Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Month: agosto 2010 (page 1 of 12)

O toma lá dá cá entre o Corinthians e Lula

O Corinthians está comemorando o seu Centenário e merece os parabéns, mesmo dos rivais. É um clube com uma história rica e uma torcida tão apaixonada e maluca que às vezes parece sofrer na alegria e sentir prazer no sofrimento. Como parte das festividades, o clube dará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o título de “Torcedor Símbolo do Centenário”. Aí eu já acho que é pisar na bola…

Para um clube que quer manter a imagem de popular, de ligado às classes humildes do país, escolher como torcedor símbolo um político milionário é extremamente contraditório. Melhor seria ter premiado alguém do povo, de vida simples, que trabalha, recebe um pequeno salário e luta para superar as dificuldades da vida como a maior parte da população. Dar o título a um político poderoso, que vive nababescamente, é um erro.

Até fica parecendo que o Corinthians quer recompensar Lula por alguma coisa, ou quer bajulá-lo para ter o direito de pedir algo depois. Alguns podem até imaginar que a decisão de abrir a Copa de 2014, em um estádio a ser construído em Itaquera, também faz parte desta troca de favores…

O astuto presidente continua com seu discurso contra as elites, como se fosse ainda um migrante semi-analfabeto que ganhasse salário mínimo. Outro dia, neste mesmo blog, vimos Lula censurando um garoto que queria jogar tênis. “Tênis é esporte de burguês, porra!”, disse sua excelência ao jovem de uma favela carioca.

O que será um “burguês” para nosso presidente? Seria um representante da classe média? Pois em nosso país a classe média designa pessoas com renda mensal entre R$ 2.800,00 e R$ 4.200,00. Ora, fora todos os benefícios, Lula tem um salário oficial de R$ 11.420,00. E não deve precisar gastar quase nada do que recebe, pois em 2006 declarou que tinha uma aplicação bancária de um milhão de reais (que renderiam cerca de mais R$ 9 mil por mês).

Os familiares de Lula também não vivem como os proletários que fundaram o Corinthians. Um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, gastou R$ 55 mil com o cartão corporativo entre abril e dezembro de 2007, provocando a denúncia que gerou a abertura de CPI no Congresso para acabar com a farra do dito cartão.

E um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, que até dezembro de 2003 vivia de subempregos, tornou-se sócio de três empresas, sem investir um tostão, e passou a ter, da noite para o dia, R$ 625.000 reais em ações. O interessante é que o negócio foi bancado pela Telemar, a maior companhia de telefonia do país.

Assim, depois de se fingir de inocente no acordo com a MSI que trouxe a máfia russa para participar ativamente do futebol brasileiro e influir decididamente no Campeonato Brasileiro de 2005, o Corinthians se enche de mesuras para com o seu torcedor mais poderoso.

Na linguagem do povo, que não é bobo, isso tudo é babação de ovo, puxa-saquismo que tem muitos interesses por trás. Para o corintiano, desde que ajude seu clube a construir o tão sonhado estádio, tudo bem. O fanatismo por um clube torna a ética e honestidade supérfluas.

Mas a história é implacável. Ele não se esquecerá de que no dia sagrado do seu Centenário, o time amado por milhões de pessoas simples, que se sacrificam por esse amor, resolveu escolher como torcedor símbolo um milionário extremamente demagogo, que ainda finge ser pobre. Um homem que alcançou o cargo mais importante do país sem ter se dedicado, ao estudo e ao trabalho, metade do tempo que os outros brasileiros, que ele chama de “burgueses”, precisam se dedicar.

Você acha que o Corinthians fez bem de escolher Lula como seu torcedor símbolo?


Para os amigos, estádios e rolagem de dívidas. Para os inimigos, a lei…

Some vésperas de eleições, acrescente os milhões de torcedores corintianos, junte ainda o apoio de Andrés Sanches à política de Ricardo Teixeira e compreenderá, sem grande esforço, por que a mesma CBF que não aprovou o estádio do Morumbi, ofereceu a abertura do Mundial de 2014 a um hipotético estádio do Corinthians que ainda não tem nenhum tijolo assentado.

Era esperado que o São Paulo fosse punido pela CBF por ter apoiado a permanência de Fábio Koff no Clube dos Treze, em detrimento de Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira. Todo mundo sabe que o presidente da CBF passa por cima da ética e das leis para prejudicar os adversários e ajudar os parceiros.

