiliares viram (Ricardo Casas e Hernan Maidana, ambos argentinos), parece ter entrado em campo com a orientação de não marcar nenhuma falta em cima de Cristiano Ronaldo, que sofreu no mínimo três sem que o jogo fosse interrompido.

Mas um time que já foi famoso por sua ofensividade, não pode querer conquistar uma Copa empatando os jogos de 0 a 0 e ganhando nos pênaltis – estratégia, aliás, que parece ser a mesma do Paraguai. Uma pena. Faltou coragem a Portugal, que foi em campo a expressão de seu medíocre e medroso técnico.

Espanha ainda fará grandes jogos

Portugal foi um bom teste para a Espanha, que agora enfrentará outro time que joga igualzinho aos portugueses: todo atrás, à espera de um milagre, que pode vir nos 90 minutos, na prorrogação, ou nos pênaltis. Assim, é natural que ocorra nova vitória espanhola, desta vez contra o bravo Paraguai.

Uma semifinal entre Espanha e o vencedor de Alemanha e Argentina seria de arrepiar. Tenho minhas dúvidas se o jogo mais técnico e criativo dos argentinos superará a disciplina tática recheada também dos bons jogadores que formam a Alemanha.

De qualquer forma, caso passem dos alemães, os argentinos terão outro confronto muito difícil pela frente, pois a Espanha também toca a bola com muito carinho e sabe esperar, sem desespero, o momento do gol (isto, é claro, se der a lógica e a Espanha vencer o Paraguai).

Da chave do Brasil, não vejo favoritismo nas partidas Uruguai x Gana e Brasil x Holanda. Acho que serão, como a maioria dos jogos desta Copa, amarrados, muito concentrados na defesa. Dos quatro times, o futebol mais fluente e harmônico é o da Holanda. Não me surpreenderia se ela eliminasse o time de Dunga. A esperança do Brasil é sua forte defesa e a criatividade de seus atacantes.

Bem, claro que esta é a previsão lógica. Mas se você me perguntar o que eu quero que aconteça, digo que torcerei para semifinais entre Paraguai x Argentina e Brasil x Uruguai. Quem sabe se assim o futebol sul-americano será mais valorizado e poderá até reivindicar mais uma vaga para a Copa do Mundo de 2014

E você, que seleções acha que se classificarão para as semifinais?


Cristiano Ronaldo, o Brasil está contigo!

Claro que não posso falar em nome de uma nação. Mas a idéia deste título é demonstrar que não esqueço minhas origens e me alegro também com a alegria dos portugueses – cuja língua eu também falo e, portanto, sinto-me da mesma pátria.

Reconheço que a Espanha, com seu futebol fluente e vistoso, deve ser considerada favorita, mas neste Mundial ainda não enfrentou uma equipe tão forte como Portugal, que pode nãos ser tão ofensiva, mas é sólida na defesa e tem, lá na frente, um jogador bem melhor do que qualquer atacante espanhol, que é Cristiano Ronaldo.

Assim, sou mesmo português no jogo das 15h30m, pois, além de tudo, seria um orgulho para nosso idioma ter dois países que o falam entre os oito finalistas de uma Copa do Mundo – um fato inédito, ora pois.

E você, também torcerá por Cristina Ronaldo & Cia, ou ficará com os badalados espanhóis?


Enfim a primeira goleada?

A física quântica provou que o objeto pode se modificar durante o experimento, ou algo assim. Isso tem tudo a ver com o futebol. Não, não estou ficando maluco, ao menos que eu saiba. O que eu quero dizer é que hoje todo mundo espera que o Brasil desencante e goleie o Chile, que Robinho volte a marcar contra um de seus maiores fregueses e Kaká corra pelo gramado, leve e solto, sem sentir nenhuma dor. Mas sempre fica aquela pergunta: e o Chile, não fará nada para impedir?

Este Chile treinado pelo ladino Bielsa – que além de tudo é argentino – faz do seu lado forte também o seu fraco. É jovem, impetuoso, destemido. Teve boas chances contra a Espanha, antes de ser batido, mas não se sabe o que poderá fazer se marcar o primeiro gol e ganhar moral.

Por outro lado, esta mesma juventude e impetuosidade podem fazer com que não avalie com precisão o poder de fogo do poderoso inimigo, que pode não estar fazendo uma grande Copa, mas tem potencial para derrotar qualquer seleção do mundo.

