Kim jong-il, pode esperar. A sua hora vai chegar!

Não, este título não é utopia. Os coreanos do norte vivem uma lavagem cerebral há anos. São obrigados a idolatrar o “líder supremo” Kim Jong-il e levados a acreditar que vivem em um paraíso na Terra. A imprensa do país, controlada pelo estado, foi forçada a convencer o povo de que a Coréia do Norte é o melhor time do mundo e ganhará a Copa. Assim, uma goleada do Brasil, além de nos deixar felizes, poderá fazer mais para estremecer o regime coreano do norte do que sanções econômicas e ações militares.

Kim Jong-il é filho do falecido Kim Il-sung, “presidente eterno” da república, este sim um herói que lutou pela independência da nação. A personalidade do pai já era cultuada e o filho entrou na mesma onda, apesar de não fazer nada relevante pelo desenvolvimento da Coréia do Norte, ao contrário.

Os 24 milhões de habitantes da Coréia do Norte têm uma expectativa de vida de 67, 3 anos e a mortalidade infantil é de 48,2 por mil nascimentos (mesmo o Brasil, ainda com sérios problemas sociais, além de uma população oito vezes maior – 192 milhões –, tem uma expectativa de vida maior, 72,4 anos, e uma mortalidade infantil bem menor, 19,3).

Lá, falar mal do presidente pode dar cadeia ou coisa pior. De 173 nações analisadas pela organização “Repórteres sem Fronteiras”, a Coréia do Norte só não foi considerada pior, como ambiente de mídia, do que a Eritreia, um pequeno país africano de cinco milhões de habitantes.

Há testemunhos de que há campos de concentração no país onde vivem de 150 a 200 mil pessoas. Para lá são enviados presos políticos e suas famílias, que são proibidos de se casar, cultivar o próprio alimento e ter qualquer comunicação externa.

Não admira que a chefia da delegação da Coreia do Norte tenha evitado o contato com a imprensa internacional nesta Copa. Não há qualquer interesse de que o povo coreano descubra como é o mundo real e que inferno é o país em que vivem.

Por tudo isso é que torcerei bastante para uma goleada do Brasil hoje. Ficarei imaginando o abalo que cada gol brasileiro provocará na rede de mentiras montada pelo governo e como um vexame logo na estreia poderá semear a dúvida no iludido e massacrado povo norte-coreano.

10 norte-coreanos correndo como loucos

Que não se espere um jogo normal hoje à tarde. Os norte-coreanos são como 11 soldados obedecendo cegamente às ordens de seu chefe. Dez deles correrão como alucinados o tempo todo, marcarão como formigas que aparecem do nada e se multiplicam em cima do torrão de açúcar.

Que os brasileiros não prendam a bola, desloquem-se rapidamente e não entrem de perna mole nas divididas, pois os adversários foram convencidos de que estão ungidos por Deus e ganharão a partida, custe o que custar.

Assim como o Santos, espero que o Brasil não pare depois de marcar dois ou três gols, pois os norte-coreanos não pararão, a não ser que caiam extenuados, ou sejam substituídos.

Por falar em substituições, conta a lenda que em 1966 eles eram trocados do primeiro para o segundo tempo e ninguém percebia, pois eram todos iguais. Bem, acho que isso já é maldade.

Os jogadores e o povo norte-coreano não são culpados dos líderes que têm. Mas, um dia em que entenderem melhor as coisas e perceberem que o centro do universo não fica em Pyongyang, talvez agradeçam a goleada reveladora que sofrerão logo mais para Robinho, Kaká, Luís Fabiano & Cia.

Nem os portugueses acreditam, mas eu sim

No mês passado estive no Porto, segunda maior cidade de Portugal, e lá pude perceber que boa parte dos portugueses não acredita que sua seleção se classificará neste grupo que ainda tem Brasil e o adversário de logo mais, a Costa do Marfim. Porém, não creio que haja tantos motivos para desânimo.

Gostariam que Mourinho ou Luís Felipe Scolari dirigissem o time e não o pragmático Carlos Queiroz, que adora reforçar a defesa e obriga os jogadores a assistir horas de vídeo dos adversários. Também sentem inveja do elenco da Costa do Marfim, que tem Didier Drogba, Yaya Toure, Eboue e Salomon Kalou.

Porém, mesmo unanimemente criticado (muito mais do que o nosso Dunga), Queiroz levou o time a uma reação histórica nas eliminatórias, ganhando seis dos últimos sete jogos. E, mesmo sem ter conseguido fazer Portugal jogar bonito, ao menos montou um time sólido na defesa e no meio-campo, cuja tática é se defender primeiro e depois esperar por ao menos um golzinho de seus bons atacantes.

Quanto aos jogadores, a Costa do Marfim perde muito sem Drogba, que não deve começar a partida, enquanto Portugal tem jogadores criativos, como Deco, Liedson e, principalmente, Cristiano Ronaldo, aquele que pode explodir a qualquer momento.

Deverá ser um grande jogo, talvez o melhor da Copa até aqui. Não tenho visto a Costa do Marfim, mas acredito que apesar de seus bons jogadores, não deve ter um conjunto superior ao português. Algo me diz que a boa defesa de Portugal, onde se sobressaem os zagueiros Ricardo Carvalho e Bruno Alves, impedirá o sucesso do adversário, enquanto o ataque português fará o suficiente para conquistar a vitória.

No primeiro jogo de hoje, de nível técnico mais baixo do que muito jogo de times pequenos do Brasil, Eslováquia e Nova Zelândia emparam em 1 a 1, o que deixou tudo igual no grupo que ainda tem Itália e Paraguai. Ou seja: a primeira rodada fica zerada, como se não existisse, e os quatro times decidirão tudo nos dois jogos que lhes faltam. Ao menos a coisa ficou emocionante.