No tênis, costuma-se dizer que se aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. É uma verdade, mas é preciso ter humildade e inteligência para aprender. Pois se o perdedor não admite os erros e continua a cometê-los, certamente novas derrotas virão.

Quando meu filho jogava tênis, eu o acompanha nos torneios e sempre que ele perdia eu controlava minha tristeza e lhe perguntava: “Tudo bem, mas o que você aprendeu hoje?”. Aí ele me dizia porque achava que tinha perdido. Assim, foi corrigindo o que estava errado, até que pôde jogar bem e, ao fazer um ano de intercâmbio nos Estados Unidos, destacar-se no colégio e ser campeão estadual da Virgínia com 21 vitórias em 21 jogos!

O grande Santos, dos tempos memoráveis de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito & Cia, detestava perder. Coutinho me disse que quando perdia não saía de casa até que o time vencesse de novo. Ele também não trocava camisa com nenhum jogador. Se o adversário passava o jogo tentando tirar-lhe a vitória, às vezes até com violência e maldade, por que trocaria de camisa com ele depois da partida. “Não tenho camisa de nenhum time em casa, só do Santos”, me garantiu.

Bem, aquele grande Santos não era só um time de craques, era um time de homens com “H” maiúsculo. Nunca perdia dois jogos seguidos e algumas de suas grandes goleadas foram obtidas logo depois de uma derrota sofrida, porque o time entrava “mordido” para o próximo jogo.

Foi assim nos lendários 11 a 0 sobre o bom Botafogo de Ribeirão Preto, na Vila Belmiro. No meio da semana o Santos, cansado de uma viagem, tinha sido goleado pelo Guarani, em Campinas, por 5 a 1. No sábado, pegou o pobre do Botafogo, que pagou o pato. Ao final do primeiro tempo já estava 7 a 0. Só Pelé marcou oito gols naquela partida.

Segunda-feira sem brincadeiras. Mas de muita reflexão

Se analisarmos bem, esta é a primeira segunda-feira do ano que os Meninos da Vila sentem, realmente, o gosto da derrota. Pois no Campeonato Paulista, mesmo depois de algum revés, como aquele contra o Palmeiras, em Santos (4 a 3), o time era o líder e caminhava firme para as semifinais.

Na Taça Brasil, mesmo depois de perder para Atlético Mineiro e Grêmio, nos jogos de ida, ainda teria de fazer a segunda partida, na Vila Belmiro, e lá, todos sabiam, a possibilidade de vitória era total, como acabou acontecendo.

Mas agora, não. O Santos perdeu em casa, com o time completo, e é uma derrota irreversível – pois neste Brasileiro os pontos perdidos não voltam mais. A dura realidade é que o time que estava disputando a liderança antes das férias da Copa do Mundo, agora ocupa a nona posição e pode entrar na zona de rebaixamento se perder do Atlético Paranaense depois de amanhã.

É uma hora boa para se obter respostas para algumas questões cruciais, tais como: Como reagirão os Meninos diante do mau momento: terão cabeça e maturidade para dar a volta por cima, ou se sentirão inseguros e desorientados?

O que fará Dorival Junior para trazer de volta a alegria e a motivação que fez deste time o melhor do país no primeiro semestre?

E como reagirá a diretoria, que não poderá ver a chance de brigar pelo título brasileiro ir se distanciando a cada rodada sem fazer nada?

Enfim, mesmo as derrotas, por mais doídas que sejam, trazem oportunidades de avaliação e crescimento. E, por mais difíceis que sejam, devem ser encaradas de frente, sem desculpas e sem prantos. Entregar-se a elas é assinar um atestado de eterno perdedor, o que não condiz com o Santos.

Mas ignorá-las, fingir que está tudo bem, quando se sabe que a situação está fugindo do controle, é pedir para que novas e mais profundas tristezas aconteçam. Que o Santos saiba aprender com a lição dada pelo esforçado e humilde Fluminense.