Desculpe repetir o termo chulo, mas já que é assim que o nosso presidente trata o tênis e já que, segundo as pesquisas, seu governo tem 80% de aprovação, provavelmente a maioria das pessoas acredite mesmo que o tênis não passe disso, “uma porra de esporte de burgueses”.

Não me admiro, visto que de uns tempos para cá ser inculto e grosseiro virou moda neste país. Afinal, o exemplo vem de cima. Mas algumas coisas precisam ser esclarecidas:

1 – O tênis é popular em muitos países. Nos Estados Unidos, Rússia, França, Itália, Inglaterra, Austrália há milhares de quadras públicas. Lá não é preciso ser rico, nem burguês, para praticar o esporte, que é um direito de todos.

2 – No período em que deixava de ser um país vira-latas, entre o final dos anos 50 e início dos 60, Maria Esther Bueno venceu Wimbledon, então chamado de “Campeonato Mundial”, e foi recebida com pompa e festa pelo então presidente Juscelino Kubitscheck. Isso, em 1959. Agora, 51 anos depois, é triste ouvir alguém que ocupa o cargo que foi do professor Juscelino tratar o tênis com tanto desprezo.

3 – O Brasil é o único país da América Latina que já teve uma mulher e um homem na liderança do ranking mundial (Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten); já foi o segundo do mundo em número de torneios, Thomaz Bellucci está entre os 30 melhores jogadores do planeta e calcula-se que o esporte tem de 3 a 4 milhões de aficionados no país.

4 – Ter bom gosto, tornar-se culto e educado não é uma questão de dinheiro. Lula, por exemplo, prova que todo o dinheiro que ele – e sua família – têm acumulando nos últimos anos, não contribuiu em nada para melhorar sua educação.

5 – A maneira como Lula e Sérgio Cabral pressionaram e quase agrediram Leandro, o garoto favelado do Rio – que se manteve impassível e mostrou ser mais educado do que os dois políticos juntos – mostrou bem como nossos líderes encaram o povo: como um ser sem vontade própria, que deve agradecer com o voto quando recebe as esmolas do governo e de quem só se espera obediência cega. Vontade própria? Nem pensar.

6 – Finalmente, gostar de tênis não quer dizer que você seja burguês, isto ou aquilo. Quer dizer apenas que você aprecia um esporte completo, bonito, em que prevalece o fair play e que exige o máximo do corpo e da mente. Um esporte que não se vence subornando árbitros ou sendo amigo dos poderosos. Bem, mas o homem que diz ter brigado tanto para trazer a Olimpíada para o Brasil, ao menos deveria saber disso…