O técnico Muricy Ramalho armou uma retranca na Vila Belmiro, arriscou alguns contra-ataques e, graças ao desleixo com que o Santos encarou a partida, conseguiu voltar para o Rio de Janeiro com uma vitória caída dos céus por 1 a 0. Nesta segunda-feira talvez digam que o Fluminense é candidato ao título e o Santos não é mais o mesmo do primeiro semestre. Mas isto seria apenas meia verdade.

Infelizmente, mesmo de onde se espera uma visão um pouco mais parcial e criativa de um jogo de futebol, o que se tem é a mesma regra de sempre: se ganhou, jogou bem, se perder, jogou mal.

Meu primeiro contato com a opinião de jornalistas esportivos após uma partida costuma ser no UOL, que assino. E logo de cara deparo-me com a mesma visão padronizada, pois no lead da matéria já há uma incoerência. Diz: “Mas o Fluminense não se intimidou. Com uma retranca bem postada…”. Ora, um time que não se intimida precisa armar retranca?

O texto da matéria no UOL diz que o Fluminense confirmou a “boa fase” e subiu para vice-líder do campeonato. Na lista dos “principais lances” do jogo, todos os cinco do primeiro tempo escolhidos pelo site foram do Santos; e dos oito do segundo, apenas três do Fluminense (e isso porque esqueceram do último lance, com Marcel, que dominou sozinho na pequena área e se enrolou com a bola). Ou seja, das 13 oportunidades selecionadas pelo UOL, o Santos teve 10, mas afirmam que o Flu está em “boa fase” e não se intimidou na Vila.

Ora, ora, ora… O Fluminense ganhou com um gol legal. Parabéns. Mas dizer que esta vitória o confirma como um dos candidatos ao título é exagero. Seus principais jogadores são os mesmos que no ano passado quase levaram a equipe à Série B. Salvou-se só na última rodada e ficou apenas um ponto à frente da zona do rebaixamento.

Muricy está motivando a equipe, conseguindo extrair o máximo de empenho dos jogadores, mas futebol que é bom, o Flu ainda está devendo. As vitórias têm sido conseguidas à fórceps e hoje foi evidente a surpresa que ela provocou até mesmo em seus jogadores, que se abraçaram, emocionados, após o encerramento do jogo.

Os palhaços estão pondo fogo no circo

Sexta-feira, na Rádio Globo, preveni aos palmeirenses que não se entusiasmassem demais com o Palmeiras e previ uma derrota do time, hoje, para o Avaí. Ganhar deste Santos sem brilho e sem ânimo não é credencial para time nenhum.

A lógica era o Santos ter vencido o Palmeiras e voltado a vencer hoje, com folga, este limitado Fluminense, assumindo a segunda posição do Brasileiro. Ao invés disso, está em nono lugar, a três pontos da zona do rebaixamento. Por que será? Bem, há vários fatores.

O primeiro é a tal janela de transferências, em agosto. Como prostitutas diante de um novo cliente rico – e digo isso com todo o respeito às prostitutas, que têm uma profissão como outra qualquer –, há jogadores de futebol que ficam excitados para trocar de cama, ou melhor, de clube, e rapidamente se esquecem de quem lhes deu casa, comida, trabalho e prestígio.

Bem, isso já é normal para torcedores de times do terceiro mundo e os santistas já estão acostumados com a história. Mas aí é que deve entrar o técnico e a diretoria com uma postura firme, profissional, coisas que este Santos positivamente não tem.

Achei legal a história do Luis Álvaro de que o Santos é o Cirque du Soleil. Só que quanto melhor é o espetáculo, mais profissionais devem ser os artistas. E o que está acontecendo no Santos é que os palhaços estão a ponto de botar fogo no circo (esta história de que o Robinho e o Wesley começaram brincando de mão e saíram na porrada não me surpreende).

Abre o olho, Dorival

Preveni Dorival Junior no meu post de ontem. Disse a ele para não escalar o André, não deixar de colocar o Danilo no banco, não subestimar Zé Eduardo e Madson. E o que aconteceu hoje?

Começou com André, que está com o crânio na Ucrânia e não fez nada, e teve de substituí-lo no segundo tempo; teimou com Maranhão, que andou tropicando na bola; e no fim foi obrigado a colocar Madson e Zé Eduardo para tentar ao menos o empate.

Pô, pra fazer isso não precisa ser técnico do Santos e ganhar mais de 200 mil por mês. Deixa comigo que eu faço bem melhor.

Olha, Dorival, assim vou ficar cansado de lhe defender. Faça o óbvio, meu amigo. Não invente. Aproveite que sua profissão está valorizada e ganhe seu bom dinheirinho sem querer passar de professor a mestre, coisa que você não é e, pelo jeito, nunca será.

Não quero acreditar que você perdeu o comando dos garotos. Se você não conseguir controlar um bando de moleques, vai controlar quem? É sua chance de provar que é um bom técnico e não um técnico-paraguaio, que começa bem nos clubes, mas em pouco tempo está dominado pelos jogadores.

Você tem insistido nos mesmos erros. Esta teimosia com o André vai lhe custar caro. O garoto não quer mais dividir. Hoje, perdeu um gol feito. E o Marcel, numa boa, não serve para o Santos. O Zé Eduardo ao menos corre, se desloca. O mesmo faz o Madson. Se os dois estivessem no time desde o começo, talvez a sorte tivesse sido outra.

Enfim, hoje é a pior noite de domingo para os santistas neste ano. E os próximos dias não deverão ser melhores, pois o próximo jogo será contra o Atlético/PR em Curitiba. Se continuar assim, logo, logo, a equipe estará entre as últimas. Como pode um time, com os mesmos jogadores que encantaram o Brasil, agora tropeçar diante de adversários tão limitados?

Nestas horas é que se vê como é difícil torcer para um time de país pobre, em que os clubes não apitam nada e o futebol é controlado por uma confederação que só enxerga o próprio umbigo. Futebol em que quase todos os jogadores estão loucos para jogar em um “time grande” da Europa – mesmo que este time seja de países como Ucrânia, Rússia, Grécia, Turquia, que não têm tradição no esporte, mas têm dinheiro, muito dinheiro.