Soube que a assessoria de imprensa do Santos programa uma entrevista coletiva do presidente Luis Álvaro em que ele anunciará o projeto – com orçamento inicial de R$ 650 milhões – de se construir o novo estádio do Santos em Cubatão.

Acho que o presidente deveria ouvir mais os santistas antes de fazer este anúncio, que corre o risco de entrar no rol das frases vazias, como aquela de que o Santos venderia o espetáculo e não os artistas. Estudos sérios comprovam que investir em um estádio grande e moderno na Baixada Santista corem um risco enorme de fracassar.

Estudos de quem? Estudos da construtora que faria o estádio em Diadema, projeto dos mesmos empresários alemães que construíram o Amsterdam Arena. Antes de anunciar ao mundo a proposta, os alemães encomendaram uma minuciosa pesquisa de mercado, que chegou às seguintes conclusões:

A Grande São Paulo tem 1,5 milhão de santistas, e a Baixada tem 500 mil. Um estádio como estes só se paga com a venda antecipada de camarotes. Um pouco mais de oitenta por cento dos compradores potenciais de camarotes do estádio do Santos moram na Grande São Paulo. Portanto, um estádio na Baixada Santista corre o risco de se tornar uma obra inacabada.

E mesmo que seja concluída, qual seria sua ocupação média? O que leva a crer que terá muito mais do que os sete mil pagantes da Vila Belmiro? Sua beleza? Sua proximidade com São Paulo? Bem, a verdade é que os obstáculos que reduzem o público na Vila Belmiro poderão ser até maiores em Cubatão.

Pedágio, transporte coletivo…

Além da distância, um fator que impede maior afluxo de torcedores da Grande São Paulo à Vila Belmiro é a despesa – com combustível, alimentação e, principalmente pedágio. Em Cubatão o problema continuará a existir, com o agravante de que o torcedor de fora estará distante das opções de um centro mais urbanizado, como é Santos.

Outro fator que atrapalha as rendas do Urbano Caldeira é o menor poder aquisitivo dos santistas de Santos. Se mesmo podendo ir a pé ao estádio, muitos preferem assistir aos jogos dos botecos, por que esperar que os torcedores gastarão tempo e dinheiro com transporte para deslocar-se até Cubatão?

Cadê a pesquisa?

É inadmissível que a diretoria do Santos ainda não tenha uma idéia exata do perfil de seus torcedores. A pesquisa seria simplíssima: é só perguntar aos santistas que comparecem à Vila Belmiro em que cidade eles moram. Isso feito por uns 10 jogos e já se saberia a real estratificação dos torcedores no Urbano Caldeira.

A mesma pesquisa em jogos do Santos no Pacaembu traria informações importantes que, cruzadas, mostrariam onde é melhor para o clube e, principalmente, para a maioria de seus torcedores, construir o seu estádio permanente.

Não se pode admitir que depois de assumir o clube prometendo uma gestão moderna, científica etc etc, essa diretoria, Luis Álvaro à frente, anuncie um estádio em Cubatão apenas para aproveitar a sofreguidão da Copa. De elefantes brancos o Brasil já está cheio. O Engenhão é um exemplo. Não se pode erguer uma obra gigantesca apenas por uma questão de oportunismo, sem analisar todos os prós e contras.

O barato pode sair caro

Confesso que não sei, mas, convenhamos, que esses R$ 650 milhões sejam dados de graça para o Santos e que o clube só terá de ceder seu nome para a exploração do espaço comercial e publicitário do estádio. Parecerá a todos um negócio da China, não?

Mas, mesmo que o Santos não invista um tostão, o que acho difícil, ninguém dá R$ 650 milhões sem pedir nada em troca. Assim, o Santos terá de se comprometer a realizar um certo número de jogos no estádio, mesmo que este se transforme em um ponto micado. E aí, como ficarão as opções de se jogar na cidade de Santos e em São Paulo?

Pacaembu, hoje, é a melhor opção

Superstições à parte, o Pacaembu é, hoje, o estádio de maior rentabilidade para o Santos. E será ainda mais interessante com a construção do estádio do Corinthians em Itaquera, pois os outros três grandes clubes da capital terão os seus estádios e o Paulo Machado de Carvalho poderá receber apenas jogos do Peixe, aumentando sua identidade com o torcedor santista.

Hoje a prefeitura de São Paulo está disposta a um belo acordo para ter o Santos jogando no seu estádio municipal. O aluguel que era de 12% ao dia e 15% à noite pode cair para 6% e 7%, respectivamente. O Santos também poderá fazer ações de marketing e explorar espaços do estádio durante os jogos.

O que o torcedor quer

Até o momento em que escrevo este artigo, 960 pessoas votaram na pesquisa deste blog, que pergunta “Como você gostaria que fosse o estádio do Santos”. É uma boa amostragem, já que os votos são únicos e institutos de pesquisa já fizeram enquetes ouvindo até menos pessoas.

Somando-se os que gostariam de ver a Vila Belmiro ampliada (34%), um estádio maior e moderno em Santos (27%) e a Vila Belmiro do jeito que está (3%), temos 64% dos votantes. Portanto, a maioria quer que a casa do Santos continue sendo a cidade de Santos. Eu disse Santos, e não Itanhaén, Mongaguá, Praia Grande, Cubatão…

Porém, 16% quer um estádio maior e moderno em São Paulo, 10% prefere o estádio em Diadema e 10% gosta do rodízio entre a Vila e o Pacaembu, o que dá 36%.

Se a questão envolvesse um estádio em Cubabão, qual seria a porcentagem? É uma pergunta que deveria ser inserida no site oficial do Santos, nos boletos de cobrança, na TV e na Rádio Santos, enfim, deveria ser feita exaustivamente antes de anunciar publicamente o projeto de um estádio.

Já que não será em Santos, qual a diferença de o estádio ser em Diadema, também às margens da Imigrantes, mas bem mais perto do público consumidor do Santos, que fica na Zona Sul de São Paulo e no ABCD?

Será que, além deste público, não deveria ser feita uma pesquisa com empresários e potenciais patrocinadores? Afinal, serão eles que irão viabilizar economicamente o estádio. De que adianta lançar um balão de ensaio sem ter a certeza de que ele vingará? Por que essa precipitação?

Bem, mas esta é apenas a minha opinião. Agora quero saber a sua. Você é a favor ou contra um estádio do Santos em Cubatão?