Venceu a posse e o toque de bola. E a vontade de ir à frente. Ainda bem. Se a Alemanha ganhasse hoje e depois vencesse a Holanda na final, jogando no contra-ataque, milhares de técnicos no mundo teriam a desculpa pronta para colocar seus times na retranca.

Mas a Espanha, como a Holanda, privilegia a posse de bola e o ataque e com ele colocou a Alemanha na roda (por incrível que pareça, o Paraguai foi mais corajoso contra a Espanha do que os germânicos).

O jogo de hoje não teve lances de grande virtuosismo, mas impressionou pela dedicação e disciplina. Apenas 16 faltas em uma nervosa semifinal de Copa é um recorde. Mérito dos jogadores, que se respeitaram e mérito maior do árbitro húngaro Viktor Kassai, que deixou o jogo correr, mas sem permitir a violência.

O zagueiro Puyol mereceu também fazer o gol da vitória – pela liderança, pela determinação e garra. Este é um líder de fato.

Alemanha e Holanda chegam a uma final equilibradíssima. Hoje eu diria que pela forma como controlou a partida contra a temida Alemanha, a Espanha deve ser considerada favorita para o título. Dá a impressão de ter um pouco mais, em talentos individuais e destemor, do que a Holanda.

Porém, a campanha dos holandeses é irretocável, enquanto a Espanha traz uma derrota neste Mundial, para os suíços.

Acho que para o futebol seria maravilhoso ter os espanhóis como campeões desta Copa. A Espanha, sem dúvida, é um dos países que mais fazem pela beleza e o crescimento do esporte. Nunca tinha conseguido traduzir esse poderio na seleção nacional, mas agora, finalmente, tem um escrete de encher os olhos.

A Holanda, por sua vez, depois de dois vice-campeonatos, também seria um campeão extremamente bem-vindo. Seu título coroaria uma obra que começou em 1974.

E se analisarmos muito bem, veremos que a Espanha tem um estilo de jogo bem parecido com o da Holanda. E não é coincidência. A base da seleção espanhola é o Barcelona, time que tem adquirido um jeito holandês de jogar desde que Johan Cruyff trabalhou como técnico lá, de 1988 a 1996, e introduziu no Barça os mesmos princípios do “Futebol Total” que fizeram o sucesso da Laranja Mecânica.

Quem controlará o jogo? Quem tomará a iniciativa? Quem conseguirá envolver o adversário e criar mais chances de gol? Quem, finalmente, poderá ostentar o ambicionado título de campeão do mundo? Bem, estas são questões para serem respondidas domingo.

Para os brasileiros, esta final será bem menos amarga do que parecia. Sem Argentina e Holanda, equipes que poderiam se aproximar do Brasil em número de títulos, nos restará apenas apreciar o espetáculo. E algo me diz que ele será dos melhores.

E você, o que achou da vitória da Espanha e o que espera da final desta Copa?

Este vídeo é uma divertida simulação produzida bem antes do jogo de hoje. É engraçado como os narradores e comentaristas torcem para a Alemanha. Parece gente que conhecemos.