Não creio que a Alemanha se torne um adversário fácil de ser batido só porque não tem mais chances de ser campeã. O senso de dever do jogador alemão não permitirá que jogue desmotivado hoje, na disputa do terceiro da Copa, contra o Uruguai .Ser o terceiro não é melhor do que conquistar o título, claro, mas é melhor do que ser o quarto, e ninguém, muito menos um alemão, gosta de perder.

Para o Uruguai, o jogo é simplesmente o mais importante que faz desde o Mundial de 1970. Uma vitória e tornará a equipe que era a quinta nas Américas, a terceira do mundo. Seria uma grande conquista para um futebol que há muito anda desacreditado, de um país que já foi chamado de “A Suíça da América do Sul” e hoje não consegue reencontrar o caminho do progresso.

Por aí se vê que a vitória vale muito mais para os uruguaios e é de se esperar que corram e lutem mais por ela. Entretanto, uma partida como a de hoje tem um lado positivo, que pode tornar o jogo mais bonito e emocionante: o medo de perder não será maior do que a vontade de ganhar, o que implica mais jogadas ofensivas e uma preocupação menor com a defesa – cuidado que enfeiou boa parte dos jogos desta Copa.

A luta de Miroslav Klose para marcar dois gols e superar Ronaldo como o maior artilheiro das Copas será uma atração à parte. Outra é a presença de Diego Forlan, o atacante que seguramente melhor se entendeu com a discutida jabulani na África do Sul. Seus chutes provocam efeitos inesperados na bola e enganam os goleiros – uma prova de que os craques sempre conseguem dominar as gorduchinhas, mesmo as mais rebeldes.

Quanto a mim, torcerei para os vizinhos uruguaios, claro. A aplicação deles nesta Copa foi comovente. E a vitória, hoje, será muito comemorada por seus torcedores. Mas também estou curioso para ver o esforço de Klose atrás dos gols que poderão imortalizá-lo.

E você, torcerá para quem? E quanto a Klose, quer que o alemão marque e supere Ronaldo, ou vai secá-lo para o recorde continuar com o brasileiro?