Em um país dominado pelo populismo, não é de se admirar que os dois clubes com mais torcedores sejam tratados com privilégios. Enquanto o Corinthians, sem dinheiro, quer erguer um estádio para 50, 60, 80 mil pessoas, no Rio o Flamengo continua contratando jogadores de renome, apesar de uma dívida que é a maior entre os clubes brasileiros e aumenta a cada mês.

Há dois anos o ex-jogador Leonardo, recentemente técnico do Milan, disse em um programa do Sportv que a dívida do Flamengo era impagável. Algumas fontes falavam em um valor aproximado de um bilhão de reais, que aumentava dezenas de milhões a cada mês, devido aos altos juros bancários.

Fiquei esperando, mas não li e nem assisti a nenhuma reportagem sobre o assunto. Será que não é relevante saber quanto deve o clube mais popular do país? Por que deve, não paga e ainda contrai mais dívidas ao contratar jogadores famosos? Como é possível um milagre desses?

Bem, há perguntas que nunca terão respostas baseadas na lógica e no bom senso. A única explicação é a de que Flamengo e Corinthians, clubes que, juntos, têm torcedores suficientes para eleger um presidente da república, recebem um tratamento especial não pelo que representam para o esporte, mas pelo que significam como escada para o poder político.

Em um país em que tudo é transformado em cifrões e índices de popularidade, o mérito esportivo é o que menos conta para um clube de futebol. Os amigos do rei, os freqüentadores da corte, sempre terão uma vida mais fácil. A dureza da lei só existe para os outros.

Você achou justa a maneira como o Governo e a CBF decidiram dar ao imaginário estádio do Corinthians a abertura da Copa de 2014?


Está na hora do Santos ter um estádio à sua altura

Projeto do Estádio do Santos em Diadema, com capacidade para 40 mil pessoas.

Estádio é o assunto do momento. Em Salvador botaram a Fonte Nova no chão e vão erguer um outro, bonito e moderno. Em São Paulo comenta-se o projeto do estádio do Corinthians em Itaquera (que Ricardo Teixeira aprovou sem ver) e a transformação do Parque Antártica em uma arena multiuso. Mas e o Santos, como fica nesta história?

Para alguns, não é preciso fazer mais nada. A Vila Belmiro é suficiente. Com a reforma para caber os camarotes patrocinados, o Urbano Caldeira só comporta 15 mil pessoas, mas para muitos o Santos não precisa de uma casa maior. Eu discordo.

Primeiro porque estádio é um bem que fica para a sempre, bem administrado é uma forma a mais de se faturar muito, e, por fim, é o espelho da grandeza de um time.

Com 240 milhões de reais se constrói um estádio bonito e moderno para 40 mil pessoas, que seria ideal para o Santos. Pode ser na cidade de Santos, claro, mas também pode ser em São Paulo, ou no caminho entre a capital e a Baixada Santista, aquele velho sonho de Diadema. Analisemos cada uma dessas possibilidades.

Estádio em Santos

O assunto é velho. Há quem defenda a transformação da Vila em uma espécie de La Bombonera, com arquibancadas verticalizadas e um aumento de capacidade para 25, 30 mil pessoas. Porém, todos os projetos neste sentido bateram de frente com normas proibitivas da Prefeitura de Santos, além da resistência dos moradores do bairro.

Uma outra opção seria fazer uma parceria com a Portuguesa Santista e com a Prefeitura de Santos e erguer um belo estádio municipal no terreno da Santista. Seria usado pela Prefeitura e receberia os jogos do Santos e da Portuguesa.

Estádio em São Paulo

Com a construção de seu estádio em Itaquera, o Corinthians deixará de jogar no Pacaembu, que poderá se tornar, definitivamente, o estádio santista na Capital. O belo Pacaembu tem uma localização e uma capacidade excelentes para os torcedores do Santos, que nele já bateram vários recordes de público.

Se tivesse de construir um estádio em São Paulo, o Santos deveria escolher a região da Capela do Socorro, pois ela contém o maior contingente de santistas na cidade.

Estádio em Diadema

O projeto, que já estava bem encaminhado, parecia contentar gregos e troianos. Ficaria no meio do caminho entre os 500 mil torcedores do Santos no litoral e os 1,5 milhão de santistas na Grande São Paulo. Era e é em viável. Basta a chamada vontade política.

Obstáculos

O Santos tem uma vantagem que às vezes se torna seu maior obstáculo: originário de uma cidade menor, conquistou muito mais torcedores na maior e mais rica cidade da América Latina.

