Apesar de a pesquisa Lance/Ibope ser um primor de desinformação, no todo ela concorda com os números que se vê na Timemania. Por exemplo: as conclusões mais importantes a que a pesquisa encomendada pelo jornal chegou é que as torcidas de Vasco e Palmeiras são as que mais caíram nos últimos tempos. Isso a Timemania também tem comprovado e não é novidade para os leitores deste blog.

Diz o Lance: “Palmeiras e Vasco tiveram queda no número de torcedores. A nação vascaína reduziu-se de 10 milhões de pessoas para 7,9 milhões. Em termos absolutos, essa foi a maior queda de todos os clubes”.

Eu já tinha afirmado isso baseado nos números da Timemania. Comprei uma briga tremenda com a grande torcida vascaína, que ao tentar reduzir a importância da Timemania, citava outras pesquisas como mais confiáveis. Pois agora gostaria de saber o que pensam estes mesmos torcedores ao saber que nesta década o Vasco, que só anda perdendo em campo, perdeu também, segundo o Ibope, dois milhões e 100 mil aficionados.

O Lance precisou contratar o Ibope para chegar à seguinte conclusão: “Não se é grande para sempre. Quem não ganha títulos e não tem um bom trabalho de marketing, está seriamente ameaçado de perder torcedores e se não conseguiu deter esse processo, um dia poderá ser superado por outras torcidas”. Ora, é isto que está acontecendo com o Vasco e, em menor proporção, com o Palmeiras.

O Alviverde ainda se mantém na mídia com contratações, a construção da Arena, ganhou ao menos um título paulista nos últimos 10 anos e liderou o último Campeonato Brasileiro até as últimas rodadas. O Vasco nem isso tem conseguido.

Pequenas – e discutidas – mudanças de posição

Ao se comparar a pesquisa Lance/Ibope e a Timemania constata-se que o grupo dos 19 times anunciados pela pesquisa do jornal como os de maior torcida no País, é praticamente o mesmo das 19 equipes mais votadas na Timemania em todo o primeiro semestre deste ano. As únicas diferenças são as presenças de Goiás e ABC na Timemania, enquanto Santa Cruz e Sport aparecem na pesquisa do Lance. No mais, os outros 17 clubes surgem nas duas pesquisas.

Na Timemania, milhões de apostadores votaram nos seus times do coração e elegeram, no primeiro semestre deste ano, os seguintes times como preferidos: 1 – Flamengo; 2 – Corinthians; 3 – São Paulo; 4 – Santos; 5 – Palmeiras; 6 –Grêmio; 7 – Vasco; 8 – Internacional; 9 – Botafogo; 10 – Cruzeiro; 11 – Fluminense; 12 – Atlético/MG; 13 – Bahia; 14 – Fortaleza; 15 – Vitória; 16 – Goiás; 17 – Ceará; 18 – ABC; 19 – Atlético/PR.

Os 19 de maior torcida, segundo a pesquisa Lance/Ibope (que só divulgou 19) são: 1 – Flamengo; 2 – Corinthians; 3 – São Paulo; 4 – Palmeiras; 5 – Vasco; 6 – Grêmio; 7 – Cruzeiro; 8 – Santos; 9 – Atlético/MG; 10 – Internacional; 11 – Sport; 12 – Botafogo; 13 – Bahia; 14 – Fluminense; 15 – Vitória; 16 – Fortaleza; 17 – Santa Cruz; 18 – Ceará; 19 – Atlético/PR.

Partindo-se do princípio que nunca duas pesquisas de torcida no Brasil deram resultados idênticos, o fato de a Timemania mostrar resultados bem parecidos com os do Lance/Ibope mostra que ela pode, sim, ser considerada um importante fator de apuração do montante das torcidas brasileiras.

Para se reforçar ainda mais a semelhança, basta lembrar que na seleta lista dos 10 times de maior torcida, a única diferença de uma pesquisa para outra é que na Timemania não aparece o Atlético/MG, substituído pelo Botafogo. No mais, são os mesmos. Só mudam as posições. Mas sobre essas mudanças é preciso fazer uma análise mais detalhada.

Pesquisa lance/Ibope é superficial e inconclusiva

No seu próprio enunciado a pesquisa Lance/Ibope já deixe margem para muitas dúvidas entre os leitores mais atentos. Ela diz: “A 4ª Pesquisa LANCE!-Ibope de torcidas ouviu 7.109 pessoas em todo o Brasil, a partir de 10 anos de idade, em 141 municípios de todos os tipos e tamanhos. A margem de erro é de 1,2 ponto percentual, para mais ou para menos. Isso significa que resultados separados por pelo menos 2,4 pontos estão em situação de empate técnico”.

