Como eu prometi, cheguei em casa do Pacaembu – em que tive o prazer de encontrar o santista genial Zeca Baleiro com sua esposa, além de amigos que lêem meus livros e acompanham este blog –, selecionei os comentários que alguns leitores deixaram, aos quais agradeço de coração, e estou agora, 0h44m de sexta-feira, produzindo um texto com o que me disseram.

Como se esperava, depois de um jogo em que o Santos perdeu para o Botafogo por 1 a 0, no Pacaembu, com gol de Loco Abreu nos acréscimos, o tom dos comentários é muito crítico, sem deixar de ser realista. Leonel reclama da torcida e diz que ela só comparece em finais. Acha que só 14 mil pagantes é uma vergonha para um time que jogava pela terceira posição do Brasileiro. Por fim, se diz decepcionado com a diretoria do Santos, que não deveria ter deixado sair Wesley e André.

A preocupação com a baixa qualidade de muitos dos jogadores santistas é geral. Antonio Sérgio diz que no segundo tempo a partida parecia um festival de horrores, acha que com a ausência de Robinho, Ganso, Wesley e André é preciso mudar o esquema, atacar com mais inteligência. Para ele, é melhor esquecer a briga pelo título e arrumar a equipe para disputar a Copa Libertadores.

O técnico do Santos está irritando o Antonio Sérgio, que diz: “Não consigo digerir o Dorival Jr. Hoje ele aprontou de novo… Não deveria ter tirado o Keirrison. Deveria ter deixado o ataque com Zelov, Keirrison e Neymar… tirando o Zezinho. Enfim, apanhou do mestre Joel Santana e sua prancheta”.

O Anselmo Lima concorda com o Antonio Sérgio quanto à baixa qualidade do segundo tempo. Chega a dizer que “o que vimos até metade do ano se perdeu num piscar de olhos. A magia não existe mais, o atual elenco tem até qualidade mas vai precisar treinar muito (sem tempo pra isso) para ser competitivo a ponto de novas conquistas”. Repeti a frase inteira porque ela sintetiza o que muitos santistas estão pensando.

Anselmo continua: “Sinto o Dorival meio sem norte, não sabe se vai ou se fica, se joga no ataque ou fortalece a defesa. É um time totalmente novo, sem entrosamento, e nós santistas teremos que ter muita paciência, pois é um recomeço. O time se mostrou nervoso no segundo tempo sem motivo algum, errando quase todos os passes, e faltou qualidade na armação. Zezinho inoperante; Breitner, falta qualidade mesmo; Zé Eduardo é esforçado, mais não é decisivo… Só espero que nosso técnico saiba conduzir a remontagem do time pro ano que vem, pois hoje ficou provado, pelo menos para mim, que não temos time e elenco pra disputar o título”.

Lucas, que esteve no Pacamebu e saiu de lá decepcionado, diz que roubar a bola do Santos “é como tirar doce de criança!”. Critica Marquinhos, que para ele “não está jogando NADA!!!” e por isso “o time fica sem referência no meio-campo”. Keirrison, para Lucas, é um peso-morto e Neymar está querendo passar por quatro marcadores. “É um time que toca muito a bola, mas oferece poucos perigos REAIS, e além de tudo os contra-ataques perderam a velocidade!”, diz o Lucas.

O Pedro Reino alerta a diretoria do Santos para ficar esperta para erros de arbitragem contra o time. Ele diz: “No jogo contra o Vitória, no Barradão e pelo Brasileiro, o árbitro sinalizou dois minutos de acréscimo no final do primeiro tempo, mas permitiu que o jogo corresse até quase os 48 para que o Vitória fizesse um gol em contra-ataque, após escanteio cobrado pelo Santos e que não resultou em finalização. O jogo, obviamente, deveria ter sido interrompido após a cobrança do escanteio pelo Santos e o não-aproveitamento dessa chance de finalização que já aconteceu no limite do tempo acrescido. Hoje, contra o Botafogo, o árbitro sinalizou também dois minutos de acréscimo ao final do primeiro tempo. Bola na área do Botafogo sob o domínio do Santos, Marquinhos com ela, faltando 12 ou 13 segundos para o final do tempo acrescido e… ele apita e interrompe a jogada! POR QUÊ?!