Em São Paulo ele pode contar com um público mais numeroso e de maior poder aquisitivo. Mercadologicamente, não há dúvida de que mandar seus jogos na Capital aumenta seu faturamento e contribui para conquistar mais torcedores.

Por sua vez, o Santos é de Santos e tem orgulho de suas origens. Mas a verdade é que a cidade não tem espaço para crescer e o máximo que proporciona ao clube é uma média de público que varia entre 8 e 10 mil pessoas – inferior a muito time da Série B do Brasileiro.

Conclusão

A questão do estádio não pode ser empurrada eternamente com a barriga. Se a intenção do Santos é prosseguir em Santos, que se aproxime da prefeitura e de outros parceiros para ter um estádio digno de sua grandeza.

A Vila Belmiro é romântica, aconchegante, cheia de história, mas não dá ao Santos as arrecadações que ele merece como um time de ponta do Brasil.

Sei que minha opinião pode gerar alguma polêmica, mas eu defendo que o Santos construa seu estádio definitivo em São Paulo ou Diadema. Estou certo de que ele terá mais público, mais alternativas de faturamento e atrairá mais torcedores caso opte por uma dessas opções.

Se não quiser construir um estádio novo, que mantenha um rodízio permanente entre a Vila Belmiro e o Pacaembu. Aliás, para quem acha que o Pacaembu não dá sorte, eu lembro que o Alvinegro já ganhou muito mais campeonatos jogando no Pacaembu do que na Vila.

E você, como vê a questão do estádio santista? A Vila deve ser reformada ou o Santos tem de pensar na construção de uma nova casa?


Corinthians vence com ajuda da arbitragem. Fluminense, nem assim…

Um pênalti não marcado sobre Junior, do Vitória, foi decisivo para que o Corinthians vencesse no Pacaembu, assim como o pênalti mal marcado para o Fluminense, em uma clara bola na mão, poderia ter permitido ao time carioca manter sua vantagem na liderança do campeonato.

Mas Rogério Ceni, inspirado, impediu a injustiça. Ele que já havia marcado um gol de falta, pegou o pênalti cobrado por Washington e garantiu ao menos o empate para o São Paulo, que continua perto da zona de rebaixamento.

Em Minas, Luxemburgo reabilitou Felipão e ficou perto de um recorde. Seu time já sofreu 11 derrotas neste turno. Parece que o projeto do professor não está dando certo. No Palmeiras, Kléber e Marcos Assunção fizeram a diferença.

O Grêmio se salvou da derrota contra o Atlético Paranaense, que abriu o marcador com Maikon Leite.

O Avaí também garantiu ao menos um pontinho contra o Atlético Goianiense, em Goiás.

O curioso é que os três jogos das 16 horas terminaram com o mesmo placar: 2 a 1. E os três das 18h30m foram empates.

O jogo que deixou meu amigo Godô mais feliz foi a vitória do Guarani, de virada, sobre o Flamengo.

Resultados de hoje

Corinthians 2, Vitória 1
Guarani 2, Flamengo 1
Atlético/MG 1, Palmeiras 2
Fluminense 2, São Paulo 2
Atlético/GO 2, Avaí 2
Atlético/PR 1, Grêmio 1

O que você achou desta rodada?


As previsões de Godô, o secador

Costumo dizer que santista não costuma ligar muito se os seus rivais ganham ou perdem. Mas há uma exceção. Eu diria uma grande exceção, pois meu amigo Godô exagera. Batizado como Godofredo, ele mesmo estimulou os colegas a chamá-lo pelo apelido. Afinal, Godô lembra a famosa peça “Esperando Godot, do irlandês Samuel Beckett”. Órfão de mãe, o paraense Godô veio ainda criança de Belém morar em São Paulo com uma tia e se apaixonou pelo Alvinegro Praiano. E se apaixonou de uma maneira radical…

Nos conhecemos no nosso primeiro emprego, quando éramos paste-ups da Folha de São Paulo. Nos domingos só trabalhávamos na parte da manhã e à tarde, invariavelmente, íamos ao Morumbi ou Pacaembu ver o Santos jogar. Desconfio que o Santos preenchia um lado carente do Godô, pois uma vitória do time o levara a um estado de euforia, assim como a derrota o mergulhava em fundas depressões.

