O Corinthians está comemorando o seu Centenário e merece os parabéns, mesmo dos rivais. É um clube com uma história rica e uma torcida tão apaixonada e maluca que às vezes parece sofrer na alegria e sentir prazer no sofrimento. Como parte das festividades, o clube dará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o título de “Torcedor Símbolo do Centenário”. Aí eu já acho que é pisar na bola…

Para um clube que quer manter a imagem de popular, de ligado às classes humildes do país, escolher como torcedor símbolo um político milionário é extremamente contraditório. Melhor seria ter premiado alguém do povo, de vida simples, que trabalha, recebe um pequeno salário e luta para superar as dificuldades da vida como a maior parte da população. Dar o título a um político poderoso, que vive nababescamente, é um erro.

Até fica parecendo que o Corinthians quer recompensar Lula por alguma coisa, ou quer bajulá-lo para ter o direito de pedir algo depois. Alguns podem até imaginar que a decisão de abrir a Copa de 2014, em um estádio a ser construído em Itaquera, também faz parte desta troca de favores…

O astuto presidente continua com seu discurso contra as elites, como se fosse ainda um migrante semi-analfabeto que ganhasse salário mínimo. Outro dia, neste mesmo blog, vimos Lula censurando um garoto que queria jogar tênis. “Tênis é esporte de burguês, porra!”, disse sua excelência ao jovem de uma favela carioca.

O que será um “burguês” para nosso presidente? Seria um representante da classe média? Pois em nosso país a classe média designa pessoas com renda mensal entre R$ 2.800,00 e R$ 4.200,00. Ora, fora todos os benefícios, Lula tem um salário oficial de R$ 11.420,00. E não deve precisar gastar quase nada do que recebe, pois em 2006 declarou que tinha uma aplicação bancária de um milhão de reais (que renderiam cerca de mais R$ 9 mil por mês).

Os familiares de Lula também não vivem como os proletários que fundaram o Corinthians. Um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, gastou R$ 55 mil com o cartão corporativo entre abril e dezembro de 2007, provocando a denúncia que gerou a abertura de CPI no Congresso para acabar com a farra do dito cartão.

E um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, que até dezembro de 2003 vivia de subempregos, tornou-se sócio de três empresas, sem investir um tostão, e passou a ter, da noite para o dia, R$ 625.000 reais em ações. O interessante é que o negócio foi bancado pela Telemar, a maior companhia de telefonia do país.

Assim, depois de se fingir de inocente no acordo com a MSI que trouxe a máfia russa para participar ativamente do futebol brasileiro e influir decididamente no Campeonato Brasileiro de 2005, o Corinthians se enche de mesuras para com o seu torcedor mais poderoso.

Na linguagem do povo, que não é bobo, isso tudo é babação de ovo, puxa-saquismo que tem muitos interesses por trás. Para o corintiano, desde que ajude seu clube a construir o tão sonhado estádio, tudo bem. O fanatismo por um clube torna a ética e honestidade supérfluas.

Mas a história é implacável. Ele não se esquecerá de que no dia sagrado do seu Centenário, o time amado por milhões de pessoas simples, que se sacrificam por esse amor, resolveu escolher como torcedor símbolo um milionário extremamente demagogo, que ainda finge ser pobre. Um homem que alcançou o cargo mais importante do país sem ter se dedicado, ao estudo e ao trabalho, metade do tempo que os outros brasileiros, que ele chama de “burgueses”, precisam se dedicar.

Você acha que o Corinthians fez bem de escolher Lula como seu torcedor símbolo?