Antes de Japão e Camarões o comentarista do Sportv, André Rizek, chamou-nos a atenção para Samuel Eto’o, que para o comentarista confirmaria sua condição de um dos melhores atacantes do mundo. Porém, quando a bola rolou, o que se viu foi um Japão mais aplicado e decidido, que chegou à vitória por 1 a 0, gol de Honda, ídolo do Japão bem menos badalado do que o craque camaronês – que, bem marcado, pouco fêz.

Por mais que o comentarista do Sportv tenha diminuído a atuação dos japoneses, depreciando a equipe e repetindo que ela veio a campo para praticar o “não-futebol”, a verdade é que em toda a partida o Japão foi um time melhor, ou menos ruim, do que o confuso Camarões.

Se colocar cinco jogadores no meio-campo é suficiente para tirar a superioridade técnica do adversário, então nenhum favorito conseguiria prevalecer. Mas não foi só isso que se viu. O Japão não só se defendeu melhor, como foi mais claro e objetivo no ataque.

Não podemos nos esquecer, ainda, de que esta foi a quarta partida entre estas equipes e até agora o Japão está invicto: ganhou três e empatou uma contra Camarões. Portanto, não dava mesmo para dizer que o time africano era favorito.

Confesso que imaginava a vitória de Camarões, menos pelos times e mais pelo clima desta Copa, a primeira disputada na África. Porém, o que tenho notado é que os técnicos europeus contratados para dirigir as seleções africanas não estão respeitando o instinto criativo e naturalmente ofensivo do futebol local.

É como colocar o sargentão Felipe Scolari para orientar o Santos. Ele já ia armar um time com 40 volantes, cismar com Neymar, André ou com o Ganso e até impedir as dancinhas depois dos gols. Quando as seleções africanas forem treinadas por africanos, certamente representarão de maneira mais fidedigna o espírito de seu povo.

Foi isso que o Japão fez: colocou um japonês, Takeshi Okada, para treinar sua equipe. E o homem ao menos sabe entender a alma do time e a personalidade de seus jogadores. Admitiu que marcaria Samuel Eto’o com dois ou três jogadores, se fosse preciso, e ao anular a principal arma de Camarões, equilibrou o jogo e ainda venceu. Palmas pro Okada, que entende até onde o jogador japonês pode chegar!

Não foi nenhum jogo maravilhoso, claro. Nenhum dos dois times apresentou um futebol digno da Série B do Campeonato Paulista. Depois de assistir a uma partida como esta é que constatamos o quanto o futebol estrangeiro é supervalorizado pelos jornalistas brasileiros – principalmente os mais jovens, que não tiveram contato com a fase áurea do futebol brasileiro.

Mas, como reconheceu Rizek, peladas como esta também fazem parte da Copa e servem até para valorizar as equipes mais técnicas e criativas. O que se pode constatar, mesmo assistindo a espetáculos sofríveis como este, é que no final acaba prevalecendo o jogo de conjunto, a melhor estrutura tática. Mesmo um grande jogador não conseguirá nada em uma equipe fraca e mal distribuída, que não consegue lhe proporcionar boas oportunidades.

Fiquei feliz com a vitória do Japão, pois, como quase todo paulistano, tenho amigos e companheiros na vibrante colônia nipônica de São Paulo. Agora espero o jogo da tarde com muita expectativa. Neste caso, mesmo tendo muito mais conhecidos de ascendência italiana, confesso que torcerei para nossos valentes irmãos paraguaios.

Espero que, mais do que defender-se bem, o que geralmente faz com eficiência, o Paraguai seja mais ousado contra os campeões do mundo. Não é impossível vencer a forte Itália, mas para isso é preciso que os paraguaios não duvidem um só minuto desta façanha. Mesmo sem craques famosos, como os rivais, os paraguaios têm um jogo solidário que pode fazer a diferença.

Será que estou delirando, ou é mesmo possível uma grande zebra logo mais?