Obrigado Senhor! Eu sabia que não iria abandonar os seus favoritos!

Estou voltando da Vila Belmiro. Cansado. O trânsito estava terrível. Muita gente subindo a serra! E que toró! Parece que o céu estava desabando! Mas a sensação de chegar em casa, tirar o sapato e procurar a champanhe geladinha que guardamos para esse momento é ótima. Olho pela janela e mesmo de madrugada passa um carro com a bandeira do Santos. Está tudo perfeito. Suzana, cansada, vai dormir logo. Hoje eu não consigo. Tenho de reviver mentalmente toda a trajetória…

Depois da derrota para o Corinthians, na Vila, no jogo em que estava todo mundo de olho no Neymar e a arbitragem do Simon errou nos impedimentos, lembro-me que só o Durval disse que ainda dava para conquistar a tríplice coroa. Aí no sábado veio a partida contra o Cruzeiro, em Barueni…

O Cruzeiro era favorito e para alguns tinha time para ser campeão. Jogo duro. Neymar desequilibrou e Zé Eduardo, que entrou no segundo tempo, fez o gol da vitória. 2 a 1. Fiquei um pouco animado, mas depois veio o Vasco, no Rio, e o time voltou a se mostrar muito amarrado e empatou em 0 a 0.

O próximo adversário foi o Palmeiras, na Vila Belmiro. Acho que ali comecei a ver alguma magia, pois Neymar e Alan Patrick fizeram uma tabelinha desde o meio-campo, que só não terminou em gol devido à ótima saída do Marcos. Por falar em Marcos, Marquinhos, de falta, fez o único gol do jogo. Me animei de novo, mas na rodada seguinte, outro empate, desta vez até heróico, pois com um a menos segurou o 1 a 1 com o Fluminense, no Engenhão.

Depois, ah, que noite linda de sábado, Pacaembu lotado e uma vitória fantástica por 3 a 2 em cima do Atlético Paranaense. Neymar, Alan Patrick, Madson e Zé Eduardo infernizaram a defesa do Furacão. Possebon começou a se firmar como volante, ao lado de Arouca, e Marquinhos voltou a jogar como no primeiro semestre. O jogo começou a fluir.

Nesse ínterim o Santos enfrentou o Internacional, naquele jogo adiado do primeiro turno, e ganhou por 1 a 0, gol do Edu Dracena, de cabeça, já no finzinho. Depois, jogou contra o São Paulo, no Morumbi, e mais uma vez marcou no finzinho, evitando a derrota: 1 a 1.

Então, chegou a vez do Grêmio Prudente, na Vila. Deu dó dos caras. Praticamente rebaixados, até lutaram, mas acabaram sofrendo a maior goleada do Campeonato: 6 a 0. Até o Pará fez gol, dá pra acreditar? Pensei: vai embalar. Mas no domingo foi enfrentar o Internacional, no Beira-Rio, e mesmo saindo na frente duas vezes, acabou cedendo o empate: 2 a 2. Mas aomenos se manteve à frente do Colorado.

O bom é que em seguida voltou a atuar na Vila Belmiro e apesar da resistência do Vitória, ganhou por 2 a 1. Mais dramático foi o adversário da rodada seguinte: o Atlético Mineiro, que lutando para fugir da zona de rebaixamento, se empenhou bastante diante de sua fanática torcida, em Três Lagoas. Porém, mais estruturado, o Santos venceu por 3 a 1, merecidamente.

Chegou o momento do Grêmio, na Vila Belmiro, e o estádio ficou superlotado. Por incrível que pareça, o Santos já estava lutando pela liderança com Corinthians, Fluminense e Cruzeiro, e cada rodada podia ser decisiva. Empolgados, os Meninos correram como nunca e naquele domingo deu tudo certo: 4 a 1, fora as muitas chances perdidas. Marcel, que entrou no final, chegou a driblar o goleiro Vitor e chutar pra fora.

No outro domingo, o Santos foi à Goiânia enfrentar o Goiás, que já estava rebaixado. Não sei como, mas milhares de santistas deram um jeito de ver o jogo e foram maioria nas arquibancadas. O Goiás vencia até 40 minutos do segundo tempo, mas em duas jogadas individuais de Neymar o Alvinegro conseguiu uma vitória empolgante.

Durante a semana só se falou no jogo contra o Avaí. Disseram que o Corinthians mandaria mala preta para o time de Florianópolis, que não corria risco de rebaixamento, mas também não aspirava mais nada no campeonato. Não sei se é verdade, só sei que o árbitro escalado foi o Simon e o time de Santa Catarina correu demais. O Santos teve dois gols anulados erradamente e Simon não deu três pênaltis em cima de Neymar.

Mas o garoto ficou quietinho e esperou sua vez. Quando ela apareceu, driblou dois, sofreu um pênalti, levantou, driblou mais dois, sofreu outro pênalti, levantou, driblou o goleiro e entrou com bola e tudo. Simon ainda olhou para o bandeirinha, mas o auxiliar, meio sem jeito, caminhava cabisbaixo para o centro do campo. 1 a 0, chorado. O estádio era todo alvinegro praiano. Só uma turminha no canto, formado pelo ex-tenista Guga e seus amigos, torciam pelo time da casa.

No último jogo, bem no último jogo, contra o Flamengo, a Globo pressionou para que o Santos jogasse no Morumbi, mas o Laor bateu o pé e manteve a partida para o Alçapão. Andrés e Lula visitaram o Flamengo para dar uma medalha de honra qualquer ao Zico. Ricardo Teixeira disse que o jogo seria anulado se uma folha de papel voasse sobre o gramado da Vila Belmiro.

Sem nenhuma aspiração no campeonato e já classificado para a Sul-americana, o Flamengo correu pelo Corinthians, pois com o empate daria o título ao seu co-irmão paulista e com o prêmio prometido poderia colocar os salários em dia. No sábado, a Globo levou ao ar um especial sobre a participação do povo no futebol, mostrando apenas as torcidas de Corinthians e Flamengo e entrevistando os torcedores símbolos dos dois clubes: Lula e Ricardo Teixeira.

O árbitro escalado para o jogo decisivo, como não poderia deixar de ser, foi o Carlos Eugênio Simon. Fiquei sabendo que um grupo paramilitar escalou um velhinho-bomba para abraçar o simpático Simon no jantar após o jogo caso ele tirasse o título do Santos. Mas não foi preciso. Mesmo com a tevê mostrando que o gaúcho errou na anulação de quatro gols do Alvinegro Praiano; não deu cinco pênaltis no Neymar, dois no Alan Patrick, um no Arouca e dois no Marcel; expulsou erradamente três jogadores santistas e deixou o Flamengo bater à vontade, os Meninos estavam tão determinados que golearam por 8 a 3, fora o baile, e fizeram uma festa incrível, da qual estou chegando agora.

Bem, desta vez foi mais incrível do que em 2004. O Santos foi campeão com 69 pontos, dois a mais do que o Flamengo no ano passado. Só o jogo de hoje daria um livro. Mas agora já estou ficando cansado. Desculpem-me, mas amanhã tenho de acordar cedo, pois certamente o blog vai bombar. Não só sobre o título, mas também sobre a Arena Santista, que a prefeitura de Santos finalmente resolveu construir em parceria com o Santos e a Portuguesa Santista, que cederá o seu terreno. Maravilha. Até parece que estou sonhando acordado…

Você não acha que às vezes acontecem coisas que parecem sonho?