Há questões que não dependem da gente, por mais que soframos para solucioná-las. O êxodo dos nossos craques é uma delas. Se a CBF, os dirigentes de clubes, os políticos e a grande imprensa não liga pra isso e se contenta em ser vira-latas do Brasil-Colônia tratados com desprezo pela Europa, o que nós, pobres blogueiros e amantes do futebol, podermos fazer?

Vivemos na terra da mediocridade, em que o aficionado do futebol vibra mais com a desgraça alheia do que com o improvável sucesso de seu time. Então, se até há pouco o Santos foi motivo de encantamento e orgulho para os que realmente amam o futebol, agora o desmanche santista solta suspiros de alívio dos torcedores de times que preferem ganhar campeonatos “nem que seja no último minuto, com gol de mão e em impedimento”, como já ouvi muitas vezes.

Bem, a vida segue. Não se pode sofrer, repito, com assuntos que não dependem de nós. Não é inteligente. Se o querido Neymar quiser ir, quiser trocar a ensolarada Santos pela fria e antipática Londres, na verdade subúrbio de Londres, se quiser trocar o Santos que tem uma história riquíssima por uma merda de time lavador de dinheiro chamado Chelsea, que se vá. São escolhas que as pessoas fazem durante a vida. E que cobram seu preço depois.

Robinho saiu daqui como um ídolo. Estava aprendendo até a cabecear e a chutar a gol. Voltou, cinco anos depois, pior do que foi. E com o amor-próprio ferido, pois lá não passou de um coadjuvante, nem titular foi. Não me surpreenderei se acontecer a mesma coisa com Neymar.

Se há um inferno na Terra para um jogador brasileiro, este se chama futebol inglês. É ligação direta toda hora, não há tabelas, dribles, jogadas de efeito. É um corre-corre desenfreado o tempo todo, com muitos encontrões, muito uso do corpo. Lembra muito o futebol gaúcho, mas é pior.

Bem, mas de que valem nossos pífios argumentos diante de uma bolada incomensurável de euros? Pegue jogadores pobres, sem cultura, com pais zelosos e metidos a empresários (porque esses pais não arrumam um trabalho e deixam seus filhos prodígios em paz?), ofereça um montão de dinheiro e terá verdadeiros zumbis com os bolsos cheios, mas sem vontade, sem sonhos, sem tesão para encarar novos desafios, preocupados apenas em como gastar a grana.

Como o Santos deve usar a bufunfa

Por falar em gastar a grana, vamos ao que interessa: como o Santos deverá gastar esse dinheirão? Sei que para a maioria não há nem o quê pensar: é reforçar o time, contratar muitos craques e lutar por todos os títulos que surgirem pela frente.

Mas, não podemos nos esquecer que o dinheiro de Robinho serviu para construir um CT moderno, um hotel, e reformou o estádio da Vila Belmiro. Deu ao Santos um outro status como clube, colocou-o acima de muitos outros que se acham maiores do que o Alvinegro Praiano.

Sabemos também que é só um clube ter dinheiro para os outros cobrarem os olhos da cara por qualquer cabeça de bagre. Em pensar que em 2005 Luizão, Cláudio Pitbull e mais um monte de tranqueras foram contratados a peso de ouro.

Será que também não é hora de aproveitar e fechar o anel superior da Vila Belmiro? Ou de investir ainda mais nas categorias de base, em uma rede de olheiros, e descobrir mais jovens talentos pelo Brasil afora?

Ou o momento é de dar um salto ainda mais ousado e lançar as bases de um estádio novo, maior e moderno, onde o Santos tem a maior parte de sua torcida, que é a cidade de São Paulo?

Enfim, são questão relevantes e peço sua opinião sobre elas. Além de comentar este post, faça o favor de responder a enquete aí do lado. Obrigado.