Vamos analisar o que isto quer dizer:

A Lance/Ibope ouviu 7.109 pessoas. A Timemania teve, até 10 de junho deste ano, 27.468.839 apostas, ou seja, um número quase quatro mil vezes maior.

A Lance/Ibope ouviu pessoas de 141 municípios brasileiros. É um bom número, mas é preciso saber onde ficam essas cidades. Sabemos que há nichos de torcedores espalhados pelo país. Presumo que tenham incluído mais cidades de Pernambuco e menos de Goiás, pois o Goiás não aparece entre os 19, enquanto Sport e Santa Cruz, que não estão no grupo da dos 19 da Timemania, surgem no Lance/Ibope – o Sport aparece em 11º, à frente de Botafogo, em 12º, e Fluminense, em 14º.

Foram ouvidas pessoas a partir de 10 anos de idade. Quantas foram ouvidas e de que cidades? Não dizem. E porque apenas a partir dos 10 anos? A maioria dos amigos que tenho decidiu torcer para um time com idades inferiores a dez anos.

A informação mais importante, porém, vem no fim do parágrafo: Lá está: Isso significa que resultados separados por pelo menos 2,4 pontos estão em situação de empate técnico.

Ora, isto quer dizer que, segundo a pesquisa Lance/Ibope, da quinta à décima posição há um empate técnico, já que o Vasco aparece em quinto, com 4,1% da preferência, e o Internacional é o décimo, com 2,5%. Como estão separados por uma distância inferior a 2,4%, há um empate técnico entre ambos.

Para ser mais exato, seis equipes estariam empatadas tecnicamente na quinta posição: Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Santos, Atlético/MG e Internacional. Ora, que pesquisa é esta que admite um empate técnico entre seis equipes?

Por outro lado, se há este empate técnico, como o Clube dos Treze fará para dividir a verba dos direitos de tevê? Eu sugiro que adote como parâmetro uma pesquisa mais precisa e abrangente, que para mim, sem dúvida, é a Timemania.

O esforço para justificar a “queda” do Santos

Percebe-se na matéria publicada no Lance um esforço inglório para justificar a disparidade da classificação do Santos, que na Timemania foi o quarto mais votado do País no primeiro semestre deste ano, mas que – empate técnico à parte – aparece em oitavo lugar na pesquisa Lance/Ibope. Diz a matéria:

“No caso do Santos, o problema foi outro. O time até que correspondeu em campo. Desde o surgimento da geração de Robinho e Diego, em 2002, venceu dois Brasileiros e dois Estaduais e chegou a uma final de Libertadores. Mas, mesmo assim, a torcida não cresceu, só parou de cair.

“Segundo um especialista de marketing esportivo ouvido pelo LANCENET! que não quis se identificar, faltou ao clube, na gestão de Marcelo Teixeira, um trabalho de marketing mais consistente para transformar o bom momento em novos torcedores. Naquela época, o diretor de marketing do clube nem era especialista na área, mas um advogado”.

Puxa, que jornalismo chutado. Diz um especialista imaginário que mesmo tendo conquistado dois títulos brasileiros, dois estaduais e chegado a uma final de Libertadores a torcida do Santos não cresceu por que faltou um trabalho de marketing. Ora, qualquer criança com menos de 10 anos sabe que o maior marketing no futebol é ganhar títulos, e o Santos o fez. E o fato de o diretor de marketing ser um advogado não tem muito a ver. Tem muito jornalista que não fez faculdade e não sabe quando se usa esse ou ce cedilha, e está por aí, nas paradas.

A matéria ainda cita o Santos ao falar do envelhecimento de algumas torcidas. Leiamos: “Clubes tradicionais como Santos, Botafogo e Fluminense ainda mantêm suas torcidas entre os chamados “grandes”, mas não conseguem repetir o desempenho dentro da faixa mais jovem da população. Todos são superados pelo Sport e os dois últimos também por Vitória, Bahia e outros clubes”.

Puxa, que maravilha. Quer dizer que os Meninos da Vila, que encantaram o país, geraram a criação de inúmeros fãs clubes, fazem da TVSantos a mais seguida das tevês de clubes no Youtube, que atraíram multidões de crianças onde quer que jogassem, não mudaram em nada o número de santistas entre as crianças, que preferem o Sport de Recife? Francamente…

Importantes detalhes ignorados

Segundo o IBGE, 31,8% da população brasileira se encontra na faixa de 0 a 15 anos. Grosso modo poderíamos afirmar, com grande margem de acerto, que cerca de 20% da população tem menos de 10 anos. E é justamente neste grande contingente de pequenos brasileiros, que soma 19 milhões de pessoas, que o Santos tem conquistado a maior fatia de seus novos torcedores. Ou não?
Pois estas crianças não foram ouvidas na pesquisa Lance/Ibope.

