A Copa está fervendo, mas não poderia deixar de dar uma palavra sobre o caso do Morumbi, que de palco da abertura da Copa do Mundo de 2014 agora talvez só seja utilizado nas oitavas-de-final.

Diante da impossibilidade de se responsabilizar pelos R$ 630 milhões necessários para adaptar o estádio para a abertura do Mundial, o São Paulo voltou ao seu projeto mais “modesto”, de R$ 265 milhões – que não é suficiente, para os homens da Fifa e, por extensão, da CBF, para abrigar o jogo inaugural da competição.

Muitos viram por trás da atitude do São Paulo o fim de um jogo de cena perpetrado pelo presidente Juvenal Juvêncio, que, ao não conseguir parceiros – privados ou públicos – para reconstruir o Morumbi, consolidando-o como o estádio mais moderno do País, voltou atrás nos seus sonhos de grandeza. Eu já não encarei desta forma.

Diante da grande possibilidade de investimentos na Copa de 2014, era natural que o São Paulo, dono do maior estádio particular do Brasil, se candidatasse para um jogo importante na competição, no caso a abertura ou o encerramento. Afinal – e isso os números não deixam mentir – a capital econômica e futebolística do País é São Paulo.

Era normal também imaginar que o Governo Federal e a Confederação Brasileira de Futebol, que tanto se empenharam para conquistar a Copa para o Brasil, se empenhassem mais para ajudar os clubes e as entidades envolvidas na construção e reparo dos estádios.

O que se viu, porém, é que Luis Inácio Lula da Silva e Ricardo Teixeira apenas jogaram para a galera, buscaram ganhar a corrida pela sede da Copa de 2014 sem o planejamento e o orçamento necessários. Conseguiram a data e depois jogaram o problema no colo dos outros.

A CBF, como se sabe, é a maior sangue-suga do futebol brasileiro e lava as mãos em qualquer questão que envolve aplicação de seus fundos milionários. O presidente da República, extremamente populista, diz o que o povo quer ouvir, mesmo quando não tem a mínima possibilidade de cumprir a promessa.

Como o poder público de São Paulo já avisou que não vai investir um tostão para reformar ou construir estádios, já que há muitas outras prioridades, o jogo de abertura da Copa provavelmente irá para Brasília, onde autorizações para o uso de verba pública são corriqueiras e abundantes.

Não acho que o problema por não ter o jogo de abertura seja do São Paulo ou da cidade e do Estado de São Paulo. O problema é do Governo Federal e da CBF, que excluirão do grande evento, repito, o maior centro econômico e futebolístico do País, onde brilharam a maioria dos históricos craques brasileiros, entre eles o maior de todos, o Rei Pelé.

Falam de um estádio em Pirituba, que poderia ser administrado, em conjunto, por Santos e Corinthians. Considero como mais uma oportunidade de se tirar dinheiro público para finalidades nem sempre comprovadas. Muito melhor seria modernizar o Pacaembu, o estádio mais bonito e charmoso da cidade.

E você, o que acha disso tudo?