Reveja o gol de Fernando Torres contra a Alemanha que deu o título para a Espanha na Euro 2008. Será que ele fez falta no zagueiro? O certo é que os alemães estão loucos para dar o troco.

Quem não gostaria de ver uma final entre Holanda e Espanha? Até porque nenhuma das duas ainda foi campeã do mundo e a decisão entre elas fará esta Copa tornar-se uma espécie de café-com-leite, pois não alterará substancialmente o balanço das forças do futebol mundial.

E bem que merecem. Quanto à Holanda, não tenho qualquer dúvida. Foi duas vezes finalista com a ingrata missão de vencer os donos da casa na decisão. Perdeu, mas em 1974 mostrou o futebol mais revolucionário que já surgiu em uma Copa, com o seu carrossel, ou a laranja mecânica.

O time defendia e atacava em bloco, avançava com a bola como se os jogadores rodopiassem ao redor dela, tonteando o adversário, que não sabia a quem marcar. Tinham um gênio chamado Johan Cruyff, mas outros também excepcionais, como Rep, Neskens, Krol, Rensenbrink.

Humilharam a Argentina, que sofreu um vexatório 4 a 0, e também ao Uruguai, onde jogavam os são-paulinos Pedro Rocha e Pablo Forlan, pai do Diego atual. O Uruguai perdeu só de 2 a 0, mas o baile foi o mesmo, ou maior.

Todos queriam que aquela Holanda fosse campeã, mas assim como o Brasil de 1950 e a Hungria de 1954, o futebol mais bonito perdeu a decisão para a aplicação tática e, por que não, para o bom futebol alemão, que tinha também o seu super craque, Franz Beckenbauer, e outros ótimos como Breitner, o artilheiro Gerd Muller e o goleiro Sepp Maier.

A Holanda saiu ganhando e perdeu de 2 a 1. Quatro anos depois, saiu perdendo, empatou e sofreu mais dois gols na prorrogação, desta vez deixando a taça na Argentina. Creio que tinha mais time que o adversário, mas aquela Copa foi literalmente armada para a Argentina ganhar. Haveria uma revolução se o resultado fosse outro. O clima era tão pesado no país, os direitos humanos eram tão desprezados por lá, que Johan Cruyff se recusou a participar do Mundial (eram tempos de jogadores de personalidade, que tinham outros valores além do dinheiro e da fama).

Por tudo isso, ficaria feliz com o título para a Holanda. Porém, não ficaria triste se a Espanha vencesse os dois jogos que lhe faltam e fosse campeã do mundo. Há muito os espanhóis chegam mais ou menos perto. Eliminaram o Brasil em 1934 (3 a 1), jogaram a fase final em 1950, foram roubados pela arbitragem em 1962 e novamente roubados em 2002.

Por amar tanto o futebol e por organizar um dos melhores campeonatos nacionais do mundo, os espanhóis já merecem entrar definitivamente para a história com a conquista de uma Copa. Bem, merecer Holanda e Espanha merecem, mas…

Mas a grande favorita para o título é mesmo a Alemanha. Depois de vê-la perder da Sérvia e sofrer contra Gana, imaginei que não iria muito longe. Mas a verdade é que o time foi ganhando corpo nos jogos eliminatórios e hoje será muito difícil que perca dos espanhóis.

Como já definiu bem Casagrande, a Espanha toca a bola de maneira magnífica, mas conclui pouco a gol. Parece os times norte-americanos de basquete antes das cestas de três pontos, quando jogavam só para arremessar embaixo do garrafão, de preferência com uma enterrada.

A Alemanha é mais objetiva, e esta objetividade deve fazer a diferença hoje. Eu digo deve porque desta vez não tenho a mesma convicção de ontem. Não conseguia vislumbrar uma vitória uruguaia, mas hoje a possibilidade de um triunfo espanhol existe.

É aquele jogo em que será preciso algo mais, um pouco mais de coração e alma, para reverter a tendência que é o domínio e a vitória alemã. É, talvez, o jogo mais importante do futebol espanhol em todas as Copas, pois se vencer ao menos estará garantido na final, algo que nunca aconteceu antes.

Torcerei, sim, torcerei pela Espanha. Ela merece pelo conjunto da obra e também porque será bom para o futebol. Mas sei que vencer uma semifinal contra esta Alemanha exige um padrão muito alto e competitivo durante todo o tempo, e isto é que deixa uma insegurança no ar. Esta Espanha não me parece capaz de fazer um jogo sem erros, e esta Alemanha parece estar sempre pronta para aproveitar a fraqueza dos outros.