Entrevistarei o presidente Luis Álvaro sobre o assunto, mas enquanto ele arruma um tempinho na sua agenda para atender a este humilde blog, não posso ficar em silêncio diante da inquietação dos santistas, que querem saber o que esperar deste Santos após a Copa do Mundo. A grande questão é se o time perderá jogadores, entre eles os astros Ganso e Neymar…

Pela enquete aí do lado esquerdo se percebe o quanto o tema é crucial para o torcedor do Santos. Mais até do que ganhar a Copa do Brasil, 57% dos votos da enquete, ou seja, 550 santistas, concordam que o mais importante para o clube, no momento, é manter esses jogadores por muitos anos. Infelizmente, porém, isso não vai acontecer.

O que eu sei, a maioria sabe. Mas um simples exercício de lógica demonstra que as maiores probabilidades são as de que o Santos negocie alguns atletas e, naturalmente, se enfraqueça. Bem, esta tendência, natural, poderá ser revertida, claro, mas aí será necessário a conjunção de uma série de fatores que, em princípio, parecem distantes ou abstratos.

Somemos o que já vimos e ouvimos por aí…

Há seis meses Luis Álvaro Ribeiro assumiu a presidência do Santos dizendo que o clube não venderia nenhum jogador importante e montaria um time para ser campeão de toda competição que disputasse.

No início desta nova gestão, o primeiro dinheiro importante a entrar nos cofres do clube veio do G4 Paulista – R$ 2,5 milhões – através de um contrato de patrocínio firmado por José Carlos Peres, ex-superintendente do Santos na Capital.

A dívida do Santos no começo do ano era de R$ 177 milhões, dos quais R$ 100 milhões com encargos sociais.

Mesmo não sendo mais presidente do clube, MarceloTeixeira teve de continuar como fiador do clube nos bancos de Santos.

Há menos de um mês um diretor de futebol do clube confidenciou a Ademir Quintino que o dinheiro do Santos acaba neste mês de junho…

Paulo Henrique Ganso já recebeu várias propostas e está propenso a ir para o Real Madrid. Quando um jogador quer ir embora, é como a mulher que quer fazer sexo. Ninguém segura…

Wagner Ribeiro já tem propostas milionárias pelo Neymar. Há, segundo o empresário, ao menos um clube disposto a pagar a multa integral pelo passe do atacante santista.

Há menos de um mês noticiou-se que Marcelo Teixeira, ainda o avalista do Santos, entrou com uma ação na justiça para receber R$ 15 milhões do clube.

O fundo de investidores que acenou com a possibilidade de injetar R$ 40 milhões no clube caso Luis Álvaro Ribeiro fosse eleito, ainda não o fez.

Isso quer dizer que…

O Santos tem feito das tripas coração para pagar Robinho e manter o elenco –que ainda não é caro, mas, devido à valorização dos jogadores pela ótima fase da equipe no primeiro semestre, inevitavelmente ficará.

Apesar do louvável esforço do marketing – que tem buscado valorizar a marca e fechar contratos de patrocínio maiores do que na gestão anterior –, o Santos continua com o caixa zerado, pois tudo o que entra vai direto para os credores.

O clube recebeu cotas antecipadas – entre elas da Federação Paulista e do Clube dos Treze (direitos de tevê) – para se manter. É este o dinheiro que está acabando este mês.

Se mesmo esta folha de pagamentos – razoavelmente modesta, se excluído o salário de Robinho – está sendo paga na conta do chá, isso indica que se novas e generosas fontes de receita não surgirem e se o fundo de investidores não der o ar de sua graça, será impossível manter Ganso e Neymar, entre outros.

O que deve acontecer é…

Sem um plano emergencial para arrecadar muito dinheiro em pouco tempo e sem a primordial vontade dos jogadores de ficarem no clube e marcarem seu nome na história do Santos – como Rogério Ceni fez muito bem no São Paulo –, o Santos será obrigado a negociar Paulo Henrique Ganso ou Neymar, ou até mesmo os dois.

Desfazendo-se de seus maiores craques o clube se livrará da dívida bancária que cresce em uma progressão geométrica. A dívida com o governo vem sendo abatida pela Timemania, na qual o Santos está entre o quinto e o sexto clubes que recebem as maiores cotas.

Vender Ganso ou Neymar é o alto preço que o clube pagará pela péssima administração financeira do presidente anterior. Marcelo Teixeira teve o mérito de criar e manter uma ótima estrutura para o futebol de base, mas gastou demais e arrecadou de menos, deixando o clube em uma situação grave, que, se prosseguisse no mesmo ritmo, poderia leva-lo à falência.

Normalizada a situação financeira, o clube terá de continuar apostando na revelação e descoberta de jogadores novos. E torcer para que o raio volte a cair mais vezes na Vila Belmiro.

É natural que no segundo semestre haja uma queda no rendimento técnico, principalmente com relação ao ataque, mas caso reforce a defesa e o meio-campo, cujos investimentos necessários são menores – já que atacantes são os jogadores mais valorizados do mercado -, será possível vencer a Copa do Brasil e lutar pelos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Sul-americana.

O futuro ideal seria…

Que o Santos tenha condições de revelar, ou contratar, ao menos um grande jogador por ano. Esta filosofia é que levou o Real Madrid ao que é hoje.

Que o clube arrecade muito mais – e tem potencial e marca para conseguir no mínimo 50% a mais do que arrecada hoje – e que não precise mais se desfazer de seus melhores jogadores para pagar dívidas.

Ainda sobre arrecadação, não sei quantas camisas do Ganso e do Neymar foram vendidas neste semestre, mas creio que se houvessem alternativas ágeis e oportunas do fabricante, este número poderia ser muito maior. Eles foram os caras mais falados do futebol brasileiro…

Também acho que o Santos viveu um grande momento para uma grande campanha de sócios e de expansão de suas escolinhas (sem contar os trabalhos para o Centen ário, que foram interrompidos). Não sei o que foi feito a respeito, mas foi pouco, pois se fosse muito eu saberia.

Bem, mas o futuro ideal passa, também, pela estrutura do futebol brasileiro. Ouço agora que Kléber, de volta ao palmeiras, estreará contra o Santos. Ótimo para o espetáculo. Com clubes mais fortes, teremos um futebol mais rendoso, que permitirá a manutenção de alguns dos ídolos.

Por fim, resta a consciência do próprio jogador. Enquanto ele imaginar que só será respeitado e realmente famoso quando atuar fora do País, então nada poderá segurá-lo. Não creio que seja só um problema financeiro, pois qualquer um deles também ficaria rico só jogando em times brasileiros.

Se houvesse um trabalho conjunto dos clubes, associações e da própria CBF para criar uma estrutura capaz de manter os craques aqui, a situação seria progressivamente melhor, até que o mercado brasileiro, ao menos para os astros, pudesse ser quase tão atraente como o europeu. Por enquanto, eu sei, isso é apenas um sonho. Mas todo sonho começa com um ideal.

E você, prezado leitor e leitora, o que acha que acontecerá com o Santos no segundo semestre? Já está conformado(a) com a saída de Ganso e de Neymar?