Filme sobre o jogo Portugal 3 x Brasil 1, pela Copa de 1966, em que os portugueses, orientados pelo brasileiro Otto Glória, entraram para machucar.

Matéria sobre o jogo Brasil x Chile (eliminatórias para a Copa de 1990), em que o goleiro Rojas simulou um ferimento.

Confesso que sempre torci para seleções africanas, a não ser quando jogam contra o Brasil. Para mim, a África ainda tem aquela imagem de inocência, de continente explorado pelos europeus que aos poucos chega à maturidade. E África tem a ver com Brasil na cor negra, na ginga,na alegria… Mas ontem, diante da violência dos jogadores de Costa do Marfim, lembrei-me de outros casos de coirmãos que se revelaram inimigos selvagens e, infelizmente, comecei a mudar essa imagem interior da doce Mama África.

Não sei se foi ordem desse taciturno e aparentemente antipático técnico sueco, o tal de Sven-Göran Eriksson, só sei que ficou evidente, principalmente no segundo tempo, que os costa-marfinenses queriam machucar os brasileiros. Nem mesmo em jogos contra os rivais argentinos e uruguaios vi faltas tão grosseiras e perigosas, como as soladas em Elano e Juan. E ainda levaram o educado Kaká à loucura, provocando a expulsão do brasileiro.

Está certo que o árbitro foi um banana. Também, escalar um francês para atuar em um jogo em que um dos países fala a sua língua, foi no mínimo uma temeridade da Fifa. O senhor Stephane Lannoy teve uma atuação bastante prejudicial ao Brasil. “Mas validou um gol ilegal de Luís Fabiano”, alguns alegarão. Sim, realmente errou no segundo gol brasileiro, mas só o fez porque realmente não viu a jogada, ao contrário das escandalosas e explícitas agressões dos africanos.

Por sorte nenhum jogador brasileiro ficou inutilizado nesta Copa. Elano confessa que no momento achou que tinha quebrado a perna. Sentiu um impacto, a dor, e ouviu o barulho. Só depois percebeu que o que tinha partido era a bendita caneleira – Elano que teve a confiança e o carinho de escrever os nomes de suas filhas nas caneleiras para mostrá-las depois de fazer o seu segundo gol nesta Copa.

País-irmão uma ova…

Escaldado por competições anteriores, não entro mais nessa de país-irmão. Minha primeira grande desilusão com irmãos aconteceu na Copa de 1966. Eu era criança ainda, claro, mas lembro-me bem de ter ouvido pelo rádio e depois assistido o videoteipe do jogo em que Pelé foi caçado pelos patrícios portugueses e depois teve de se arrastar em campo até o final, pois as substituições eram proibidas na época.

E o pior é que quem deu a ordem para bater em Pelé foi um brasileiro, o técnico Otto Glória, que dirigia a melhor Seleção Portuguesa de todos os tempos, com Eusébio, Coluna, Simões e muitos outros titulares do Benfica, um dos grandes times do mundo naqueles tempos (e também um dos mais famosos fregueses do Santos, a quem jamais venceu).

Quatro anos depois imaginei que a Seleção Brasileira, com o título no México, havia conquistado um rol de torcedores tão fanáticos como nós. Sim, os mexicanos reagiram com tanta alegria ao título brasileiro, que seria impossível imaginar um amor mais puro e profundo por uma equipe. Porém, cinco anos depois, nos Jogos Pan-americanos, a reação foi bem diferente…

Brasil e México jogavam a final quando, depois do gol de empate marcado por Cláudio Adão e diante do absoluto domínio brasileiro – que indicava a iminência do gol da vitória – as luzes do estádio Azteca foram apagadas e, depois de muita confusão e em um clima de total hostilidade, resolveram dividir a medalha de ouro no futebol, em uma das maiores aberrações do futebol internacional.

Outro povo que vibrou muito com a conquista de uma Copa pelo Brasil foi o chileno, em 1962. Isso também gerou, no torcedor brasileiro, aquela imagem de país-irmão. Mas foi só a bola ficar dividida e eles entraram de sola. Nas eliminatórias para o Mundial de 1990 o jogo em Santiago já foi bastante irregular, com provocações e um gol de empate absurdo, em que o árbitro permitiu que uma falta quase em cima da linha do gol fosse cobrada de surpresa, sem que o Brasil tivesse tempo de formar a barreira.

No jogo de volta, no Maracanã, uma mulher teve a péssima idéia de dirigir um rojão para dentro do campo e o goleiro Roberto Rojas, do Chile, apelidado “El Condor”, jogou-se na fumaça e saiu dela com o supercílio sangrando. O incidente poderia ter causado a punição ao Brasil, que pela primeira vez deixaria de disputar uma Copa.

Descobriu-se depois, e o próprio Rojas confessou, que tudo tinha sido uma farsa. O goleiro já tinha entrado em campo com uma lâmina escondida, para ferir-se e provocar a derrota brasileira, o que daria a classificação para os “co-irmãos” chilenos.
Assim, meu amigo e minha amiga, não digo que depois da demonstração de violência e antidesportividade da Costa do Marfim, ontem, passarei a torcer contra os times africanos – assim como não consigo torcer contra Portugal, Chile e México. Mas, quando o Brasil enfrenta-los, quero que sejam vencidos inapelavelmente, surrados de maneira exemplar, esmagados, destroçados… Na bola, claro.

Como se diz no tênis, quando se joga contra um adversário mais fraco, que os jogadores brasileiros deixem para ter dó dos co-irmãos depois do jogo.