O técnico Dorival Junior, sem conversar com Neymar, diretores do clube ou com o presidente Luis Álvaro Ribeiro, a quem tinha prometido rever a suspensão de Neymar nesta terça-feira, resolveu, por conta própria, manter a suspensão do melhor jogador do time e, provavelmente, o melhor do Brasil no momento, contra o Corinthians, hoje, no jogo de maior rivalidade para os santistas.

Dorival sabia que o clube havia feito um esforço inédito entre clubes brasileiros para manter o jogador no país, apesar de proposta milionária do Chelsea. Dorival sabia que havia um trabalho de marketing em andamento para divulgar e consolidar Neymar como o grande ídolo do futebol brasileiro no momento.

Mas Dorival trocou ofensas com Neymar no final do jogo contra o Atlético Goianiense. Foi ofendido primeiro, ofendeu depois, e como merece respeito hierárquico, resolveu punir o jogador exemplarmente. Até aí, tudo bem.

A diretoria do Santos decidiu multar o craque em 30% do seu salário, coisa de R$ 54 mil. Dorival não se contentou. Neymar pediu desculpas publicamente, diante das câmeras de tevê. Dorival não se contentou. Neymar então foi suspenso do jogo contra o Guarani. O garoto foi até lá, ouviu a oração, abraçou os companheiros, mas depois, das tribunas, viu o melancólico empate de 0 a 0.

Nesta quarta-feira o Santos joga contra o clube com o qual mantém a maior rivalidade, o Corinthians, e que, coincidentemente, também é o líder do campeonato. Uma derrota e o Alvinegro Praiano terá pouco ou quase nada por que lutar no Brasileiro. Enfim, é um jogo vital, que mexe com a paixão do torcedor.

E o que Dorival faz? Mantém a suspensão nem consultar ninguém. Ora, o que ele queria com isso? Mostrar autoridade? Haveria muitas outras maneiras de continuar punindo Neymar, ou educando o garoto, como ele diz, sem prejudicar o Santos e seus torcedores.

Com seu gesto, Dorival mostrou que na verdade esperava sua demissão do Santos. Não acredito que ele esperasse tirar Neymar do time e depois dirigir a equipe tranquilamente em uma Vila Belmiro lotada, contra o Corinthians. Uma derrota, ou pior, uma goleada, e como ficaria o ambiente?

Acho que Dorival agiu de caso pensado e queria que acontecesse realmente o que aconteceu. A diretoria do Santos não tinha outra alternativa, a não ser demiti-lo e, apesar da multa de dois milhões de reais que terá de pagar, parceladamente, agiu certo.

Tenho quase certeza de que o Dorival assinará rapidamente com o São Paulo e que isto já estava combinado antes de o técnico decidir pela suspensão do jogador. Assim, reafirmo minha opinião de que antes de se analisar o caráter de um rapaz de 18 anos que reagiu na emoção da partida, melhor seria voltar o foco para o caráter de um senhor de 48 anos, que não soube controlar seus jovens comandados e quando se viu em uma situação difícil não pensou em educar ninguém, mas apenas analisou friamente a possibilidade de tirar proveito da situação.

Só quem não conhece a paixão que envolve o futebol poderia concordar com uma suspensão de Neymar em uma partida como esta contra o Corinthians – em que há um semestre inteiro em jogo. Só mesmo um técnico que ama mais a si mesmo do que ao Santos para insistir em prolongar o martírio de Neymar.

Fui um dos que elogiou a contratação de Dorival Junior, achei que ele poderia dar certo no Santos e não se pode dizer que deu errado. Mas, assim como no Coritiba, Cruzeiro e Vasco, seus erros começaram a saltar aos olhos depois de um bom início. Tem escalado mal, substituído pior e insistia em proteger alguns jogadores e perseguir outros.

Agora, o óbvio é escolher um técnico que prepare um time que jogue para a frente e promova jogadores da base, como Tiago Alves e Felipe Anderson. A solução para os problemas do Santos está no próprio clube. Basta a diretoria ter coragem de fazer o que a vocação do Santos exige.

E você, o que achou da demissão de Dorival Junior? Como deverá ser o Santos sem ele? O que espera do clássico contra o Corinthians?