Bem, podem ser apenas especulações pré-jogo. O que se espera é um Chile recuado, especulando os contra-ataques, marcando mais duro do que o normal, com um marcador colado em Robinho e mais dois na sobra; e a mesma marcação ríga pelo lado direito, onde as investidas de Maicon são um perigo constante.

De qualquer forma, é o teste mais nervoso para o Brasil até agora – mesmo porque está impregnado do “matar ou morrer” dos jogos eliminatórios. Logo mais teremos uma ideia melhor do que esperar do time de Dunga na África do Sul.

Dos adversários, já deu para saber que Argentina, Alemanha e Holanda estão jogando muito bem e têm elencos e estrutura tática para vencer o Brasil.


E a Fifa continua pré-histórica…

Não gastei muita tinta para falar dos erros grosseiros de arbitragem nos jogos de ontem, na Copa, porque já disse tudo o que tinha para dizer sobre isso após a final do Campeonato Brasileiro de 1995, mudada de mãos pelas falhas grotescas do árbitro mineiro-carioca Márcio Rezende de Freitas, que validou um gol ilegal, anulou um legal – ambas decisões prejudiciais ao Santos – para em seguida ser premiado com a indicação da CBF para representar a arbitragem brasileira na Copa do Mundo de 1986.

Na época, diretor da Revista do Futebol, fiz um editorial intitulado “O erro é mesmo essencial ao futebol?” que serviria para definir também a falhas de ontem, na Copa, quando a Inglaterra foi surrupiada em um gol legítimo e a Argentina, mais uma vez, ganhou com um gol ilegal.

Em 1995, 14 anos e meio atrás, meu editorial já dizia: “Não há nenhuma razão plausível e honesta para que o futebol continue sendo um esporte pré-histórico em plena era da eletrônica. Se os recursos da tevê podem comprovar, em segundos, o acerto de uma marcação, por que conviver com a falha eternamente?”.

Ontem, quando o bandeirinha foi consultado sobre o gol de Tevez, deveria ter usado o bom senso e dito que tinha mudado de idéia e que havia impedimento, pois todo o estádio – ele, inclusive – já tinha visto no telão que a posição do jogador argentino era irregular. Manter a decisão porque não se pode valer de recursos eletrônicos é a atitude mais estúpida e arcaica que um árbitro pode ter.

Polêmica ou Credibilidade?

Gente do meio, entre eles dirigentes, técnicos e até mesmo joagdores, defendem que o futebol precisa de polêmica, que não vive sem ela. Ora, eu pergunto: será que a credibilidade não faria mais pelo futebol do que essas discussões que só mostram a precariedade de um esporte que se recusa a evoluir?

As discussões sempre existirão no futebol, movidas pelas paixões dos torcedores, pela comparação de times e atletas – e pela interpretação dos árbitros. Eu disse interpretação. Sempre se discutirá se tal jogador merecia ser expulso, se foi bola na mão ou mão na bola e outras questões da arbitragem.

Mas qual é a graça e que proveito pode trazer a um esporte constatar-se que uma bola entrou mais de 30 centímetros e o gol não foi dado? Ou que um jogador estava em posição irregular e se valeu dela para marcar um gol decisivo, que contribuiu para eliminar o adversário de uma Copa do Mundo?

Um dos grandes benefícios desta Copa está sendo a divulgação do futebol para centros importantes, nos quais ele tem tudo para se tornar ainda mais popular. Além, naturalmente, dos países da África, continente que recebe o evento pela primeira vez, creio que este Mundial será um marco para Estados Unidos e Japão, mercados ricos e promissores, nos quais o futebol deverá crescer significativamente.

Como se sabe, boa parte da opinião pública norte-americana resiste ao futebol nos Estados Unidos, pois o esporte viria afetar os interesses de outras modalidades já estabelecidas e consagradas, como o futebol norte-americano e o beisebol. Esta Copa estava mudando isso. Creio que ainda está, mas os erros de arbitragem de ontem estão sendo usados pelos inimigos do futebol nos Estados Unidos para depreciar o esporte.

Acostumados a modalidades como o tênis, que dá ao jogador a possibilidade de pedir a ajuda do olho eletrônico para revisar a marcação do árbitro, é inadmissível para o norte-americano a incongruente imobilidade do futebol, que permite a cristalização de um erro confesso.

O mundo mudou e os velhinhos da Fifa precisam acordar para a nova era. A eletrônica tornou o torcedor menos tolerante com os erros de arbitragem. A polêmica não tem mais graça, principalmente quando ela representa falta de confiança nas regras do esporte.


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