O Santos nunca jogou tão desfalcado este ano como o fará logo mais, às 16 horas, sobre a areia do Maracanã. Sem Neymar, suspenso, o time enfrentará o Flamengo, atual campeão brasileiro, que estréia o ex-santista Deivid.

Se comparado ao time que venceu a Copa do Brasil, o Santos está bem diferente, pois Robinho, Wesley, André, Paulo Henrique Ganso e Neymar não jogarão – ou seja, os responsáveis pela magia que encantou o país no primeiro semestre, estão fora da partida de hoje.

O jovem Alan Patrick, requisitado pela Seleção Brasileira sub-19, também não jogará. Com isso, o jogo será mais uma ótima oportunidade para alguns jogadores se firmarem recuperarem o seu lugar no time, casos de Zezinho, Keirrison, Marquinhos e Madson.

Dorival Junior deverá escalar o time com Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Arouca, Danilo, Marquinhos e Zezinho (Madson); Zé Eduardo e Keirrison (Marcel). Espero que opte por Zé Eduardo e arme um time baseado na velocidade, única forma de vencer hoje.

Silas, o falador técnico do Flamengo que até agora não venceu no time carioca, provavelmente colocará em campo uma equipe com Lomba; Leonardo Moura, Welinton (David), Ronaldo Angelim e Juan; Corrêa, Willians, Renato Abreu e Petkovic; Diogo (Diego Maurício) e Deivid.

A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden (Fifa-RS), auxiliado por Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) e Tiago Gomes Brigido (CE).

Flamengo tem mais experiência, mas Santos é mais rápido

Uma qualidade que o Flamengo sempre teve ao jogar diante de sua torcida foi o jogo ofensivo, rápido, envolvente, em que se destacavam os alas Leonardo Moura pela direita e Juan pela esquerda.

Hoje ambos jogam, mas o Flamengo não é mais o mesmo. O fôlego de Petkovic, o cérebro do time, está cada vez mais curto. Bem marcado, o sérvio pouco faz. Corrêa e Renato Abreu ainda não se firmaram na equipe e Deivid estreará sem ao menos cumprir um período de adaptação.

A melhor arma ofensiva do rubro-negro carioca parece ser o recém-contratado Diogo, ex-Portuguesa de Desportos (aliás, é um fenômeno como um time tão endividado consegue fazer tantas contratações).

Ao Santos, como já disse, resta a possibilidade de imprimir um ritmo forte ao jogo, o que deverá desgastar boa parte dos jogadores do Flamengo – alguns veteranos e outros ainda fora de forma. Até porque o gramado, cheio de buracos, foi coberto com areia, o que torna o jogo mais amarrado e cansa mais os jogadores.

Juventude e ousadia deram a primeira vitória ao Santos no Maracanã

Como se sabe, o Maracanã foi construído para a Copa do Mundo de 1950. E a primeira vez que o Santos jogou no estádio, pelo Rio-São Paulo de 1952, ocorreu em 3 de fevereiro daquele ano, quando perdeu para o Botafogo por 2 a 1. O Santos jogou aquela partida com Manga, Hélvio e Olavo; Nenê, Formiga e Pascoal; Alemãozinho (depois 109), Antoninho, Nicácio, Odair e Tite. Pascoal fez o gol santista, o primeiro de muitos e antológicos gols que o Santos faria no maior estádio do mundo.

A primeira vitória do Santos no Maracanã foi um gesto de ousadia. O técnico interino Luis Alonso Peres, o Lula, assumia a equipe depois de quatro derrotas consecutivas sob o comando do italiano Giuseppe Ottina (América, 1 a 2; Fluminense, 1 a 2; Palmeiras, 3 a 4 e São Paulo, 1 a 2).

O adversário daquele 5 de junho de 1954 era o temido Botafogo de Garrincha, mas Lula, adepto do jogo ofensivo, escalou o time com Manga, Hélvio e Feijó; Urubatão, Formiga e Zito; Joel, Walter, Álvaro, Vasconcelos (depois Hugo) e Tite. E assim, com cinco no ataque, entre eles o garoto Álvaro, o Santos venceu por 3 a 2, com dois gols de Tite e um de Joel, contra gols de Dino e Garrincha para o alvinegro carioca.

Na partida seguinte veio uma derrota contra a Portuguesa (0 a 3), mas nos três últimos jogos do torneio a equipe voltou a vencer, goleando o Flamengo por 4 a 0, batendo o Vasco no Maracanã por 1 a 0 (gol de Tite) e, em um Pacaembu lotado, acabando com uma série de seis vitórias consecutivas do Corinthians, vencendo-o por 2 a 0 (os dois de Vasconcelos). Assim, Lula, que logo de início mostrou personalidade e alguma sorte, assegurou o cargo onde permaneceria por 13 anos ininterruptos e colecionaria a maior quantidade de títulos de um técnico na mesma equipe.

Contei esta história – e peço que você, santista, a guarde com carinho – porque ela pode ser inspiradora. Foi jogando ofensivamente contra o melhor time do Rio de Janeiro à época, que o Santos conseguiu sua primeira vitória no Maracanã. Não digo que ele deva partir desordenadamente pra cima do Flamengo, hoje, mas uma coisa é certa: se jogar recuado, no ritmo do adversário, dificilmente evitará a derrota.

Como este desfalcado Santos deve jogar contra o Flamengo para se manter na luta pela tríplice coroa? Fechado no meio campo, ou com três atacantes?

— Reveja agora dois momentos felizes do Santos contra o Flamengo, no Maracanã —