Assim como aconteceu ontem, no jogo do Brasil, a Argentina pode ter os atacantes mais habilidosos, porém a Alemanha, no todo, é um time melhor.

A diferença, porém, não é tão acentuada como em Brasil e Holanda. Ontem, o Brasil dependia, basicamente, de Kaká e Robinho. Os argentinos têm mais opções.

Não me surpreenderia, portanto, se hoje nosso vizinho também fosse mandado de volta pra casa (e que Maradona, em gestões de fúria de quem perde a máscara e se vê derrotado, fizesse o suficiente para ser expulso de campo).

Adoraria se o Paraguai passasse pela Espanha, mas além de ser muito difícil, ficaria a pergunta: e depois, o que ele fará contra o vencedor de Alemanha e Argentina?

Por outro lado, está na hora de a Espanha chegar a uma final, quem sabe ganhar um título. Já fizeram, ao longo da história do futebol, o suficiente para merecer ao menos disputar a decisão de uma Copa.

E se é por questão de merecimento, os holandeses merecem mais. Aconteceram para o futebol em 1974 e nunca mais sumiram. Mereciam ser campeões em 1974 e 1978, Copas em que só foram derrotados na final e pelos donos da casa.

Então, se for por questão de justiça, Holanda e Espanha seriam bons campeões, que revitalizariam o futebol.

E o Uruguai? Bem, parece que os deuses estão com eles. O que aconteceu ontem pareceu esses finais felizes bolados por roteiristas exagerados. O time adversário perde o pênalti decisivo no último lance do jogo e depois o Uruguai vence com uma penalidade sobrada por Louco Abreu. A torcida do Botafogo deve ter ficado bem feliz.

Como o único consolo do inferno é que você nunca estará sozinho, ontem o inferno de Gana foi muito maior do que o do Brasil. Ser eliminada como a seleção africana foi, é uma dor que doerá sempre na memória. Quem sabe, porém, tenha sido um ritual de passagem, um sofrimento necessário para a maioridade do futebol não sé de Gana, mas da África –que tem um potencial enorme, mas ainda carrega uma carga pesadíssima de imaturidade.

Por que o Brasil perdeu?

Milhões estão se perguntando e respondendo a esta pergunta agora, cada um à sua maneira.

Acho que a maior causa da derrota brasileira foi o adversário, que era superior. Como escrevi no post de ontem, como time a Holanda estava melhor, em todos os sentidos: técnico, tático, físico, atlético.

O Brasil se superou no primeiro tempo, quando poderia ter chegado a uma vantagem de dois gols.

No segundo, o time parecia mais cansado, enquanto os holandeses foram para cima sem medo do contra-ataque brasileiro, que inexistiu na segunda etapa.

Se tirasse um atacante no início do segundo tempo e fechasse mais o meio com um dos infindáveis volantes que levou, talvez o Brasil tivesse passado a segunda etapa sem levar gols dos holandeses e estaria classificado. Mas quem aceitaria que saíssem Luís Fabiano, Kaká ou Robinho para a entrada de um Josué?

Como terminou o primeiro tempo jogando bem, Dunga não mexeu no time, mas a verdade é que no segundo tempo o Brasil foi afogado em seu campo e os atacantes se tornaram apenas marcadores, perdendo sua função.

Um time mais humilde, sem tanta tradição, teria simplesmente se fechado na defesa e segurado a vitória mínima. Talvez desse certo. Esperava-se por novos contra-ataques “mortais”, mas eles nunca vieram.

Kaká fez o que podia, mesmo machucado e com dores; Robinho também deu o máximo, mas não é mais o mesmo Robinho que saiu do Santos, em 2005. Se agora ele era coadjuvante de Neymar e Paulo Henrique Ganso e, todo santista sabe, não joga tão bem como os outros dois, por que na Seleção ele voaria baixo? E Luís Fabiano foi o centroavante pouco técnico e trombador que a gente conhece. Pode sair de uma partida como herói, ou pode passar um jogo inteiro sem fazer nada, como ontem.

Dunga convocou mal? Bem, nós que iniciamos a campanha por #gansoeneymarnaselecao não temos qualquer dúvida de que os dois do Santos deveriam estar lá. E se contasse mais jogadores santistas, como Arouca e Wesley, ao menos do meio para a frente poderíamos esperar mais harmonia, maior combinação de jogadas. Mas também não se pode afirmar que o Brasil venceria a Holanda com os santistas.

Dunga até que se saiu muito bem na Seleção diante do fato de nunca ter sido técnico antes. Em cinco competições, ganhou três. Pena que uma delas não foi a Copa, mas não se pode tirar os méritos dele.

Faltou-lhe jogo de cintura para perceber que até as eliminatórias a situação era uma, depois mudou. As outras equipes se fortaleceram e o Brasil enfraqueceu.

Se um jogador é reserva no seu time, mas joga bem na Seleção, é uma coisa, mas se muitos dos titulares da Seleção são reservas em seus clubes, então é preciso fazer uma análise mais cuidadosa da forma de cada um.

Admito que falar agora é fácil, mas nós, que estamos falando nisso desde o começo, só estamos repetindo o que o Brasil todo já sabia.

A voz do povo é a voz de Deus. Esta, talvez, seja a maior lição que tenha ficado da eliminação do Brasil. Se a maioria das pessoas pede, implora, pela convocação de jogadores, por que não satisfazer essa vontade, já que a Copa é um evento do povo, não do Dunga, de sua comissão técnica ou do paraquedista Ricardo Teixeira?

Não se pode dizer que tenha faltado luta dos jogadores. Faltou jogo mesmo. O adversário era melhor. Ponto. A única chance do Brasil era ter melhores jogadores e um técnico mais experiente.

(já ouço fogos, acho que a Alemanha deve ter inaugurado o marcador. As pessoas sempre encontram uma maneira de extrair alegria da vida. E da Copa).