Creio que, inteligente como sempre foi, Godô encontrou uma maneira de não depender tanto do Santos para ser feliz. Passou a se alegrar também com o fracasso dos rivais. Sim, Godô é dos torcedores que gostam de secar os outros. Um dia lhe perguntei por que sentia tanto prazer na desgraça alheia e ele me explicou:

“É para a minha saúde mental, Odir. Se eu depender só do Santos, posso me sentir perto da morte por causa de um jogo. Mas como a derrota dos inimigos (sic) me alegra, sempre tenho um motivo a mais para sorrir.”

Em outras palavras, o Godô seca mesmo. Resolvi escrever sobre ele agora porque acabo de receber seu telefonema. Depois de falarmos de coisas triviais, como mulheres, filhos, trabalho, dívidas, eleições presidenciais, vida, morte, felicidades e tristezas, entramos em um assunto realmente essencial: o Santos.

Godô está animado com o Santos, mas ficou muito triste com a contusão do Ganso. Disse que até chorou, mas que quando foi surpreendido pela mulher, teve de mentir que estava ficando com conjuntivite. Porém, o que Godô queria me dizer é que a hora não é só de torcer pelo Santos, mas também de secar os adversários.

Os prognósticos secadores de Godô

Meu velho amigo defende a tese que um campeão não se faz apenas de méritos próprios, mas também do fracasso alheio. Para justificar isso, ele tem várias histórias na ponta da língua, como o título brasileiro de 2004, que só veio porque o quase rebaixado Vasco ganhou do Atlético Paranaense em São Januário; ou do título paulista de 1978, só possível porque a Ponte Preta, já sem chances, ganhou do Juventus no Pacaembu.

“Sentir prazer na derrota do adversário aumenta sua chance de ser feliz, Odir, você não entende?”, repetiu pela enésima vez. Para provocá-lo, quis saber sua opinião sobre os jogos deste domingo. Direto e sem qualquer modéstia, ele só retrucou: “Vai dizendo os jogos que eu digo o que vai dar”. Fiz o que ele pediu, pois sei que as análises de Godô chegam a ser divertidas, de tão cruéis.

Corinthians e Vitória, 16 horas, no Pacaembu: “O Ronaldo vai voltar por imposição do marketing e o time deles perderá a embocadura de novo. O Vitória está melhorando. Não sei se dá pra ganhar, mas os baianos não vão perder hoje”.

Guarani e Flamengo, 16 horas, Brinco de Ouro: “O Guarani está fazendo o máximo dentro de suas possibilidades. Não perde do Flamengo nem que a vaca tussa. E o Zico nem vai ficar muito triste, pois ele tem um filho que torce pro Guarani”.

Atlético Mineiro e Palmeiras, 16 horas, em Ipatinga: “Luxemburgo e Scolari vão morrer abraçadinhos, hehehe… Um empate. Zero a zero. Se alguém tiver de perder, será o Palmeiras. Pode escrever aí…”.

Esqueci de dizer que o Godô adorou a mudança de regras dando três pontos à vitória e apenas um ao empate, que se tornou quase uma derrota. Na prática, para ele, o time que não ganha, perde, mesmo quando empata.

Fluminense e São Paulo, 18h30m, Maracanã: “Precisa perguntar, Odir? Os … vão ganhar lá no Maraca. O pó de arroz do Rio não ganha nem a pau esse jogo”.

Atlético Goianiense e Avaí, 18h30m, no Serra Dourada: “Pô, meu, é claro que vai dar Atlético. Os caras deram um chocolate no Palmeiras em pleno Pacaembu, não vão ganhar do Avaí fake? Esse time do Guga é de mentitinha. Hawai que eu conheço é com agá e dabliu. Esse catarinense é fake”.

Atlético Paranaense e Grêmio, 18h30m, em Curitiba: “Olha, o Atlético vai ganhar. O torcedor do Grêmio, que diz que o time deles é imortal, vai ter de acreditar em reencarnação. Esse ano eles vão cair de novo”.

Despedi-me antes que o Godô provocasse um atentado a este blog. Vou esperar para ver se as previsões dele se confirmarão. Se tiverem boa margem de acerto, posso até ouvi-lo mais vezes antes das rodadas. Mas acho que, no fundo, ele é apenas um secador incorrigível…

O que você acha das previsões do Godô? É coisa de torcedor fanático ou têm algum fundo de verdade?

A seguir, um dos jogos preferidos de Godô: a vitória do América do México sobre o Flamengo por 3 a 0, em pleno Maracanã, resultado que eliminou o time brasileiro da Libertadores. Após este jogo ele ficou fã do gordinho Cabañas.


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