Gol de Camanducaia, o do título moral de 1995

Tinga sofre o pênalti e é expulso?!

Relendo agora alguns comentários feitos nos dias em que eu estava de férias, percebi a revolta de alguns botafoguenses e vascaínos com relação a textos publicados neste blog e à minha participação no programa “Loucos por Futebol”, no canal ESPN Brasil.

Como não gosto de deixar nada no ar, volto aos temas pela última vez só para esclarecer. Primeiro, a questão das torcidas, já que, baseado na Timemania, informei que a torcida do Santos é maior do que a do Vasco, no que fui farta e violentamente contestado pelos torcedores cruzmaltinos.

Recentemente saiu uma pesquisa no Lance que mostra a torcida do Vasco na frente da do Santos e, obviamente, alguns fizeram questão de envia-la a mim. Em primeiro lugar, como já disse, não acho que pesquisas que ouvem meia dúzia de gatos pingados sejam mais relevantes do que a Timemania, que consulta milhões a respeito do “seu time do coração”.

Porém, mesmo admitindo a hipótese de que a torcida vascaína ainda seja maior, a pergunta que não quer calar é: “por quanto tempo mais?”. É sabido que o maior fator de crescimento das torcidas – com exceção daqueles grupos que se orgulham de ser “sofredores” – são as vitórias.

Conquistando títulos é que o São Paulo fez a sua massa de torcedores crescer a ponto de superar as de Palmeiras, Santos e Vasco, colocando-se imediatamente atrás das torcidas de Flamengo e Corinthians. Portanto, essa discussão toda é inócua.

Das milhões de crianças e adolescentes que escolheram torcer por um time de futebol nesta última década, alguém tem dúvida de que o Santos teve muito mais preferências do que o Vasco? Portanto, se as pesquisas ainda não mostram a realidade, é só uma questão de tempo para que ela venha à tona.

Título roubado, sim!

Quanto ao título brasileiro conquistado pelo Botafogo em 1995, todo mundo sabe que foi roubado. Apenas expressei um fato que já faz parte da sabedoria popular. E para entender melhor a questão, é só lembrar que o árbitro foi Márcio Rezende de Freitas, o mesmo que operou o Internacional em 2005.

Vejam bem: não digo que foi o Botafogo ou o Corinthians que compraram o árbitro. Digo e repito, com a maior convicção do mundo, que nessas duas oportunidades o senhor Márcio Rezende de Freitas foi colocado nos jogos decisivos para atuar de acordo com os interesses de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Só para refrescar a memória, lembremos que em 1995 Pelé – que fazia parte da diretoria do Santos e cujo filho, Edinho, era o goleiro titular da equipe – tinha se tornado inimigo mortal de Ricardo Teixeira.

Depois de, em 1994, tentar adquirir os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro através de sua empresa, a Pelé Sports & Marketing, Pelé disse que a CBF era “uma máfia”. Denunciou publicamente ter recebido um pedido de propina do tesoureiro da CBF no valor de um milhão de reais. Como não pagou, Pelé não ganhou a concorrência, mesmo tendo oferecido um valor maior do que a Rede Globo.

A vitória do Santos no Campeonato Brasileiro seria, mais do que tudo, a vitória de Pelé. Quem conhece o caráter vingativo de Ricardo Teixeira, sabe que ele não permitiria que o Santos ganhasse aquele título. Márcio Rezende de Freitas foi escolhido a dedo. Tanto assim que, apesar de sua atuação desastrosa, foi anunciado como o árbitro brasileiro para a Copa do Mundo de 1986.

Na verdade, o adversário do Santos poderia ser qualquer um, que seria beneficiado. O Botafogo acabou levando vantagem pela briga Pelé x Ricardo Teixeira. Mas não teve seus méritos? Sim, claro. Chegou à final jogando um bom futebol, mas a verdade é que já estava escrito que não perderia aquele jogo no Pacaembu.

Em 2005, o mesmo Márcio Rezende, a mando da CBF

O mesmo aconteceu em 2005, quando o presidente do Internacional, Fernando Carvalho, ousou desafiar o poder de Ricardo Teixeira. Mesmo depois dos 11 jogos anulados providencialmente por Luiz Zveiter – que tiraram a liderança do time gaúcho e a passaram ao Corinthians –, o Internacional poderia caminhar firmemente para o título caso derrotasse o Corinthians em São Paulo.

E o que se viu na partida foi, realmente, um Inter melhor, que no final da partida teve uma chance clara de gol através de Tinga, atropelado grotescamente pelo goleiro Fábio Costa. E o que marcou Márcio Rezende? Nada. Ou melhor: além de não dar o pênalti claro, que provavelmente definiria o jogo, expulsou o jogador do Inter por simulação. Um absurdo sem igual!

Logo na saída do vestiário Márcio Rezende admitiu que errou, teve a cara de pau de pedir desculpas e foi para o aeroporto, onde um vôo para o Japão o aguardava.

Então, ninguém quer tirar todo o mérito dos campeões brasileiros de 1995 e 2005, pois fizeram boas campanhas, mas uma parte do mérito realmente fica deslustrada devido às atuações do mesmo árbitro Márcio Rezende de Freitas a serviço dos interesses da CBF.

Sei que botafoguenses e corintianos não têm nada com isso e comemoraram e comemorarão para sempre estes títulos. Cada torcida tem um jeito de ser, uma personalidade própria. Mas que não foram títulos limpos, não foram. Não foram mesmo!