Da mesma forma que na quarta-feira passada, quando ele foi utilizado com acerto de 100%, recorro hoje ao “Método Cientítico OC” para analisar as chances de Vitória e Santos na partida das 21h50m, no Estádio Barradão, em Salvador, que decidirá o título da Copa do Brasil deste ano e ao mesmo tempo assegurará ao vencedor uma vaga na Copa Libertadores da América do ano que vem.

Em primeiro lugar, lembremos que, comparados ao time-padrão eleito, no caso o São Paulo (100 pontos), estabelecemos que o Santos, no máximo de seu potencial, chega a 140, enquanto o Vitória alcança 90 pontos.

Grosso modo, poderíamos afirmar que se o Santos jogar 65% do que já apresentou nas suas melhores apresentações este ano, já terá garantido o título da Copa do Brasil, pois alcançará 91 pontos, o que levará a um empate com o Vitória – resultado suficiente para lhe fazer campeão, pois venceu a partida na Vila Belmiro por 2 a 0 e pode até perder por um gol de diferença hoje.

Entretanto, há muitas variáveis no jogo de hoje que não podem ser desprezadas. Antes de um prognóstico definitivo, temos de analisar todas elas. Veremos:

Gramado
É uma vergonha que em um país que vai sediar a próxima Copa do Mundo, cinco vezes campeão mundial, seu segundo título nacional mais importante seja decidido em um campo cujos buracos são tapados com areia e que ficou ainda pior com as chuvas que caem em Salvador.

É natural que um time mais técnico sinta maiores dificuldades em chafurdar na lama. Não podemos nos esquecer de que a maior zebra das Copas do Mundo, a vitória da Alemanha sobre a Hungria, na final de 1954, foi obtida em um gramado pesado, que favoreceu o vigor físico dos alemães.

Por isso, o péssimo estado do “gramado” do Barradão, que impedirá a velocidade e a troca rápida de passes entre os santistas, deverá ajudar um pouco mais o Vitória, acostumado a jogar neste terreno familiar.

Arbitragem
Os santistas não gostam do árbitro Carlos Eugênio Simon, que nas quartas-de-final da Copa Libertadores, em 2005 simplesmente cismou que não daria nenhum pênalti a favor do Santos contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. No Campeonato Brasileiro do ano passado, depois de erros seguidos, o árbitro foi afastado pela CBF.

Por outro lado, Simon representou a arbitragem brasileira na Copa do Mundo da África – repetindo o feito das duas Copas anteriores – e é o mesmo que apitou a decisão do Brasileiro de 2002, na qual Robinho deu as oito pedaladas antes de sofrer o pênalti de Rogério.

O bom de Simon é que ele não costuma ser caseiro, não tem o hábito de, em duvida, dar preferência ao time da casa. Também não é de expulsar a torto e a direito, mesmo mantendo certa disciplina no jogo. Em princípio, a arbitragem não deve ser motivo de maiores preocupações para os dois times.

Estado emocional
Este detalhe é relevante, pois o fato de a partida decidir um título importante e a circunstância de jogar dentro ou fora de casa pode alterar o estado psicológico dos jogadores. Dependendo da importância deste jogador para a equipe, este descontrole pode afetar radicalmente o desempenho do time.

No Vitória, o maestro é o veterano Ramon, que dificilmente se altera, enquanto no Santos o líder tem sido Paulo Henrique Ganso, que mostrou grande personalidade na final do Campeonato Paulista, quando insistiu para ficar em campo e segurar a bola até o apito final.

Neste quesito, mesmo com um time mais experiente, o Santos não tem conseguido jogar tão bem fora de casa, enquanto o Vitória venceu todos os jogos que fez pela Copa do Brasil em seu estádio, onde marcou 19 gols e não sofreu nenhum. O detalhe é que até agora o campeão baiano não enfrentou nenhuma equipe com a força do Santos.

Outro detalhe é que um gol marcado pelo Santos obrigará o Vitória a fazer quatro para ser campeão. Portanto, enquanto não conseguir ao menos a vantagem de 2 a 0, o time baiano deverá atacar, mas ao mesmo tempo terá de se preocupar bastante com a força ofensiva do adversário,o ataque mais eficiene de uma edição da Copa do Brasil, com o recorde de 36 gols em 9 jogos, média de 4 por partida.

Variações no poderio técnico
O Santos poderá contar com todos os seus titulares. O técnico Dorival Junior só está em dúvida entre começar o jogo com Marquinhos ou André. O time que deverá iniciar a partida é Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Arouca, Wesley e Paulo Henrique Ganso; Neymar, Robinho e André (Marquinhos).

O Vitória não terá o volante Vanderson, suspenso com três cartões amarelos, e o lateral-direito Nino recupera-se de uma contusão muscular e talvez não jogue. Por outro lado, o goleiro Viafara voltará ao time. Os jogadores relacionados pelo técnico Ricardo Silva, que tem treinado muito lances de bola parada, foram: Goleiros: Viafara e Lee. Laterais: Nino e Egidio. Zagueiros: Wallace, Anderson Martins, Reniê e Gabriel Paulista. Volante: Neto. Meias: Ramon Menezes, Bida, Elkeson, Fernando, Kleiton Domingues e Renato. Atacantes: Edson, Junior, Adailton e Schwenck.

