Há uma maneira, prática, de se calcular as chances de dois times que se enfrentam. Por falta de referências anteriores, chamemos a este cálculo matemático de “Método Cientítico OC”, em homenagem ao seu criador, este humilde blogueiro que vos fala.

Para isso, em primeiro lugar, temos de eleger um time-padrão, que deve ser uma equipe boa, competitiva, vencedora, que entra nas competições sempre interessada no título. No Brasil, ao menos nesta última década, o time-padrão deve ser o São Paulo.

A este time-padrão daremos a nota 100. Este valor servirá de parâmetro para a comparação com as outras equipes. A partir desta informação, analisemos então as chances de Santos e Vitória na quarta-feira.

Se este Santos atingir o máximo de seu potencial, ou seja, repetir suas melhores atuações no primeiro semestre deste ano, ele terá um rendimento de 30% a 40% superior ao São Paulo, que é o time-padrão, certo? Sim, até porque no Campeonato Paulista, quando as duas equipes se enfrentaram com todos os seus titulares, o Santos ganhou os três jogos que fez contra o Tricolor, e sempre com indiscutível superioridade (2 a 1, 2 a 1 e 3 a 0).

Eu diria, então, que se o São Paulo representa 100, este Santos, se jogar o máximo que pode, significa 140. Correto?

E o Vitória? Bem, o atual tricampeão baiano tem jogado bem. Digamos que se mostrar tudo o que pode na quarta-feira, atingirá 90% do rendimento médio de nosso time-base, o São Paulo. Portanto, se o São Paulo é 100, o Vitória poderia chegar a 90. Ok?

Então, grosso modo, diríamos que se Santos e Vitória jogarem o máximo que podem, teremos 140 (Santos) contra 90 (Vitória), com grandes possibilidades – salvo as imponderabilidades do futebol – de um triunfo santista por dois ou mais gols de diferença.

Dentro e fora de casa

Claro que nem sempre as equipes apresentam o seu melhor futebol, e por isso há tantas surpresas neste esporte. Se o Santos jogar apenas 70% do que apresentou no primeiro semestre e o Vitória alcançar o seu 100%, então teremos 98 do Santos contra 90 do Vitória, em um equilíbrio que pode levar a um empate.

E, diga-se de passagem, o Santos não tem jogado 50% do que pode (70 pontos), enquanto o Vitória tem alcançado no mínimo 80% do que mostrou antes das férias da Copa (72 pontos). Se este quadro perdurar na quarta-feira, o empate será o resultado mais lógico.

Mas, para que a previsão seja mais correta, deve-se levar em conta outros fatores, como o rendimento do time em seu campo e fora dele. Neste caso, é evidente que o Santos joga muito melhor em seu estádio, no qual venceu o São Paulo ontem e dominou a partida contra o Fluminense, mesmo perdendo.

Assim, na Vila o Santos chegou, em média, a 70% do seu melhor rendimento, ou 98 pontos. Por outro lado, o Vitória costuma jogar bem fora de casa, mas não tanto como em Salvador. Presume-se que na quarta-feira o time baiano consiga alcançar, no máximo, 80% de seu potencial, o que lhe daria 72 pontos – diferença suficiente (98 a 72) para se prever, com segurança, uma vitória santista por no mínimo um gol de diferença.

Elenco, Motivação…

Não sabemos se Dorival Junior escalará André, já negociado com o Dínamo de Kiev, mas, de qualquer forma, os problemas de elenco do Vitória são mais graves, já que o time perdeu vários titulares e o que enfrentará o Santos não é o mesmo que se classificou para as finais da Copa do Brasil. Neste quesito, o Santos parece estar um pouco melhor.

Porém, quanto à motivação, a dos baianos tem tudo para ser maior, pois em toda a sua história o Vitória jamais conquistou um título nacional. Seu feito mais importante foi o vice-campeonato do Brasil, em 1993, enquanto o Santos já foi oito vezes campeão brasileiro e outras quatro vezes vice-campeão.

A motivação, como se sabe, faz um jogador dedicar-se inteiramente a uma partida, enquanto a falta dela impede que atinja o máximo de seu jogo. Porém, em uma final importante como esta, é difícil acreditar que algum dos 22 jogadores esteja pensando em outra coisa que não seja o título e o orgulho de deixar o nome na história de seu clube.

Conclusão: dará Santos, por dois gols de diferença

Depois de analisar todas as probabilidades e levando-se em conta que os quesitos elenco e motivação não deverão influir significativamente nos cálculos anteriores, não dá para prever outra coisa no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, quarta-feira, do que uma vitória do Santos por, no mínimo, dois gols de diferença.

Claro que este é apenas um cálculo frio e matemático. E deveria ser anunciado poucos minutos antes do jogo. Pois escrito assim, com dois dias de antecedência, pode ser conhecido pelos contendores e, como explica a física quântica, alterar as condições do experimento, no caso a partida.

Então, o Vitória não poderá vencer na Vila? Sim, claro, mas para isso dependerá de circunstâncias especiais, tais como: 1 – Uma jornada espetacular de sua equipe, chamada de “superação”, que, como o nome diz, alcançaria um nível superior aos 90 pontos que é o seu máximo; 2 – Uma partida muito ruim do Santos, que atingiria menos de 70% de seu potencial; 3 – Fatores imponderáveis a favor do time visitante, tais como: erros de arbitragem, expulsões ou contusões de santistas, gol(s) fortuito(s).

Assim, por mais que o Santos seja o favorito, surpresas podem acontecer e é por isso mesmo que o futebol é tão emocionante. Porém, como o comentarista não deve contar com a sorte, e apenas com a lógica, eu diria que o santista deve ir à Vila Belmiro sem sustos na quarta-feira e apoiar o time do começo ao fim, pois deverá assistir a um grande jogo e a uma vitória incontestável do Alvinegro Praiano.

E para você, o que vai dar na quarta-feira? O Santos voltará a jogar como no primeiro semestre e conseguirá grande vitória, ou será parado pelo bom tricampeão baiano?