O único gol do jogo foi contra – de Renato Silva, aos 15 minutos do segundo tempo –, mas se um time tinha de sair vencedor neste domingo, na Vila Belmiro, tinha de ser mesmo o Santos, que foi um pouco mais agressivo e objetivo. Comandado por Paulo Henrique Ganso, o Alvinegro contou com a volta de Marquinhos, lento para alguns, mas cujo domínio e toque de bola melhora muito o padrão do meio-campo santista. A partir deste setor o Santos foi um pouco mais ousado, o suficiente para merecer a magra vitória e subir para a oitava posição no Campeonato Brasileiro.

O São Paulo, quer sofreu a quarta derrota para o Santos este ano, apresentou alguns jovens promissores, como Samuel, Diogo e Casemiro, mas voltou a mostrar inoperância total no ataque e deu a impressão de que não terá forças para segurar o Internacional na quarta-feira, quando irá ao Beira-Rio para o jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores.

O Santos, por sua vez, com a vitória ao menos melhorou o ambiente para a primeira partida da decisão da Copa do Brasil, quarta-feira, na Vila Belmiro, contra o perigoso Vitória. Mesmo bastante modificado com relação ao time do primeiro semestre, o esquadrão baiano tem jogado bem fora de casa e deve ser encarado com respeito – como mostra a elucidativa matéria do companheiro Ademir Quintino em seu blog – www.blogademir.blogspot.com

O quarto Sansão do ano – que marcou também a quarta vitória santista – mostrou que:

Paulo Henrique Ganso tem de ser jogar até com uma perna só. No final do jogo, quando pediu a bola para fazer o tempo passar, fez o que quis com ela. Ele faz com que jogar futebol pareça algo muito simples. Craque, maestro, nome certo na lista da Seleção de amanhã.

Neymar está tentando, mas sem alguém que se aproxime dele pela esquerda para fazer as tabelas, fica difícil. Além disso, deve estar mesmo com a cabeça no Chelsea. E amanhã é outro santista que deverá ser chamado por Mano Menezes para o amistoso contra os Estados Unidos.

Rafael teve atuação excelente. Apesar de bem jovem, quando exigido mostra uma segurança que não se via em Fábio Costa ou Felipe.

Marquinhos faz falta a este time. Pode ser lento e não aguenta correr o tempo todo, mas enquanto está em campo é essencial para o domínio do meio-campo.

Marcel tem melhorado. Não é um craque, mas tromba com a defesa inimiga, ajuda na marcação da saída de bola e é importante nas bolas altas. Hoje atuou até como zagueiro nas bolas paradas do São Paulo. Creio que tenha sido sua melhor, ou menos ruim, atuação no Santos.

Zé Eduardo é mais rápido e insinuante e sempre cria mais espaços quando entra. Só precisa ser mais decisivo, não desperdiças contra-ataques.

Os zagueiros Edu Dracena e Durval são limitados, mas hoje foram auxiliados pelo meio-campo e não comprometeram muito. De qualquer forma, não dá para ficar com dois zagueiros pesadões e veteranos. Ao menos um deles deveria ser substituído por alguém com maior poder de recuperação.

Os laterais Maranhão e Alex Sandro não são de todo ruins e às vezes até apoiam bem, principalmente Maranhão, que hoje se mostrou bem atuante. Mas lhes falta mais cabeça, mais experiência. Maranhão até avança bem, mas na hora de chutar a gol, ao menos hoje, foi um desastre. Que treinem mais este fundamento: bater na bola.

Rodriguinho compõe bem o meio, mas dificilmente tira a bola de um adversário sem cometer falta. Hoje contei duas vezes em que ao atacante do São Paulo estava de costas para o campo e mesmo assim Rodriguinho fez faltas, propiciando boas chances de cruzamento à área.

Dos novatos, Breitner entrou inseguro, mas melhorou bem, e Danilo, jogando fora de sua posição, até que se saiu bem. Espera-se que Dorival Junior não invente mais e deixe o rapaz jogar na sua, que é a lateral-direita.

No São Paulo, em que Ricardo Gomes já subiu ao telhado, gostei do início de Cléber Santana e das entradas de Marlos e Washington. Marcelinho Paraíba só utou, Rogério Ceni não teve culpa no gol (ou será que deveria ter saído do gol para cortar o cruzamento?), Fernandinho pouco fez e, como já citei, ao menos os jovens Samuel, Diogo e Casemiro mostraram personalidade e certamente merecerão novas chances no time principal.

A arbitragem de Luiz Flávio de Oliveira foi boa, sem influência no resultado. O único senão foi o público, apenas 9.367 pagantes, mas como não dava para jogar no Pacaembu, que à noitinha teria o jogo do Corinthians com o Guarani, o jeito era jogar na Vila Belmiro – que, ao menos nas horas em que o time precisa do carinho da torcida, costuma funcionar.

Como é óbvio, a vitória melhorará o ânimo dos santistas para o jogo decisivo contra o Vitória. Se jogar tudo o que pode na quarta-feira, o Santos deverá vencer, apesar da boa fase do adversário. Ao São Paulo restou o aprofundamento da crise, já que dos quatro jogos que fez no retorno das férias, empatou um e perdeu três.

Neste momento, a direção são-paulina deve estar vivendo o velho dilema: espera-se os jogos contra o Internacional, que são, na verdade, os que interessam ao Tricolor nesta volta da Copa, ou demite-se Ricardo Gomes antes? O mais inteligente é esperar. Ricardo Gomes não é nenhuma maravilha, mas é um bom técnico e não há nenhum outro do mesmo nível no mercado.

E você, o que achou do Sansão de hoje? Acha que a vitória dará o ânimo que o santos precisava para a partida contra o Vitória: E o São Paulo, arrancará ao menos um empate no Beira-Rio?