Depois da volta da Copa as duas equipes têm tido desempenhos equivalentes. Porém, nos últimos jogos o Santos demonstrou alguma melhora. Domingo passado, enquanto um time de reservas santistas venceu o Grêmio Prudente, fora de casa, por 2 a 1; no Barradão o Vitória, que poupou apenas cinco titulares, perdeu para o Botafogo por 3 a 1. O momento dos santistas é um pouco melhor.

Retrospecto na competição
Os torcedores do Vitória dão como certo mais um bom triunfo de seu time, hoje, baseado no retrospecto da equipe nesta Copa do Brasil: dos cinco jogos que fez no Barradão, a menor contagem obtida pelo Vitória foi 2 a 0, contra o Vasco. No mais, ganhou de 4 a 0 de Corinthians alagoano, Goiás e Atlético Goianiense. E de 5 a 0 do Náutico. Na média, o campeão baiano venceria hoje por 4 a 0 e estaria classificado. Mas há o outro lado…

Nos jogos que fez fora de casa, o Santos não perdeu nenhum por mais de um gol de diferença. Foi derrotado por Guarani por 3 a 2, Atlético Mineiro por 3 a 2 e Grêmio por 4 a 3. Assim, na pior das hipóteses, o Santos perderia em Salvador por um gol de diferença e seria campeão. Portanto, neste caso o retrospecto é inconclusivo.

Análise final

Sem levar em conta nenhuma das variáveis citadas acima, o Santos manteria uma vantagem suficiente de pontos (140 a 90) para alcançar um triunfo de, no mínimo, dois gols de diferença. Porém, os cálculos devem ser refeitos, pois algumas das variáveis são francamente favoráveis ao Vitória.

O fator campo, agravado pelo péssimo estado do gramado, não faz o Vitória superar os 90 pontos, que é o seu máximo, mas pode reduzir bastante a força santista. Se o time cair, digamos, em 50%, chegará a 70 pontos, o que implicará uma derrota provável por um gol de diferença.

Há ainda os critérios arbitragem e estado emocional. Partindo-se do princípio que a atuação de Carlos Eugênio Simon não influirá no resultado da partida, teremos como último fator de análise o aspecto psicológico dos jogadores.

Não se pode definir, agora, como eles se comportarão. A motivação do Vitória é evidente, pois este seria o título mais importante nos 111 anos de existência do clube, mas para o Santos o título também é valioso, pois marcaria a confirmação dos Meninos da Vila como o grande time brasileiro no primeiro semestre deste ano, o que valorizaria ainda mais seus jogadores.

Porém, o estado emocional já está meio embutido no “fator campo” e ao se prever que o Santos renderá menos no Barradão do que na Vila, ele já foi levado em conta. De qualquer forma, há circunstâncias que podem agir em cascata, provocando panes momentâneas que definem um jogo. Ninguém poderia prever, por exemplo, que a Alemanha venceria a Argentina por 4 a 0. Entretanto, os gols alemães desencadearam tal descontrole no adversário que a goleada acabou sendo uma conseqüência natural.

O nervosismo exacerbado não provoca apenas erros técnicos inesperados, mas também reações violentas, que podem provocar expulsões. E atuar com jogadores a menos costuma ser fatal em partidas decisivas, marcadas pelo equilíbrio entre as equipes.

Finalmente, o veredicto

A motivação por estar na final de uma competição importante impedirá que o Santos caia tanto de rendimento, mesmo jogando fora de casa. Assim, apesar dos fatores contrários – torcida e “gramado” –, é de se esperar que o Alvinegro alcance, no mínimo, 60% de seu maior rendimento, o que lhe daria 84 pontos.

A arbitragem e a “sorte” são fatores imponderáveis, que podem ajudar uma ou outra equipe, mas, digamos, que prejudique um pouco mais o Santos e o time renda apenas 50% do que pode, atingindo os 70 pontos.

A diferença de 90 para 70 pontos costuma não ser suficiente para uma vitória por dois gols de diferença, mas está dentro de uma margem que, em alguns casos, permite que ela ocorra. Assim, a análise definitiva do Método Científico OC para o jogo de hoje é:

O MÁXIMO QUE O VITÓRIA PODE CONSEGUIR, PARA CONQUISTAR O TÍTULO, É VENCER A PARTIDA POR 2 A 0 E GANHAR NA DISPUTA DE PÊNALTIS.

SE RENDER 65% DO QUE PODE, O QUE É BEM PROVÁVEL, O SANTOS EMPATARÁ A PARTIDA E SAIRÁ DE SALVADOR COMO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL.

O que achou dos cálculos do Método Científico OC? Tem algo a acrescentar?