Colaboração de Mikael Absunto

Marcos, 34, acordou, olhou o relógio e ficou com preguiça de levantar. Ligou no trabalho, disse que estava com febre e voltou a dormir. Maria, 42, ficou decepcionada – havia viajado 200 quilômetros para a reunião com Marcos. Na volta para casa, atropelou um ciclista e, em pânico, fugiu sem socorrê-lo.

Às 10 horas, Zé Luís, 49, deixou de fazer o depósito para Renato, 52, que precisava do dinheiro para quitar dívidas. “Já mandei o doc, não caiu?”, mentiu. Com raiva, Renato descontou a frustração na esposa, depois de encher a cara na padaria do irmão.

Fernando, 26, é casado, mas conheceu uma gatinha pela webcam e, hoje em dia, diverte-se vendo a menina se despir online. Jéssica, 18, é racista e dia desses assumiu para os seus colegas de faculdade.

Nunca descobriram o paradeiro da esposa de Jorge, 61, uma figura querida no bairro. Ele sabe, pois a enterrou pessoalmente. Felipe, 39, é homofóbico porque, segundo ele, essas coisas são “contra a natureza”.

O Almeida, 50, é um cidadão honesto. Só sai do bom caminho quando chega o fim de semana e a cervejinha desce pela garganta. Marcelo, 48, é o oposto: não bebe, não fuma e é fiel à sua senhora, mas continua enganando as pessoas que acreditam em sua paranormalidade.

Benê, 60, é técnico de futebol. Quando se sentiu prejudicado, acusou o juiz de ser ladrão e o mandou tomar naquele lugar. Sua experiência e a vasta cultura não o impediram de tomar uma atitude intempestiva.

Tavares, 23, é um daqueles jornalistas que fazem do rancor o combustível da profissão. Não tem ética e não repetiria 99% das críticas que faz se os alvos estivessem em sua presença.

Todos estes Joãos e Joanas seguem suas vidas cometendo erros, mais ou menos graves, em um dia-a-dia de pouca reflexão. Mas quando se encontraram na mesma mesa, ontem à noite, não falaram de suas vidas e nem supervalorizaram seus delitos. Preferiram eleger Neymar, 18 anos, um monstro.

@mikaelabsunto