Outro detalhe é que a expectativa de vida do brasileiro, hoje, é de 72 anos. Portanto, essa conotação de “torcida envelhecida”, como se torcedores de 50 anos ou mais já estivessem com o pé na cova, não procede. Na verdade, é nesta fase da vida que a pessoa tem melhor poder aquisitivo para comprar produtos oficiais e ficar sócio do clube, pagar pay per view e acompanhar seu time.

E entre os torcedores mais experientes, os de 50 anos ou mais, entre os quais eu orgulhosamente me incluo, o Santos tem – segundo a Lance/Ibope –, a quarta torcida do Brasil, empatado com o São Paulo, com 1,95 milhão de pessoas (o suficiente para superlotar 60 Pacaembus). Nesta faixa o Vasco só aparece em sétimo, com 450 mil torcedores a menos.

Conclusão

Não se pode desqualificar totalmente esta pesquisa Lance/Ibope, mas não se pode afirmar que ela reflita fielmente as quantidades de torcedores e as tendências de crescimento das torcidas brasileiras. Como as marés de apaixonados crescem ou diminuem ao sabor das vitórias e derrotas, como apontar tendências antes que as competições terminem?

Na verdade, a pesquisa é demasiadamente inconclusa, a ponto de estabelecer uma margem de erro tão extensa que provoca um empate técnico de seis equipes entre a quinta e a décima posição. Por mais boa vontade que se tenha, não se pode levar tão a sério uma pesquisa assim.

Se as constantes derrotas explicam a decadência das torcidas de Vasco e Palmeiras, por que as vitórias seguidas não implicariam o crescimento dos santistas? Ora, quem vai ao estádio vê que o número de crianças que tem acompanhado o Santos cresce assustadoramente, e boa parte delas ainda não tem 10 anos, limite estabelecido para a pesquisa.

O ibope pode ser eficiente para pesquisas eleitorais, mas pesquisas de torcedores é bem diferente. Há tantos nichos no País, que consultar apenas 141 cidades é muito pouco. Há cidades do Norte/Nordeste com mais incidência de flamenguistas do que municípios cariocas, assim como há cidades do populoso Norte do Paraná nas quais o Santos é a equipe não paranaense com mais adeptos.

Uma pesquisa de torcidas não é tão simples como uma pesquisa eleitoral. Há muito mais nuances. Por isso, depois de ler com atenção a matéria sobre a pesquisa Lance/Ibope, chego à conclusão de que, apesar das imperfeições, a Timemania ainda é a enquete mais fidedigna que se tem no Brasil a respeito da divisão das torcidas de futebol.

A única ressalva que se pode fazer à Timemania é que ela abrange apenas o público adulto, já que crianças não apostam. Tudo bem, aceitemos este fato. Se computarmos apenas adultos, talvez tenhamos um resultado bem próximo ao da pesquisa Lance/Ibope.

Será que a menor incidência de torcedores jovens é que faz o Santos passar de quarto na Timemania para oitavo na Lance/Ibope? Pode ser. Mas, se for por esse motivo, a perspectiva santista é melhor do que se pode imaginar, pois os últimos resultados do time estão formando verdadeiros batalhões de crianças e adolescentes que amam os Meninos da Vila e logo consolidarão a santista entre as maiores torcidas do País.

Hoje não tem Método Científico OC

Que me desculpem os leitores do blog, mas hoje não farei os estudos do Método Científico OC para o jogo Avaí e Santos, em Florianópolis. Qualquer criança, com menos de 10 anos, sabe que a lógica indica que o Santos será desclassificado hoje da Copa Sul-americana, pois e improvável que o Avaí perca em casa por mais de dois gols de diferença. Mas, se o futebol só vivesse de resultados lógicos, o Santos não seria o único time grande do Brasil que não pertence a uma Capital. Portanto, hoje é dia do Método Coração e Mente OC, em que inteligência e garra se unem para construir resultados que seriam impossíveis para outras equipes.

O que achou da análise da pesquisa Lance/Ibope e sua comparação com a Timemania? E o que acha que acontecerá logo mais em Florianópolis? Ainda dá pro Santos?