Este filme é uma homenagem à Celeste Olímpica, a brava Seleção Uruguaia que foi a melhor sul-americana na Copa da África. Campeão dos Jogos Olímpicos de 1924 e 28 e das Copas de 1930 e 1950, o Uruguai se considera quatro vezes campeão mundial.

Sabe o que este título quer dizer? Que a Holanda ganhará do Uruguai com relativa facilidade e todos admitirão, depois, que perder dos holandeses só por 2 a 1 não foi nenhuma vergonha.

No mínimo por dois gols de diferença. Assim será a vitória da Holanda, logo mais. Tenho bola de cristal? Não, mas sei analisar o potencial de um time. O da Holanda é mais sólido, mais compacto, mais incisivo do que o do Uruguai, que depende demais de Fourlan e Suárez – que hoje não joga.

Mas é o que eu quero que aconteça? Claro que não. Adoraria ver os uruguaios em uma final. Mais do que isso: campeões do mundo pela terceira vez, o que retornaria nossos vizinhos argentinos para o terceiro lugar no continente, com dois títulos mundiais, atrás de Brasil e Uruguai.

Ah, uruguaios campeões do mundo seria uma história para roteirista nenhum botar defeito! O último a se classificar nas Américas seria o primeiro do mundo. Nós santistas, conhecemos bem essa história, pois foi assim que o Santos se tornou campeão brasileiro em 2002, entrando ns finais na bacia das almas e saindo de alma lavada.

Mas o Uruguai já foi muito longe nesta Copa, já fez história, já deixou uma lição de garra e desportividade. Sim, não precisou jogar sujo, ser violento, para provar que seu futebol pode renascer. A garra uruguaia teve outro sentido nesta Copa. Significou esforço físico, sim, mas, mais do que isso, esperança. O Uruguai nunca desistiu. Mas hoje ele dará adeus à Copa.

Espero que seja um adeus digno, corajoso, de cabeça em pé. Que seus jogadores não percam a esportiva quando perceberem que a Holanda é um conjunto superior, com uma defesa aplicada, um meio-campo habilidoso e móvel e um ataque que se aproveita das mínimas chances.

Ainda ouço muito comentarista brasileiro dizer que a Holanda só venceu o time de Dunga porque se valeu de duas falhas da defesa brasileira. Ora, as falhas aconteceram porque os holandeses passaram a maior parte do jogo rondando a área de Júlio César. Água mole em pedra dura…

Na outra semifinal ainda vejo maiores possibilidades de uma surpresa, que seria a improvável, mas aceitável, vitória da Espanha sobre a Alemanha. Mas hoje, nem nos meus sonhos mais loucos, vislumbro o Uruguai comemorando mais um pequeno milagre na África do Sul.