Terminar o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 para o Atlético Goianiense ligou a chavinha do óbvio no cérebro do técnico Dorival Junior e o Santos conseguiu uma empolgante virada por 4 a 2 em uma Vila Belmiro com apenas 3.873 pagantes (1/4 do público que foi ver Botafogo e Santos no Pacaembu).

É óbvio que jogando em casa, contra um time que está na zona de rebaixamento, o Santos não precisaria ter começado a partida com quatro jogadores no meio-campo. Também é elementar que a melhor posição para um lateral-direito jogar é na lateral-direita, onde Pará não tem se saído muito bem.

Assim, nada mais previsível do que tirar Pará, deslocar Danilo para esta posição e colocar o garoto Alan Patrick no meio – que ainda está longe de ser um Paulo Henrique Ganso, ou mesmo Wesley, mas ao menos vai com a bola pra cima do adversário, e não vive de toquinhos de lado.

É óbvio também que Marquinhos, que se cansa muito no segundo tempo, diminui o ritmo do ritmo do time, o que é muito ruim, principalmente quando se precisa virar um marcador. Assim, a entrada de Madson, mesmo com uns quilinhos a mais, deu mais velocidade à equipe e foi decisiva para a reação (o pequeno marcou o gol de empate driblando pra dentro e batendo de fora da área).

Quando Keirrison sentiu a coxa, o esperado era fazer entrar Zé Eduardo, mas Dorival adora Marcel e não poderia deixar de colocar o seu preferido em campo. Desta vez, até que deu certo. Chegou a sobrar um pênalti para Marcel cobrar, que marcou o quarto gol com uma bomba.

Recapitulando: após terminar o primeiro tempo perdendo por 2 a 0 e sofrer o segundo gol no início da segunda etapa, o Santos virou com gols de Edu Dracena, um dos poucos do time que ainda parece acreditar no título, e dos três jogadores que entraram na segunda etapa: Alan Patrick, Madson e Marcel.

É de uma clareza gritante que o time só joga bem quando vai pra cima e tem jogadores habilidosos, rápidos e ofensivos em campo. Alan Patrick pode ainda ser muito jovem, Madson não é um craque, mas diante das circunstâncias foi um grande erro passar o primeiro tempo inteiro sem os dois em campo.

Espero que Dorival Junior tenha coragem de manter um time ofensivo e de conservar Pará e Marquinhos na reserva, ao menos até que melhorem e recuperem o futebol e a confiança do primeiro semestre.

O caso Neymar

Há algum tempo já escrevi sobre a necessidade de um psicólogo em times profissionais, principalmente para lidar com situações de estresse e com jovens com problemas. O caso de Neymar é único no Brasil, pois aos 18 anos ficou milionário sem sair do País e sem ao menos ser titular absoluto da Seleção Brasileira.

Ontem mesmo defendi o garoto neste blog e comprei briga com meio mundo que o está criticando, chamando-o de mimado, entre outras coisas. Hoje ele bateu boca com o capitão Edu Dracena e com o técnico Dorival Junior. Tenho algo a dizer sobre isso.

Bater boca em campo e reclamar do técnico é feio, não é aconselhável, mas, infelizmente, é normal no nosso futebol. Quem fingir que está escandalizado, está forçando a barra. Aliás, o técnico René Simões vir dar lições de moral ao final da partida foi, no mínimo, anti-ético. Ele que se preocupe com o seu time e deixe o Dorival cuidar do Santos.

O que eu diria para o Neymar, se ele me ouvisse, é que ele está se preocupando demais em justificar a fortuna que ganha no Santos, como se quisesse driblar todo mundo e entrar com bola e tudo. Calma! Um passe bem dado, um drible na hora certa, um pênalti sofrido, aliás como aconteceu, já são suficientes para definir uma partida.

Jogue mais para o time, garoto. Creio que é isso que todos estão querendo dizer pra você. Pedalar é legal, pode ser produtivo, mas perto da área. E quando tiver a oportunidade de concluir a gol, conclua. O Santos precisa de gols, vitórias, e não de show. Show é secundário. Se puder vir depois que as vitórias estiverem consumadas, ótimo. Do contrário, primeiro a vitória.

Seja humilde por enquanto Neymar. Depois que ganhar três títulos mundiais com a Seleção Brasileira e dois com o Santos, mais seis brasileiros e duas Libertadores, além de uma dezena de Paulistas, aí pode botar alguma banca. Se bem que o Pelé ganhou tudo isso e muito mais e nunca esnobou ninguém.

Acho que chegou a hora de o Luís Álvaro Ribeiro dar o ar de sua graça e chamar Dorival Junior, Edu Dracena e Neymar para um papo. O Santos não perder o chamado foco justamente agora, na reta final da competição mais importante do ano.

Este segundo semestre, com o perdão da palavra, está uma merda para o santista. O público ridículo da Vila dá bem a noção de como o torcedor está decepcionado com o time. O Laor tem o dom de animar os torcedores, por passar muita credibilidade. Que use este seu dom agora. Na hora difícil, é que o líder precisa aparecer, não no momento de subir ao pódio.

E você, o que achou da virada do Santos e da discussão entre ele e Dorival Junior?