Gols de Léo pelo Santos

O melhor de Keirrison, quando ainda estava no Coritiba.

Titio Luís Álvaro já disse que agora o Santos não deve contratar mais ninguém. Bem, já foi ótimo manter o Neymar, o Ganso, o Arouca… Mas a verdade é que o time se enfraqueceu comparado ao do primeiro semestre, pois Robinho, André e Wesley se foram. Como, então, deve ser o Santos que começa amanhã, contra o Atlético Mineiro – jogo que comento pela Rádio Globo – uma nova etapa em sua vida? Que tal dar umas idéias para Dorival Junior?

Depois do que aconteceu com Wesley – que em um ano mudou de perna de pau para quase craque –, passei a, humildemente, reconhecer que alguns jogadores podem render muito mais em outras posições além daquela em que costuma jogar.

Não é o caso de Pará, por exemplo, que só se sai bem na lateral-direita, mas por que não experimentar outros jogadores em funções diferentes das quais vêm sendo utilizados?

Que tal tentar o Léo pelo meio?

Um lateral é alguém acostumado a trabalhar em um espaço limitado do campo. Isso pode lhe tornar, ao longo dos anos, mais hábil e rápido de raciocínio do que a maior parte dos jogadores. Júnior, do Flamengo e da Seleção de Telê, foi um exemplo de lateral-direito que se deu bem deslocado para o meio.

Está certo que Júnior era um craque, tinha uma visão de jogo excepcional e batia na bola como ninguém, mas é um precedente que pode justificar a tentativa de se escalar Léo pelo meio, ao lado de Arouca, marcando, mas também saindo para o jogo.

Veterano, o Léo de tantas batalhas gloriosas não tem mais o mesmo pique de outrora, mas, aos 35 anos, o Leão da Vila ainda dá um bom caldo. Tem personalidade, experiência e uma habilidade acima da média. É capaz de penetrar pelo meio e também tem experiência na marcação. Seria uma boa tentativa colocá-lo ao lado de Arouca, na posição que antes era de Wesley.

Talvez o jogador de meio-campo se movimente até mais do que o lateral, mas não é obrigado a tantos piques, que acabam com a resistência do jogador. No meio é possível administrar melhor o gasto de energias e é a região do campo que exige cérebro e onde um jogador mais velho ainda pode se dar bem.

Como ficaria o time…

Na defesa, não há o que mexer. Rafael, Pará, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro podem dar conta do recado, principalmente quando têm uma proteção maior do meio-campo, que teria Arouca e Léo (ou Rodriguinho), Paulo Henrique Ganso e Marquinhos.

No ataque, não há o que pensar: Neymar e Keirrison (ou Zé Eduardo), ou mesmo os três, com a saída de Marquinhos. Quando precisar aproveitar melhor o contra-ataque, creio que a entrada de Madson no lugar de Marquinhos pode ser uma boa, se bem que Marquinhos segura bem a bola e também é preciso nos passes.

E os novos Meninos?

Confesso que ainda não me convenci da qualidade excepcional de nenhum dos novos Meninos: Breitner, Zezinho, Alan Patrick… Torço muito por eles, porque se apenas um vingar, a meia ofensiva do Santos voltará a ser muito poderosa.

Com as saídas de Robinho, Wesley e André o Santos perdeu justamente no setor que é a alma de seu time: a faixa de campo que começa na intermediária e vai até a pequena área do adversário.

Keirrison pode ocupar bem o lugar que era de André, talvez Léo componha bem o meio-campo, como fazia Wesley (o que é menos provável, reconheço) e Zé Eduardo possa fazer com alguma eficiência a função polivalente que era de Robinho, mas aí muita coisa terá de dar certo para que o time mantenha o mesmo nível do primeiro semestre.

Chegou um momento em que para manter o mesmo rendimento que lhe dava 140 pontos na escala do Método Científico OC, o Santos teria de ter ao menos mais um jogador de peso entre seu meio-campo e ataque. Pode ser um dos novatos? Tomara. Pode ser um improvisado Léo? Quem sabe. Podem Rodriguinho e Marquinhos melhorarem um pouco mais suas performances? É possível.

Porém, para não depender de tantas felizes coincidências, o melhor seria que se buscasse um jogador que venha para ser titular nesse meio-campo. Bem, está chegando aí o garoto Rodrigo Possebon, meia brasileiro que estava treinando no Manchester United, depois de passar pelo Braga. Pode ser ele? Bem, não se pode esperar muito do rapaz, mas não custa nada acreditar que ao pisar no gramado sagrado da Vila Belmiro, a genialidade dos craques imortais que já atuaram ali invada seu corpo e sua alma e o torne mais um Menino da Vila.

E você, acha que Léo deve ser testado no meio-campo? Tem mais sugestões para fazer a Dorival Junior? Como ele deve montar o time, mesmo sem Robinho, André e Wesley, para conseguir o mesmo rendimento do primeiro semestre?