Um detalhe que reforçaria ainda mais a tese do Pedro é que o árbitro deste jogo com o Botafogo, o Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG), é o mesmo que apitou na derrota de 3 a 1 do Santos para o Avaí, também no Pacaembu.

O Khayat analisa jogador por jogador, com notas, e reservou as melhores para Rafael, Alex Sandro e Arouca, com 7, e as piores para Marquinhos (“uma nulidade”), 3,5, e Keirrison (“completamente fora de jogo”), 4. Dorival Junior também não foi poupado. Recebeu 4,5. Na análise final, Khayat diz que o jogo “… pareceu uma grande pelada, onde prevaleceu a vontade e faltou a organização tática e a técnica. Os dois times tiveram chance de fazer o gol que levaria à vitória. Infelizmente, aos 45 minutos do segundo tempo, o Botafogo fez”.

O Leonel acha que o Santos caiu muito e não poupa nem o Neymar, que para ele está muito individualista. Para ele, o Zé Eduardo não tem técnica para jogar no Santos e o Marquinhos está sem condição física. Leonel acha ainda que alguns meninos da base, como o Tiago Alves, “tem que subir logo”.

Para o João Eugênio, o maior culpado é o Dorival Junior, que “vacila e oscila demais”. O João acha que o time tem de continuar jogando no 4-3-3, pois foi com três atacantes que foi campeão no primeiro semestre. Ele acha que o Dorival não tem comando e por isso não consegue fazer o time tocar a bola com calma.

Adildo concorda com os que dizem que não dá para comparar “o nosso time no primeiro semestre e o atual. Neymar, sozinho, tem dificuldades, já que os adversários podem fixar marcação nele com menos preocupações”, pois no primeiro semestre havia Robinho, Ganso e André para dividir a atenção dos adversários. Mesmo sem ser radical, Adildo acha que Marquinhos jogou mal de novo, Zezinho e Keirrison melhoraram um pouco e não entende por que Dorival mantém Zé Eduardo no banco.

O Ailton Moraes, de Vinhedo, achou o jogo bem fraquinho, com poucas chances de gol e poucas jogadas bonitas, bem diferente de outros memoráveis confrontos desses alvinegros nos anos 60. “O resultado justo seria um 0×0. Percebo uma coisa e ai talvez você não concorde: o Santos sem o Ganso e quando o Neymar não está inspirado, vira um time comum. Igual à maioria. E só melhor que poucos dos 20 clubes da série A (talvez umas oito equipes). Atualmente só o Neymar faz a diferença. E só quando joga bem, o que não foi o caso do jogo de hoje”.

Puxa, concordo inteiramente com que o Ailton disse, tirou as palavras de minha boca. E outro que me deixou sem palavras foi o Hugo, que me perguntou: “Viu só como a torcida do Santos é acomodada!? E aquele papo de que no PACAEMBU lota!? Já é o terceiro jogo seguido que não enchem nem a metade do estádio. Isso só prova o comodismo da torcida isso sim”.

O Stefano diz “fazia tempo que não via o Santos tão ridículo assim. Mereceu perder. E o que mais irrita é a falta de agilidade do Dorival. E, quando resolve mudar, põe o Breitner. Aí é pra acabar com a paciência de qualquer um. Merecido. Saiu do G4 por ter feito um jogo medíocre”.

Finalmente, para o Anderson Silva, o Santos tem de repensar algumas coisas, pois tem uma Libertadores no início do próximo ano. “A diretoria se intrometer em quem o técnico escala pra mim é ridículo, coisa de time varzeano, mas alguém precisa dizer ao Dorival que o Marquinhos está parecendo um DOENTE em campo!!!!”,.

Eu só acrescentaria que…

Interessante como o torcedor santista enxerga o jogo com tanta propriedade como os melhores analistas. Sobrou pouca coisa para eu dizer. Lembro que no finalzinho da partida eu cochichei para a Suzana que se terminasse 0 a 0 seria lucro, pois sentia que o Santos corria perigo naqueles momentos. Parecia disperso, enquanto o Botafogo, aliviado por ter segurado o empate até ali, ainda tentava as últimas estocadas.

Esperamos todo mundo sair e fomos conversando até o carro. Como professora de Educação Física e ex-tenista amadora de sucesso, Suzana ficou decepcionada com a falta de atenção de alguns jogadores, que às vezes viravam as costas para o lance.

