Quando o Santos era dirigido por Marcelo Teixeira, acho que fiz no mínimo meia dúzia de textos, publicados no site Santista Roxo, de oposição, pedindo transparência na direção do clube, um mal que historicamente aflige o Alvinegro Praiano. Por isso, fico à vontade para fazer o mesmo agora, quando o presidente é Luis Álvaro Ribeiro.

Transparência foi uma palavra muito usada na campanha de Luis Álvaro, por isso, até como amigo, faço questão de lembrá-lo desse comprometimento. Não sei se perceberam, mas o momento delicado que o Santos vive hoje está relacionado com a quebra da confiança da torcida na direção do clube.

Algumas questões devem ser respondidas imediatamente, para que o torcedor volte a confiar no grupo que assumiu o Santos com tantas promessas. Há muita coisa pairando no ar. Por exemplo:

Qual é a real situação financeira do Santos? A chapa “o Santos pode mais” disse que faria uma auditoria e depois dela Marcelo Teixeira teria de “reembolsar o que tirou”.

Porém, na realidade, Teixeira é que está processando o clube, em uma causa que está em 29 milhões de reais.

Depois de um acordo para pagar o ex-presidente em cinco anos, a diretoria do Santos voltou atrás e, segundo Teixeira, está enrolando para não pagar.

Falou-se em mudar o estatuto para reduzir as restrições aos candidatos à presidência e ao conselho do Santos, mas até agora isso não foi feito.

Falou-se que haveria a publicação de balanços financeiros periódicos no site oficial do clube, mas até agora nem ao menos um balanço foi publicado. E já se vão nove meses.

Falou-se em um fundo de acionistas que colocaria R$ 40 milhões no clube. Aliás, este foi um ponto forte da campanha de Luis Álvaro. Mas até agora isso não foi feito.

Falou-se que o Santos venderia o espetáculo, não os artistas. Luís Álvaro ficou famoso com esta frase e com outra sobre o Cirque du Soleil. Mas o Santos vendeu André, Wesley, não conseguiu segurar Robinho e não contratou mais ninguém de renome.

Falou-se em melhorar as condições para o sócio e para o torcedor do Santos, mas as pessoas reclamam que nunca esteve tão difícil e tão caro comprar ingressos para ver os jogos do Alvinegro.

Falou-se que o Santos jogaria mais em São Paulo, onde tem uma média de público maior, mas a diretoria acabou se submetendo à pressão de outros interesses.

Falou-se em tantas ações ousadas, mas em alguns casos o clube andou para trás, como por ocasião do fechamento da sub-sede em São Paulo e a interrupção dos trabalhos visando as festividades do Centenário, ainda não retomadas.

Por que Zezinho é titular deste time?

O torcedor não se conforma (é só ver o teor dos comentários deste blog) ao ver o inexplicável Zezinho como titular e o garoto Alan Patrick na reserva.

Os direitos de Zezinho pertencem ao argentino Gustavo Arribas, parceiro do iraniano Kia Joorabchian, enquanto Alan Patrick é garoto da base do Santos, um patrimônio do clube.

Por que o Santos não promove Felipe Anderson e Tiago Alves, como todo mundo quer? Se vão vingar ou não, é outra história. É melhor tentar do que ficar na mesmice. Será que não há na base jogadores que possam mostrar um pouco mais do que titulares como Marcel, Roberto Brum, Marquinhos, Pará e Danilo?

Na verdade, o torcedor não entende como tantos jogadores de qualidade técnica duvidosa são titulares do Santos. Há um ano o Santos lutava para não ser rebaixado no Brasileiro. O time que empatou com o Internacional em 3 a 3, na Vila Belmiro, entre titulares e reservas utilizou 14 jogadores. Foram eles: Felipe, Eli Sabiá, Fabão, George e Léo; Mádson, Paulo Henrique Ganso, Robinho (o outro), Neymar, Rodrigo Mancha Germano, Rodrigo Souto, André e Kléber Pereira. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

A equipe que perdeu do Vasco, ontem, entrou em campo com Rafael, Danilo, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Arouca, Roberto Brum e Marquinhos; Zezinho, Neymar e Marcel. Técnico: Marcelo Martelotte. Com exceção de Neymar, o time é tão ou mais limitado do que o do ano passado.

Que estádio é esse?

Sabe-se que Luis Álvaro anda se encontrando com políticos de Cubatão que querem construir um estádio do Santos lá. Acho que isso não pode ser resolvido antes de uma grande discussão entre os santistas, sócios principalmente, e antes de uma boa pesquisa de mercado.

Tentei falar com Luís Álvaro e a resposta de seu assessor de imprensa é que ele só falará quando tiver alguma coisa concreta. Ué, quando tiver algum documento assinado será tarde demais. É importante ouvir a comunidade santista antes de tomar uma decisão que comprometerá o futuro do clube.

Imaginei que Luis Álvaro seria um presidente diferente, mais aberto. O homem que assumiu falando com todo mundo, até com quem não devia, agora não fala, não dá entrevistas para ninguém. Não é esse titio Laor que o santista quer ver.

Ainda hoje darei um matéria maior sobre o hipotético estádio de Cubatão e as possibilidades de estádios que o Santos tem.

E você, acha que eu é que estou ranzina, mau humorado com a derrota, ou esta diretoria é que prometeu muito e está fazendo pouco?