O senhor Ricardo Teixeira quer se perpetuar na presidência da CBF. Entende-se, há muita gente vaidosa por aí. Mas não podia trabalhar um pouquinho? Mostrar um mínimo de bom senso e organização? O episódio da escolha do técnico da Seleção foi bizarro, assim como já tinha sido o anúncio da taça das bolinhas para o São Paulo, o anúncio e o desanúncio do Morumbi como estádio da abertura da Copa e o apoio a Kléber Leite, outro paraquedista, para a presidência do Clube dos 13. Ah, ainda me esqueci da demissão de Dunga, pelo site, sem o mínimo respeito, como se só o técnico fosse o culpado pelo fracasso do Brasil na Copa da África.

Não é verdade que as relações entre Ricardo Teixeira e o presidente do Fluminense, seu ex-cardiologista Roberto Horcades Figueira, tenha se desgastado só este ano, com a recusa do Fluminense de apoiar a chapa de Kléber Leite no Clube dos Treze.

Há mais de um ano, quando Teixeira tratou com desdém a reivindicação legítima do Fluminense para que a Taça de Prata de 1970 fosse ratificada como o segundo título brasileiro do tricolor, Horcades se sentiu ofendido. Ele havia oferecido o salão nobre do Fluminense para um painel com a imprensa sobre a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Neste painel, organizado por José Carlos Peres e exposto por mim, com ajuda de Vítor Queiroz, ficou tão clara a validade dos títulos – diante da quantidade e valor dos documentos apresentados –, que nenhum jornalista presente contestou. Saímos de lá confiantes do aval da CBF. Horcades, todo sorrisos, chegou a dizer que tinha certeza de que seu amigo e paciente assinaria sem problemas a ratificação dos títulos.

Porém, como se sabe, desde então Teixeira foge do dossiê como o diabo da cruz. Chegou a ser grosseiro com Horcades quando este tocou no assunto, o que fez o presidente do Flu sentir-se tremendamente desprestigiado, pois para o evento convidou representantes de seis grandes clubes brasileiros – Fluminense, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Botafogo e Bahia –, em um esforço para corrigir o estranho esquecimento histórico.

Há tempos, portanto, que Teixeira trata Horcades com desrespeito. Não é de se estranhar que tenha convidado Muricy Ramalho para técnico da Seleção sem ao menos ter conversado antes com a direção do clube ao qual o treinador está ligado por contrato.

Este senhor que não conhece elegância, diplomacia e muito menos planejamento e organização, é o que quer organizar uma Copa do Mundo no Brasil? Tsc, tsc, tsc. Ainda está em tempo de mudar. Nem a indicação quebra-galho de Mano Menezes, do popular Corinthians, deverá melhorar as coisas para Teixeira, que contra todas as expectativas está encostando a escada na parede para subir no telhado.

E você, o que achou do convite a Mano Menezes? Foi politicagem, improviso, ou o técnico do Corinthians é mesmo a melhor opção para dirigir a Seleção Brasileira? E o que você pensa de Ricardo Teixeira? É o melhor presidente que a CBF pode ter?