“Ou você dá 100% no que faz, ou não faz”, ela me disse. Concordei, recordando de um lance em que o jogador do Botafogo saiu como um louco atrás de uma bola que estava saindo pela lateral.Alcançou-a, pisou sobre ela, mas no embalo ainda deu mais dois ou três passos. Porém, teve tempo de voltar e dominá-la, pois o Pará não acompanhou a jogada. Só ficou olhando, de longe, torcendo para a bola sair.

Para este Santos é tão importante esta determinação porque o time – é duro admitir isso – é limitado. Concordo com as críticas a todos os jogadores citados. Reconheço que ontem até o Neymar não foi bem, mas ele é o único que pode criar alguma coisa e às vezes tínhamos a impressão de que a única chance de sair um gol era o Neymar driblar quatro ou cinco e marcar. Por isso, mesmo reconhecendo que foi individualista, eu o perdôo.

Ao final do primeiro tempo, Dorival Junior poderia ter tirado Marquinhos, Keirrison, Danilo ou Zezinho. Àquela altura, parecia inacreditável que Zé Eduardo e Madson estivessem no banco de reservas. Ambos não são craques, mas neste time têm lugar garantido.

Sem, Ganso e Wesley no meio-campo, até Arouca está com problemas. Quanto a Marquinhos, caiu muito. Está lento, desatento e errático. Da arquibancada, parecia um velho. Não sei se ele percebe a oportunidade que têm nos pés. Pode se firmar e levar o time a uma boa campanha, ou ir para a reserva e não sair mais de lá.

Zezinho e Breitner ainda não podem jogar no time profissional do Santos. Não têm técnica e nem maturidade. Lembrem-se de que Ganso voltou para a base, Wesley foi emprestado para o Atlético Paranaense e Neymar foi para o banco antes que pudessem ter oportunidades concretas na equipe.

Danilo também tem demonstrado pouca categoria. Ele até luta, começa algumas jogadas bem, mas invariavelmente as conclui mal. Falta-lhe o passe preciso e o chute. Aliás, qualidades que também têm faltado a Pará, um lateral inseguro, que parece nunca saber ao certo o que fazer.

Enfim, este Santos é limitado. Ainda bem que tem uma folga grande sobre a zona de rebaixamento, pois se já estivesse nela, teria muitas dificuldades de sair. Se a diretoria do Santos não reforçar o time, pode provocar a maior frustração que o torcedor do Santos já teve em toda a história do clube.

Não quero ser alarmista, mas se continuar jogando assim e caso continue dependendo apenas destes jogadores que possui hoje, o Santos correrá sérios riscos de rebaixamento. Na verdade, bastam quatro ou cinco rodadas de resultados ruins para que este risco se torne real.

Não culpo Dorival Junior por adotar um sistema mais fechado no meio-campo. Ele já deve ter percebido que o time que tem agora nas mãos não é nem sobra do que encantou o país no primeiro semestre.

Por fim, sem querer achar desculpa, admito que o Método Científico OC partiu de uma premissa errada. Este time não merece 100 pontos. No máximo está em 80, o que é menos do que o Botafogo. Portanto, a vitória do time carioca, mesmo não sendo um primor de justiça, premiou a equipe mais consciente, mais determinada e dirigida por um técnico, o veterano Joel Santana, que conseguiu enxergar melhor o jogo.

Quanto ao público, também me decepcionou, apesar do frio. Saí do Pacaembu com a impressão de que, diante da fragilidade desta equipe do Santos, será melhor mesmo abdicar de ganhar algum dinheiro a mais e tratar de angariar preciosos pontinhos lá na Vila Belmiro famosa.

Peço desculpas ao Rui Moura, Sandro Campos, Renato Murakawa, Geraldo e Ricardo VH por não ter citado seus comentários neste post. Só pude utilizar comentários que chegaram até a meia-noite. Mas todos serão respondidos nesta sexta-feira.

Abraços a todos e obrigado aos que me ajudaram nos comentários. Vocês sabem e enxergam muito de futebol.

Na foto abaixo, a Suzana, eu e as amigas Soninha Santista, cujo blog indico, e a Vera, em um jogo do início do ano no Pacaembu – que estava vazio porque chegamos cedo, mas depois encheu.